pegada hídrica de bovinos

Estudos indicam pegada hídrica de bovinos em confinamento no Brasil

O aumento da produtividade agrícola tem impactos positivos na pegada hídrica de bovinos em sistema de confinamento.

Foi o que mostrou pesquisa no Estado de São Paulo coordenada pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP) que utilizou informações climáticas e produtivas de 17 fazendas de animais da raça Nelore.

O objetivo foi determinar a pegada hídrica de bovinos em confinamento e avaliar como o manejo nutricional impacta os valores da pegada.

Pegada hídrica é a quantidade total de água, direta e indiretamente, usada para produção de um produto. O quanto desse recurso é necessário até o produto chegar ao consumidor é um cálculo complexo. Mas conhecer o valor da pegada contribui para melhorar a gestão da água.

O valor da pegada hídrica de bovinos em confinamento depende de vários fatores, como local do sistema de produção, tipo de animal, composição e origem dos alimentos fornecidos e formas de uso da água: para consumo animal, irrigação, resfriamento e lavagem.

Em média, o aumento da produtividade significou uma redução de 19,4% no valor da pegada hídrica de bovinos em confinamento.

Por outro lado, a menor quantidade de toneladas de grãos por hectare resultou em um aumento médio de 26,4% do valor da pegada.

Se os grãos utilizados pelas 17 fazendas tivessem aumento de 25% na produtividade agrícola, resultaria numa redução de 20% da superfície agrícola necessária. Por sua vez, uma redução de 25% na produtividade resultaria em 33% mais área à produção de ração.

Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor e exportador de carne do mundo, ainda é pequena a produção em confinamento.

O Farmnews apresenta dados que mostram onde estão os maiores rebanhos e quem são os maiores países produtores de carne bovina do mundo (clique aqui).

O cálculo da pegada amplia o entendimento dos fluxos hídricos de um produto ou cadeia produtiva, possibilitando a identificação de pontos críticos no uso da água e ações para reduzir impactos negativos.

Para o cálculo, foi considerada a somatória da pegada azul  − água usada na dessedentação, no processamento dos alimentos da ração e embutida no produto − e da pegada verde, com base nos dados locais de cada fazenda, que registram a precipitação diária, produtividade da cultura vegetal e sua evapotranspiração.

A pegada hídrica de bovinos apresentou média de 5.718 litros por quilo de carne, e uma grande variação, de 1.935 a 9.673 litros/kg. A pegada azul representou 15% desse valor, e a verde, 85%.

“Esses valores não devem ser comparados com a média global para produção de um quilo de carne, que é de 15,4 mil litros de água. Ela foi calculada para semiconfinamento e considerou toda a cadeia produtiva, desde a produção de insumos até a oferta do produto ao consumidor”, destaca Palhares.

As maiores eficiências no uso da água foram observadas nas fazendas que utilizaram alimentos com elevada produtividade agrícola, da ordem de toneladas por hectare (t/ha).

Os menores valores, 1.935 e 3.871 litros por quilo de carne, estão relacionados a percentagens elevadas de volumoso (cana picada, bagaço de cana ou silagem de milho) nas dietas.

Os cálculos foram feitos considerando-se somente os usos diretos e indiretos da água na fazenda: fase de cultivo das culturas vegetais, manejo nutricional e a água consumida pelos animais e a contida nos produtos.

A produtividade agrícola dos alimentos desempenha papel fundamental, isto é, maior produtividade resultará em menor pegada hídrica. Isso demonstra que a eficiência hídrica de uma proteína animal é dependente da eficiência hídrica na agricultura, pois todos os aspectos produtivos estão interligados.

Independentemente do fato de o pecuarista produzir ou não a alimentação do gado em sua propriedade, o desempenho hídrico dos insumos produtivos deve ser considerado no cálculo da pegada hídrica.

Adaptado de Gisele Rosso

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