Fonte: Dados adaptados do IBGE

Taxa de abate de bovinos: Ciclo pecuário

Na Análise de Mercado Agropecuário de hoje vamos apresentar a evolução do número de bovinos abatidos em uma série histórica de quase 20 anos, ou seja, dos abates no Brasil desde 1997, conforme dados do IBGE. O objetivo é apresentar o comportamento de abates ao longo dos anos e iniciar uma série de artigos que irá discutir além da taxa de abate de bovinos no país, a relação de abate de fêmeas e seus impactos no crescimento de rebanho. O assunto será o ciclo pecuário de longo prazo.

A primeira Figura abaixo mostra que o abate mensal médio no Brasil apurados nesses quase 20 anos de história é de aproximadamente 2,12 milhões de cabeças. Contudo, os números mais recentes mostram um volume de abate médio mensal oscilando entre 2,5 a 3,0 milhões de cabeças, enquanto no início desta série, no final da década de 90, os valores variavam entre 1,2 a 1,5 milhões de cabeças abatidas mensalmente.

Observando esses números, temos que em quase 20 anos o volume de abate praticamente dobrou no país enquanto o rebanho apresentou uma taxa de crescimento bem menor no mesmo período. Segundo o IBGE no início do ano 2000 o rebanho bovino oscilava perto de 160 milhões de cabeças e atualmente pouco acima de 200 milhões, o que indica o crescimento da taxa de abate foi muito superior ao crescimento do rebanho, mas, este dado é apenas uma informação adicional. O objetivo aqui é de iniciar o assunto sobre ciclo pecuário de longo prazo.

Taxa de abate de bovinos mensal total no Brasil

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

A segunda Figura ilustra melhor o crescimento do ritmo de abate no Brasil, apresentado o acumulado de abates ao longo dos anos. A média de abate anual nestes 20 anos é de 25,45 milhões de cabeças, bastante inferior ao volume de abate atual, acima de 30 milhões de cabeças segundo base de dados do IBGE. Vale ressaltar a queda no volume de abate total no ano de 2015 talvez impulsionada pela retenção de fêmeas e consequente diminuição da oferta de animais. Essa retenção de fêmeas é estimulada pela retorno da atividade de cria devido aos altos patamares de preços praticados nos animais de reposição.

Evolução da taxa de abate de bovinos anual total no Brasil

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

A última Figura, já adiantando um pouco o assunto de abate de matrizes a ser apresentado na semana que vem, ilustra a queda do ritmo do abate de matrizes, refletindo na queda no abate total do país. Os dados sugerem uma maior predisposição pela cria em 2015. Mas vamos falar disso na semana que vem…!

Crescimento acumulado da taxa de abate de bovinos matrizes e total, no Brasil

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

O importante aqui é avaliar que durante quase todo período de análise (quase 20 anos), a evolução acumulada da taxa de abate de bovinos fêmeas foi maior que a taxa de abate de bovinos total do rebanho nacional.

Isso aconteceu a partir de 2002 e implica dizer que desde então houve um crescimento do volume de abate de fêmeas em relação ao total de animais abatidos no país. Isso pode explicar, em partes, a falta de animais de reposição nos últimos anos, já que foi um processo contínuo devido ao desestímulo da atividade em alguns momentos de preços desfavoráveis, como no início dos anos 2000.

Na próxima semana iremos abordar melhor a relação de abate de fêmeas nos últimos anos e avaliar a relação destes dados como indicador de crescimento de rebanho. Receba nossa newsletter, cadastre-se e mantenha-se informado com a Farmnews!

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