Dólar no agronegócio

Dólar no agronegócio: importância e volatilidade.

No Farmnews, painel de mercado pecuário, vamos falar um pouco de dólar e entender porque ele oscila tanto e também é tão importante no agronegócio. O assunto hoje é dólar no agronegócio!

Primeiro é importante destacar o regime de cambio praticado no Brasil, que permite essa forte oscilação, como temos observado recentemente, tanto para baixo como para cima.

A taxa de câmbio flutuante

A taxa de câmbio flutuante é a taxa vigente na maioria dos países do mundo. Nesse regime cambial, a taxa de câmbio varia diariamente conforme a oferta de moeda estrangeira, da demanda de estrangeiros pela moeda nacional e, principalmente, da percepção dos investidores estrangeiros e dos especuladores quanto à situação econômica e política do país.

É por isso que quando a percepção de risco frente as notícias de corrupção, instabilidade política etc é maior, há uma tendência de fuga de investidores do Brasil. Nesse caso esses investidores deixam de investir por aqui, diminuindo a oferta de dólar no país, ou seja, pressionando as cotações do dólar para cima. Por isso é comum vermos o dólar disparar diante de notícias adversas quanto ao cenário político-econômico brasileiro.

Mas voltando a questão do câmbio flutuante, no Brasil, a cotação do dólar varia como o preço de qualquer produto comercializado, como o boi gordo, bezerro, milho, soja entre outros, ou seja, regido pela oferta e procura. Quando há dólar demais em circulação, o valor dele diminui. Mas quando a situação é oposta, ou melhor, havendo pouco dólar no mercado, a moeda fica mais concorrida e o preço dela sobe. Esse modelo serve para qualquer moeda no mundo: euro, libra, rubro, yen etc.

Nesse aspecto, vamos apresentar a oscilação do dólar frente ao Real e avaliar a volatilidade do cambio ao longo do tempo. A Figura abaixo ilustra o comportamento do cambio (R$/US$) em quase 20 anos de história (desde 1997).

 

Dólar no agronegócio

Fonte: Dados do Banco Central do Brasil

 

Os dados acima comprovam a alta variação do câmbio. Na mínima desta série, US$ 1 valia perto de R$ 1 no início de 1997. Na máxima, há poucos meses atrás, US$ 1 chegou a valer cerca de R$ 4. Vale destacar ainda que dentro desse limite de R$ 1 e R$ 4 há muita volatilidade ao longo do tempo. É um sobe e desce!

Esse sobe e desce, embora determinado pelas forças do mercado, geram incertezas e preocupações principalmente quando falamos de produtos que tem uma grande demanda internacional, como soja, milho e a carne bovina. Essa é a grande importância do dólar no agronegócio.

A insegurança vem do fato que o efeito do câmbio pode contribuir significativamente para tornar um produto atrativo ou não no mercado externo. Por exemplo, hoje a carne bovina brasileira é competitiva em termos de preços lá fora, uma vez que uma arroba de R$150,0 em média, é cotada em dólar a US$45,5 (considerando US$ 1 para R$ 3,3). Caso o câmbio estivesse em US$ 1 para R$ 2,0, essa arroba de R$ 150,0 estaria em US$ 75,0, o que tornaria o produto nacional menos atrativo e pouco competitivo com nossos principais concorrentes internacionais.

Por isso, o dólar no agronegócio é muito importante e pode estar mais presente no seu dia a dia do que possa imaginar. Isso porque não abordamos aqui a relação do dólar com custos de produção, pois muitos insumos estão atrelados ao dólar.

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Zootecnista, editor do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!