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Prof. Augusto, da Unesp, fala dos desafios do ensino e pesquisa!

O Farmnews entrevista o Prof. Augusto, da Unesp de Botucatu e coordenador do CIGNA – Centro de Inovação em Genética e Nutrição Animal.

Confira o papel da Universidade, especialmente da Unesp de Botucatu, no agronegócio!

O agronegócio tem recebido uma importância de destaque na mídia nos últimos anos. E não é para menos, já que o agronegócio confere bons e crescentes números para a balança comercial, geração do emprego e renda no país.

Pouco a pouco o país passa a entender cada vez mais o valor do agronegócio, não apenas na economia, mas no nosso dia a dia, afinal somos dependentes do trabalho do campo.

Farmnews: Diante desse cenário, na universidade há algum reflexo no aumento na procura dos cursos voltados a o ramo das agrárias, como zootecnia, veterinária e agronomia?

Prof. Augusto: Sim, a Unesp tem buscado oferecer todo apoio necessário para fornecer o conhecimento teórico sobre o agronegócio, e um retorno tem sido dado pelos alunos em relação ao número de inscritos nos cursos abrangendo a área de agrárias oferecidos pela Universidade.

Apresentação de teorias e práticas voltadas à tecnologia no agronegócio tem sido abordado nas aulas, garantindo que a geração de alunos que está entrando na Unesp possa divulgar esse conhecimento em suas redes sociais, por exemplo.

A percepção dos professores e alunos que existe a necessidade de produção de alimentos para uma população mundial estimada em 10 bilhões em 2050, em conjunto com a área para uso agropecuário no Brasil ainda disponível de aproximadamente 110 milhões de hectares, faz com que os agentes, formandos nos cursos voltados para as agrárias, sejam os responsáveis na difusão das tecnologias aos agricultores e pecuaristas do Brasil, como forma de aumento da produção e suprimento da demanda existente por produtos por parte da população mundial.

Farmnews: Porque os alunos tem buscado cursos ligados ao agronegócio ou o que os tem motivado a buscar cursos voltados ao agronegócio?

Prof. Augusto: As pessoas têm se preocupado cada vez mais com o meio ambiente, com a alimentação e bem estar dos animais na cadeia produtiva. É preciso que haja profissionais capacitados a melhorar e dar continuidade na cadeia, pois é fundamental para o giro econômico do país. Então, a preocupação em atender as exigências deste mercado preocupado com a alimentação tem sido notada pelos alunos, que buscam compreender mais o gerenciamento da produção dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

Outro ponto, é a representatividade da atividade agropecuária no Brasil em relação ao PIB, que representa cerca de um terço do total da riqueza produzida pelo país, onde existe carência de formandos especializados, e da grande demanda por pessoas. Não existe uma máquina, um sistema que possa gerenciar plantas, animais e mão de obra despreparada existente, além de toda a cadeia indireta, de técnicos e pesquisadores. Estes fatores atraem os alunos, a possibilidade de emprego é grande. A nossa instituição tem porcentagem de empregabilidade alta para os formandos do curso de zootecnia, isto atrai também os novos alunos.

Como estamos acostumados a ouvir, o Brasil é considerado o principal país com potencial para aumento de produção, principalmente dos ganhos a serem obtidos via aumento de produtividade no campo. Isso requer profissionais cada vez mais atentos ao desenvolvimento e uso tecnologia.

Farmnews: Vemos importantes trabalhos de pesquisa e engajamento dos alunos com as atividades extra-curiculares. Como você enxerga e o que pode nos falar a esse respeito?

Prof. Augusto: As atividades extra-curriculares são importantes para os alunos conhecerem de maneira prática os desafios de sua profissão, dando base para a escolha do caminho que realmente julguem de sua maior competência. Os conhecimentos teóricos são oferecidos nas salas de aulas, e as atividades extra-curriculares possibilitam a aplicação destes conhecimentos, assim como, vivenciar as dificuldades do trabalho no campo de forma que possam aprendam como resolver. Este processo é um ambiente experimental de integração do conhecimento com as responsabilidades que surgirão quando for empregado.

Farmnews: Entendemos que o treinamento dos profissionais acontece dentro e fora de aula, com um engajamento cada vez maior das atividades de pesquisa e extensão. Quais cita ou julga relevantes comentar em sua área de pesquisa? E qual atividade coordena e poderia nos falar um pouco dela?

Prof. Augusto: O Centro de Inovação em Genética e Nutrição Animal (CIGNA) é um grupo formado em 2016, constituído por professores da FMVZ, pesquisadores do Instituto de Zootecnia e alunos de pós-graduação e graduação com a finalidade de gerar informações e disponibilizar tecnologias para colaborar na formação acadêmica, mas principalmente para ser ferramenta de aproximação entre o produtor, alunos, pesquisa e a Unesp. Essa troca de informações é importante para que os desenvolvimentos estratégicos e tecnológicos saiam da teoria para a pratica, visando a interdisciplinaridade, integração entre instituições e pesquisas geradas no grupo.

Foram desenvolvidos dois testes de eficiência alimentar, um com animais Nelore e um com animais da raça Brahman, com o objetivo de gerar informação sobre a característica consumo alimentar residual (CAR) e disponibilizar aos criadores mais uma fermenta que pode ser utilizada como critério de seleção dos touros para uso na formação da próxima geração de produtos. Atualmente, estamos com animais da raça Bonsmara e novo grupo de animais Nelore iniciam o teste em julho/2017.

A iteração do CIGNA, criadores e alunos dos diferentes cursos é animador, ver todos envolvidos, discutir resultados e sub-projetos que podem e são gerados com o desenvolvimento dos testes é algo importantíssimo e, uma semente do que a Unesp pode fazer na inserção com a sociedade.

Farmnews: O que tem alcançado com seus projetos de pesquisa, tanto em termos acadêmicos como em resultados de pesquisa?

Prof. Augusto: Os projetos de pesquisa têm mostrado o interesse dos alunos por inovações na área acadêmica a fim de garantir aos produtores melhores resultados e desempenhos nas produções. Isto inclui o uso de tecnologia e maneiras eficientes de manejo, podendo ser aplicadas por técnicos e produtores.

Atualmente, o nosso grupo trabalha em três linhas, os testes de eficiência alimentar em bovinos de corte, com a integração com produtores e programas de melhoramento genético; projeto na área de genômica com animais da raça Gir, trabalhando com dados de rebanhos do Brasil e Colômbia e temos uma criação de perdizes, ave silvestre brasileira, que está em formação, onde atuamos na conservação, aplicando técnicas de bem estar, nutrição, inseminação artificial e genômica. Todas esta pesquisas tem envolvimento de alunos, e temos defendidas dissertações de mestrado e em andamento outras defesas de pós-graduação, além de iniciações cientificas.

Os resultados geram pesquisas e publicações científicas e técnicas, que geram informações, que promovem a nossa Instituição, nossa área de atuação e tecnologias para aumento da produção, com foco na disponibilização da informação aos técnicos e criadores.

Farmnews: O que espera do profissional de agrárias? O que acha que os jovens estudantes deveriam focar e se preparar melhor para o futuro? Alguma demanda ou exigência do mercado em especial?

Prof. Augusto: Focar em gestão e administração, além de encarar com responsabilidade a sustentabilidade e o bem-estar dos animais, uma vez que o mercado e os consumidores estão exigindo cada vez mais produtos de qualidade e segurança, beneficiando todos os participantes da cadeia de produção, principalmente quando se refere aos animais e ao uso de agrotóxicos. O uso consciente da tecnologia e do melhoramento genético aumentam a produtividade e geração de alimentos de maneira eficaz e precoce, sem interferir no bem-estar dos animais.

A gestão dos sistemas agropecuários mudou muito, os filhos dos atuais produtores, tem mais ferramentas para aplicação na administração dos empreendimentos, visando o custo das novas tecnologias e o retorno econômico, a continuação dos sistemas precisa e está sendo reformulado, os criadores estão tornando os sistemas em empresas produtoras, profissionalizando a gestão, pensando nos herdeiros que seguiram os passos, enfim deixando a casa em ordem. Neste momento, existe a oferta de emprego para os profissionais da área de agrarias que focaram na gestão e administração.

Josineudson Augusto II é veterinário, doutor em melhoramento animal e prof. do Departamento de Melhoramento e Nutrição animal da Unesp de Botucatu e, além de suas atividades como docente, tem desenvolvido trabalho de pesquisa e extensão junto com seus alunos no sentido de gerar informações da pecuária de corte.

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