lucro da fazenda

Qual é o lucro da fazenda? Conhecendo o DRE e como analisá-lo!

No Farmnews vamos falar um pouco de como os resultados das empresas são organizados, buscando ajudar o pecuarista menos familiarizado com o assunto a avaliar de modo simples o que realmente é de seu interesse. E o que interessa no final das contas é a análise do lucro da fazenda.

O Demonstrativo de Resultados (DRE como é comumente conhecido) é fundamental para saber o que está se passando com a empresa, ou seja, para analisar o resultado efetivo do negócio, já que a pergunta que não cala os pecuaristas é: afinal, qual o lucro da fazenda?

Antes de falar de lucro da fazenda é importante destacar que uma empresa pode ser avaliada pelo demonstrativo de resultado (DRE), fluxo de caixa e balanço patrimonial.

Vamos entender rapidamente cada um deles!

O balanço patrimonial mostra o valor dos ativos, representado pelos direitos de uma empresa, por exemplo, dinheiro em caixa e bancos, valores a receber, estoques e bens como imóveis e maquinários; e dos passivos representado pelos valores a pagar, tais como fornecedores, empréstimos, financiamentos etc. Com o balanço patrimonial podemos responder qual é de fato o valor contábil da empresa em determinada data. O balanço patrimonial diz justamente por quanto sua fazenda, com a terra, rebanho, máquinas etc., excluindo suas dívidas, estão representados ao seu custo histórico de formação.

O DRE, por sua vez, mostra o que aconteceu com a empresa em determinado período, ou seja, onde ela ganhou e perdeu dinheiro na operação.

E qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

O DRE é apresentado sob a perspectiva de competência, enquanto o fluxo de caixa é apurado no regime de caixa, ou seja, contabilizando as entradas e saídas dos recursos no tempo em que elas ocorrem. No regime de competência, o registro do evento ocorre na data que o evento aconteceu, ou seja, na data do documento fiscal, não importando quando vou pagar ou receber.

Por exemplo, caso o pecuarista tenha feito uma venda em junho de 2016 no valor de R$10.000,0 e o dinheiro seja depositado na conta da fazenda em julho (no caso de uma venda a prazo), em termos de DRE a apuração deste valor ocorrerá em junho e no caso do fluxo de caixa em julho de 2016.

Como vemos, tanto DRE como fluxo de caixa podem ser usados para apurar o lucro da fazenda. Um utiliza o critério de competência e outro o caixa.

Buscando ser bastante simples, para melhor entendimento, abaixo demonstramos um exemplo básico de DRE:

  • Receita:
    • R$ 10.000 (venda de 10 bezerros)
  • Despesas:
    • R$ 7.500 (custo de produção de 10 bezerros)
  • Resultado:
    • R$ 2.500 (resultado bruto)

Certamente que em uma empresa, principalmente nas fazendas de pecuária de corte, as atividades são diversas e com isso o DRE também ganha um pouco em complexidade. Mas nada muito além do que exposto acima. A lógica do DRE é simples: apuramos receita, custo e a diferença do que sobrou entre receita e custo. Simples assim!

Veja a seguir a estrutura de um modelo de DRE com o objetivo de ilustrar e facilitar nossa discussão sobre o assunto.

 

  • (+) Receita de vendas
  • (-) Impostos sobre vendas
  • (=) Receita líquida
  • (-)  Custos de produção
  • (=) Resultado ou Lucro bruto
  • (-)  Despesas
  • (=) Resultado ou Lucro antes de receitas financeiras e dos impostos (IR e CSLL)
  • (+/-) Receitas ou despesas financeiras
  • (-) IR (Imposto de renda) e CSLL (Contribuição social sobre lucro líquido)
  • (=) Resultado ou lucro líquido

 

Como ilustrado acima, o DRE é bem simples e pode ser apurado no período de interesse do pecuarista, seja mensal ou anualmente. No início do DRE temos a receita de vendas da fazenda, e logo abaixo descontamos os impostos sobre as vendas e assim calculamos a receita líquida(receita após descontados os impostos).  Após a inclusão dos custos de produção, calculamos por diferença o resultado ou lucro bruto.

No entanto, ainda existem outras receitas e despesas para serem incluídas nesta conta. A próxima são as despesas, ou seja, todos os custos que não estão diretamente relacionados com a produção dos animais, como os custos administrativos. Exemplos de despesas seriam aluguel de imóveis para escritórios, viagens etc. Uma vez deduzidas as despesas, temos o resultado antes do resultado financeiro e dos impostos, que é importantes por mostrar o real desempenho das atividades principais da empresa.

Após contabilizar as despesas, podemos ter as receitas ou despesas financeiras. Na pecuária de corte talvez não seja comum a receita de investimentos financeiros, como por exemplo, de uma aplicação ou de uma operação de hedge que teria por objetivo proteger o valor dos estoques de variações bruscas no preço de mercado. De qualquer modo, caso o pecuarista tenha alguma receita ou prejuízo oriunda de uma atividade financeira ou encargos devido a financiamentos por exemplo, estes valores devem ser apresentados no DRE.

Desse modo, após considerada as receitas ou despesas financeiras e impostos, chegamos ao resultado ou lucro líquido da empresa no período. Se for positivo, o lucro da fazenda foi positivo. Se negativo, a fazenda apresentou prejuízo.

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