Os custos de produção da pecuária de corte registraram  discreta alta em 2016, segundo indicaram pesquisas do Projeto Campo Futuro, realizado pela CNA em parceria com o Cepea.

No ano, o COT (Custo Operacional Total) da pecuária de corte subiu ligeiro 1,6%, considerando-se a “média Brasil” – vale lembrar que, em 2015, a alta havia sido de expressivos 11,5%.

O aumento verificado nos custos de produção da pecuária de corte em 2016 esteve, inclusive, abaixo do verificado para a inflação (IPCA) no ano, de 6,3%.

Entre os estados, Mato Grosso do Sul acumulou alta de 5% no COT da pecuária de corte em 2016, ante os 11% no ano anterior. Já no Pará, os custos totais recuaram 4,8%, depois de acumular forte aumento de 21% em 2015.

Segundo indicam pesquisadores do Cepea, a variação dos custos de produção da pecuária de corte em 2016 foi limitada principalmente pelas quedas nos preços do bezerro – a compra de animais representou 45% do COT.

Em Mato Grosso do Sul, o bezerro nelore desmamado, macho, entre 8 e 12 meses (representado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa), acumulou recuo de 6,2% em 2016. No ano, a desvalorização mais intensa do bezerro, de 3,7%, foi verificada em maio.

No Pará, onde os custos caíram no ano passado, o preço médio do bezerro recuou 11,6%. Os menores preços do bezerro, por sua vez, estiveram atrelados ao aumento da oferta de animais, como consequência da maior retenção de matrizes em 2016, estimulada pelas valorizações do animal em anos anteriores.

Com participação de 13% no COT em 2016, o grupo de suplementação mineral acumulou alta de 8,6% no ano, contra os 17% em 2015.

O aumento desse insumo foi limitado pela queda do dólar – o fosfato bicálcico, uma das matérias-primas utilizadas na produção de sal mineral, é importado. A moeda norte-americana se desvalorizou 17% frente ao Real no acumulado de 2016, ante uma forte alta de 46% em 2015.

Regiões onde há maior consumo de sal mineral, proteico e energético, como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso, a desvalorização do dólar proporcionou ao produtor, inclusive, menores gastos com o insumo.

O grupo de sementes forrageiras, por sua vez, subiu expressivos 69% no balanço de 2016, refletindo principalmente a menor produção, devido ao déficit hídrico no decorrer de 2015 (El Niño).

Além disso a maior demanda pelo insumo para reforma de pastagem na época das chuvas no ano passado reforçou o movimento altista. Com participação inferior a 2% do COT, o grupo de sementes forrageiras acaba não influenciando no aumento dos custos anuais.

Outros insumos, como defensivos agrícolas, adubos e corretivos tiveram queda no preço em 2016, mas, por também não serem representativos nos custos do produtor, não refletiram na evolução do COT.

Com a expectativa de safra recorde de grãos neste ano, devido ao clima favorável, os preços do milho vêm caindo em 2017, o que pode elevar o número de animais confinados.

Segundo a ASSOCON, o número de animais confinados pode ultrapassar quatro milhões de cabeças. Produtores de corte de Mato Grosso e de Goiás devem ser os mais favorecidos pelas quedas nos preços do grão, devido à maior disponibilidade do produto.

Fonte: Boletim Pecuária de Corte – CNA

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