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Carne Fraca é chance de tornar nossa Carne ainda mais Forte

O Farmnews destaca matéria do IEA – Instituto de Economia Agrícola sobre as consequências da Operação Carne Fraca para o mercado de carnes nacional.

O estardalhaço feito pela Polícia Federal através da Carne Fraca teve como maior vítima o interesse nacional.

Um pouco de bom senso não teria levado a Polícia Federal a expor o país a tamanha vulnerabilidade num momento tão importante para a economia do país e para os setores envolvidos.

É claro que o consumidor brasileiro deve ter ciência sobre o que está comendo e apurações rigorosas devem ser feitas, assim como punir os responsáveis.

Mas a reestruturação do sistema de fiscalização se faz necessária e o Sistema de Inspeção Federal (SIF) precisa ser fortalecido para que o país não tenha novos reveses.

De qualquer forma, antes de divulgar espetacularmente o fato, o MAPA deveria ser informado para averiguar, coibir as falhas na fiscalização e obter laudos conclusivos de veterinários que entendem da qualidade sanitária da carne, além de deixar claro que os problemas são localizados, para que o consumidor não se assustasse.

O resultado imediato foi a retração das compras externas e um consumidor interno amedrontado em relação ao que está pondo no seu prato e deixou de consumir carne.

O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne de frango e de carne bovina e 4º exportador de carne suína, mercados importantes para o país e conquistados com trabalho destas áreas.

Quem trabalha com carnes sabe muito bem que há uma preocupação mundial com a sanidade de alimentos que vai além das preocupações com saúde do consumidor e tem relação direta com aspectos maiores de concorrência (barreiras fiscais, legais e sanitárias).

O país está à beira de declarar o país livre da aftosa. Em 2018 a vacinação será suspensa e até 2020 deve-se declarar o país livre de aftosa. Isso abriu mercados importantes e fortaleceu a competitividade da carne bovina.

Após duas semanas do estardalhaço da Operação Carne Fraca, a situação da bovinocultura de corte brasileira não se normalizou por completo. A produção que não foi escoada ficou estocada e agora as empresas estão tentando regularizar as entregas.

Países importantes, como China, Hong Kong, Egito e Chile, voltaram atrás e decidiram bloquear os 21 frigoríficos envolvidos, o que é promissor. A Rússia resolveu suspender a compra de apenas duas unidades.

União Europeia e Estados Unidos estão firmes na decisão de controle físico de 100% e no caso da UE, deve-se ainda ter a checagem microbiológica de 20% da carne bovina exportada do Brasil, medidas apenas técnicas que impactam menos as exportações.

No entanto, a União Europeia continuará em conversa com o MAPA para obter as respostas a todas as questões técnicas da Comissão Europeia e não descarta medidas adicionais de controle sanitário.

Entretanto, além das vendas externas, o consumo interno também foi afetado pela desconfiança do consumidor o que resultou em impacto nas vendas dos produtos.

Internamente as compras caíram e os consumidores estão receosos. Isso já afetou os preços e o volume de abate.

Todo esse movimento com a Carne Fraca acarretou dificuldades ao setor. Esses fatos preocupam, pois podem levar ao desemprego muitos trabalhadores.

Umas das consequências dessa crise e um fato extremamente positivo, aguardado há muito pelo setor de produção animal, é que finalmente foi assinado o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produto de Origem Animal (RIISPOA).

O regulamento é de 1952 e aguarda atualização há cerca de 20 anos. Sua nova versão simplifica processos de fiscalização e inspeção de frigoríficos, laticínios, granjas de ovos, fábricas de mel e pescado.

Na área de fiscalização, o regulamento criou penalidades maiores e introduziu o conceito de risco sanitário, o que, segundo o ministro Blairo Maggi do MAPA, tira dos fiscais a interpretação da norma.

No entanto, é pertinente lembrar que o Brasil tem que se conscientizar que os mercados estão cada vez mais preocupados com as questões sanitárias e que de agora em diante não haverá como permitir falhas como esta no controle da qualidade dos produtos exportados.

Cada vez mais o cerco se fecha e o país deve estar atento que sua posição de maior exportador mundial precisa ser consolidada com seriedade, pois problemas políticos internos têm afetado a imagem do Brasil.

Fonte: Adaptado de IEA

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