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O bem-estar animal que dá lucro!

O bem-estar animal estará em foco no Repronutri, evento que acontece em Campo Grande!

Entre os temas a serem discutidos no 3º Simpósio Repronutri (clique aqui) as implicações práticas do bem-estar animal serão o tema da palestra ministrada por Mateus da Costa, da UNESP de Jaboticabal.

Organizado pelo Grupo Repronutri, Embrapa e parceiros, o evento discute que aspectos combinados da saúde física, mental e emocional dos rebanhos influenciam a qualidade do produto final.

“A proposta é tratar o bem-estar de forma abrangente, com foco em cinco domínios”, afirma o pesquisador. Essa abordagem busca manter a qualidade de aspectos como nutrição, saúde do rebanho, ambiente, comportamento e estados mentais dos animais – ou seja, como eles se sentem em determinadas situações e sob diferentes estímulos. “Isso funciona de forma integrada, um aspecto não independe do outro. Não adianta melhorar o manejo no curral para ter um ambiente melhor se eu não cuidar da nutrição e saúde”.

O modelo dos cinco domínios ganhou mais adeptos nos últimos anos, afirma Costa. “A neurociência mostra que os processos neurais relacionados com os nossos estados de depressão, ansiedade e medo são os mesmos nos animais. A prova cabal disso é que a gente desenvolve medicamentos para uso humano fazendo testes em animais. As relações são diretas: se o animal não está bem por qualquer motivo, ele tem um impacto negativo no desempenho e saúde”.

Como exemplo, ele menciona que um estado de stress pode diminuir a eficiência produtiva do animal por reduzir a ingestão de alimentos ou causar má absorção dos nutrientes.

Para o pesquisador, bem-estar animal significa a ausência de sofrimento.

“A gente normalmente associa isso a ferimentos, mas não analisa de forma integrada. Não mostra, por exemplo, que um animal com uma deficiência nutricional desenvolve, ao mesmo tempo, um estado emocional negativo.

Não há só uma deficiência fisiológica, mas também um impacto na sua psicologia. Isso pode influenciar o ambiente em que ele está, seu relacionamento com os humanos e as dificuldades de manejo. O comportamento pode ficar alterado com o aumento de agressividade ou nervosismo e, com isso, criam-se situações de risco”, diz.

Costa afirma, ainda, que os aspectos éticos são fundamentais à discussão e que o tema tem sido cobrado pela sociedade com crescente frequência, com exigências pelo fim da criação de galinhas poedeiras e porcas em gaiolas, por exemplo. “Há rejeição de produtos no mercado quando os maus-tratos são comprovados”.

Entre as alternativas utilizadas pelos pecuaristas que compreendem a importância do bem-estar animal estão o fim do uso do marca-fogo e a realização apenas de marcas obrigatórias, como a da vacina contra brucelose. “Quando as pessoas perceberem que existe uma relação direta entre os interesses, os nossos e os dos animais, vai ficar mais fácil fazer com que medidas como essas sejam adotadas”.

O pesquisador completa: “a vantagem é sua, do produtor, com redução de mortalidade, melhor desempenho, menores riscos de contrair doenças, menores custos com veterinários e medicamentos. Temos que olhar para isso. Tratar bem os animais é bom para todos”.

Adaptado de Nicoli Dichoff, da Embrapa

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