Fonte: Dados adaptados do IBGE

Taxa de abate de vacas: Ciclo pecuário

Em que fase estamos do ciclo pecuário de longo prazo?

O ciclo pecuário de longo prazo passa fundamentalmente pelas discussões de crescimento do rebanho, disponibilidade de oferta de animais ao longo dos anos e, por consequência, pela taxa de abate de vacas.

O objetivo é apresentar o comportamento de abate de fêmeas nos últimos anos, que funciona como um indicador importante de oferta futura de bezerros e com consequente impacto no crescimento de rebanho.

O ciclo pecuário de longo prazo é justamente isso, a disponibilidade de oferta futura de animais motivada por variáveis que podem estimular ou desestimular os criadores e investirem na atividade. No Farmnews de hoje vamos falar um pouco da taxa de abate de fêmeas nos últimos anos, que é o fator crítico da análise de ciclo pecuário.

A primeira Figura abaixo mostra que a taxa de abate de vacas anualmente sobre o total de abatido no país desde 1997, segundo números do IBGE.

 

Gráfico evolutivo anual da taxa de abate de vacas no Brasil entre 1997 e 2015

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

A Figura acima apresenta o ritmo de abate de fêmeas no Brasil em quase 20 anos de história. O interessante é avaliar que desde desde 2003 a taxa de abate de vacas está acima de 30% ao ano, enquanto nos anos anteriores esteve oscilando entre 22% a 29%.

Por que a taxa de abate de vacas atingiu outro patamar a partir de 2003, estabilizando acima de  30%?

Uma das explicações pode ser creditada ao fato do ajuste de produtividade da atividade de cria, tradicionalmente considerada a menos adiantada em termos de adoção de tecnologia comparado as atividades de engorda.  Esse ajuste de produtividade pode ser creditada a decisão de descartar com mais rigor as matrizes vazias, visando aumentar a qualidade dos planteis de reprodutoras.

A incorporação de tecnologia na cria, com maior critério de descarte das matrizes pode ser uma explicação importante, que refletirá no maior índice de nascimento mesmo com um rebanho de vacas menor. Em outras palavras, os criadores começaram a adotar maior tecnologia, o que aumentou a taxa de descarte dos seus plantéis. Pode ser um dos motivos.

Observando novamente a primeira Figura vemos que a taxa de abate de vacas atingiu o pico de alta em 2006 quando esteve acima de 37% e caiu consecutivamente até 2010, quando alcançou 30%.

O importante é avaliar que em 2015 o ritmo caiu em relação aos anos anteriores, estando inclusive abaixo da média desta série (31%) e próximo do nível de 2010, o segundo menor desde 2003. O fato do ritmo de abate de vacas cair implica na maior retenção de fêmeas e, consequentemente, uma expectativa de crescimento de rebanho nos próximos anos devido ao estímulo a atividade de cria.

A segunda Figura ilustra o comportamento mensal do abate de vacas desde 1997, no objetivo de apresentar com mais detalhes a tendência de queda no ritmo de abate de fêmeas.

Veja pelos dados abaixo que no final de 2015 a taxa de abate de vacas atingiu o menor ritmo mensal em mais de 10 anos.

 

Gráfico evolutivo mensal da taxa de abate de vacas no brasil

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

A análise mensal do ritmo de abate de vacas destaca a queda nos abates de fêmeas em relação total abatido, mostrando a menor intenção de descarte das matrizes nos últimos anos.

A última Figura apresenta o comportamento do abate de vacas dentro dos anos desde 2010 no objetivo de mostrar que em 2015 há uma menor intenção de descarte e abate de matrizes comparado aos anos anteriores.

A Figura também ilustra o comportamento de abate de fêmeas dentro do ano, mostrando um maior ritmo de abate de fêmeas nos primeiros semestres e menor no segundo, respeitando o período de estação de monta e descarte na maioria das praças pecuárias do Brasil.

 

Gráfico evolutivo da taxa de abate de vacas no brasil (em relação ao total abatido) entre 2010 a 2015

Fonte: Dados adaptados do IBGE

 

O fato da taxa de abate de vacas estar menor em 2015 sugere uma expectativa de maior oferta de animais nos próximos anos, o que não implica que os preços dos animais de reposição necessariamente devam cair nos próximos anos. De forma alguma queremos induzir nossos leitores a isso.

Há uma série de fatores de interferem nos preços do mercado pecuário e o que podemos afirmar é que os atuais patamares de preços do bezerro estimulam a cria e reduzem as intenções de abate de fêmeas. A questão da demanda, interna e externa, é que vai dizer se o possível crescimento de rebanho possa estar em linha com as necessidades do mercado.

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Zootecnista, editor do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!