Bilara

O caso Bilara e o que isso tem a ver com a pecuária?

Quando vemos notícias associando a lavagem de dinheiro e o mercado de leilões de animais elite, é importante que principalmente os menos familiarizados com a pecuária entendam um pouco melhor sobre o assunto.

Fazemos isso porque a pecuária de corte e os pecuaristas em geral não podem ficar a mercê de julgamentos e possíveis questionamentos que coloquem em cheque uma atividade tão importante para o país.

Aliás, para quem tem dúvidas da importância do agronegócio para o país, clique aqui e saiba mais sobre o assunto.

O ano de 2017 já tem sido um ano repleto de dificuldades para o pecuarista, isso sem falar da queda nos preços que assola o setor (clique aqui). Além de um momento desfavorável de preços, o pecuarista já teve de lidar com Operação Carne Fraca (clique aqui), acordo de delação da JBS-Friboi (clique aqui), a suspenção da importação de carne bovina pelos Estados Unidos (clique aqui).

E agora aparece o tal caso da lavagem de dinheiro envolvendo a Agropecuária Bilara fruto de um processo de delação premiada. Enfim, não vamos entrar no caso político. Isso fica para os demais veículos de comunicação.

Mas vamos voltar ao caso da lavagem de dinheiro que envolve a compra e venda de animais a preços milionários.

Primeiro, esse mercado de animais negociados a preços milionários não corresponde a realidade do mercado de pecuária, como o exposto no caso da Agropecuária Bilara. Entenda:

Falamos aqui do mercado pecuário que produz carne bovina ou mesmo leite – gado real, com fazendas reais e produtores rurais que vivem realmente da pecuária – estes são a maioria absoluta, gente séria e honesta.

O fato é que não existe mercado que remunere um pecuarista a partir da compra de um animal a preços milionários e esse caso deve ser considerado um caso a parte e isso não faz parte da realidade da pecuária – tem muito mais semelhança com a venda de obras de arte ou de joiás raras.

Pecuarista produz boi, que vira carne e alguns poucos criadores (selecionadores sérios) produzem animais de uma qualidade genética superior e que serão usados como reprodutores, ou seja, os futuros pais dos animais produzidos nas fazendas comerciais.

Pois é, mas mesmo esses animais considerados como reprodutores não podem ser negociados a preços exorbitantes. Vamos considerar esse mercado como um mercado à parte, onde o interesse dos envolvidos nada tem a ver com a pecuária.

O objetivo principal da seleção do rebanho é aumentar o lucro da atividade. Esse é o objetivo de seleção!

Fundamentalmente é isso, já que o empresário do campo não vai investir tempo nem dinheiro se não espera maior lucro como resultado.

E como fazer isso comprando um animal a preços milionários? Alguns podem dizer que podem fazer outros milhões vendendo a progênie de vacas campeãs em outros leilões, mas esta é uma atividade para poucos – uma grande troca de favores – e este mercado de genética elite milionária quase nunca deixa descendentes nas milhares de fazendas produtoras de carne.

Clique aqui e veja o artigo que fala dos objetivos da pecuária e como os programas de melhoramento genético podem contribuir para esse fim. E isso, definitivamente, não passa por um mercado de preços fora da realidade do campo.

E respondendo a pergunta do início deste artigo: o que o caso Bilara tem a ver com a pecuária? Nada, absolutamente nada.

Nenhuma vaca famosa ou outro animal negociado em um mercado milionário paralelo a realidade da pecuária tem a ver com a pecuária nacional!

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