custo da pecuária de corte

Custo da pecuária de corte sobe forte em 2019 puxada pelo bezerro

Em 2019, além da alta recorde do boi gordo, o custo da pecuária de corte também apresentou forte alta.

Pois é, apesar da valorização do preço do boi gordo em 2019, o ano também foi marcado pela alta dos custos de da pecuária de corte, conforme os dados do projeto Campo Futuro, em parceria com Cepea e CNA.

A principal elevação foi ocasionada pela valorização dos animais de reposição, que tiveram como motivação o abate elevado de fêmeas em anos anteriores, limitando a disponibilidade desses animais, e a alta nos preços da arroba do boi gordo, incentivando a busca por esses animais.

O reflexo da valorização foi observado de forma intensa nos sistemas de recria e engorda, dependentes de animais de reposição, e de forma branda no sistema de cria, que repõe apenas animais de reprodução. Considerando a média Brasil, em 2019, os sistemas de recria e engorda amostrados pelo Projeto Campo Futuro apresentaram elevação de 16,3% em seus custos operacionais totais, sendo mais de metade da alta observada nos últimos dois meses do ano.

Entre janeiro e outubro de 2019 os sistemas de recria e engorda acumularam alta de 7,9% no COT (Custos Operacionais Totais). Os maiores registros foram nos estados do Pará (21,1%), Rondônia (18,9%) e Mato Grosso (18,7%), locais em que o custo com reposição de animais representa, respectivamente, 60,0%, 59,7% e 65,7% do COT. No caso do sistema de confinamento, localizado em Goiânia (GO), a valorização dos animais elevou o COT em 33,5%, sendo que a reposição representa 84% desse custo.

Em sistemas de cria, o COT aumentou 3,9% entre janeiro e dezembro de 2019, na média Brasil, ocasionado pelo aumento no custo de aquisição e reposição de reprodutores. Dos estados analisados, as maiores variações acumuladas foram verificadas no Rio Grande do Sul (8,2%), Mato Grosso do Sul (7,0%) e em Rondônia (5,2%).

É válido ressaltar que no modelo do estudo este custo é indexado no valor de venda de bois gordos, que, por sua vez, teve considerável alta em novembro e dezembro de 2019. Mesmo assim, no acumulado do ano, o panorama da pecuária nacional continua positivo.

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Os sistemas de cria nacionais terminaram o ano de 2019 com margem líquida de R$183,91 por hectare de área útil, contra R$102,72/ha em janeiro de 2019. Os sistemas de recria e engorda obtiveram margens de R$503,45/ha em dezembro de 2019, contra R$235,43/ha no primeiro mês do ano, enquanto no confinamento de Goiânia, a margem passou de R$ 64,36/@ produzida para R$ 138,12/@. A média da relação de troca de 2019, em arrobas de boi gordo necessárias para se adquirir uma arroba de bezerro, permaneceu estável em relação à média registrada em 2018.

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O ano de 2019 se encerrou com sensação de alívio para os pecuaristas nacionais, devido às margens mais confortáveis. No entanto, historicamente, os preços da arroba passam por ajuste nos próximos meses, devido à chegada do fim das águas e, consequentemente, maior oferta de bois a pasto para os frigoríficos. Isto poderá influenciar as margens operacionais dos produtores que optaram por investir em animais de reposição mais valorizados.

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Adaptado do Cepea

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