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Desglobalização? Impactos no agronegócio do Brasil

São fortes os indícios de que o ano de 2017 pode se tornar um marco de grandes mudanças na ordem político-econômica mundial. Em sintonia com as recentes discussões e acontecimentos ao redor do mundo, vamos falar de desglobalização e seus possíveis desdobramentos para o agronegócio nacional.

A aprovação do Brexit, combinada com mudanças na orientação política dos Estados Unidos, deve desencadear ações rumo à desglobalização.

Esse cenário preocupa, pois a desglobalização traz o risco da desaceleração do crescimento para o longo-prazo, aumento nas diferenças entre países ricos e pobres, maior protecionismo, menor cooperação e aumento do risco de conflitos internacionais.

Rupturas devem também atrasar a negociação de mega-acordos regionais de liberalização comercial, como a Parceria TransPacífico (TPP).  O Farmnews discutiu as questões relacionados a desglobalização. Clique aqui para ler o artigo!

Na primeira semana de seu governo, Trump retirou os Estados Unidos do TTP. A China torna-se forte candidata a preencher o vácuo deixado. Acordos regionais tanto geram comércio entre os participantes como podem provocar o desvio de comércio entre países não participantes, como o Brasil.

Neste caso, o comércio entre Brasil e Ásia em mercados de produtos primários – especificamente em setores de grãos, leite, carne e açúcar – pode ser reduzido, beneficiando seus competidores como Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio ilustram que muitos dos países envolvidos no TPP são importantes players em mercados de relevância para as exportações brasileiras. Sem dúvida, portanto, desvios de comércio resultariam em efeitos negativos para o Brasil.

Por inexplicável falta de iniciativa, o Brasil mantém-se à margem do processo de consolidação de acordos regionais, adotados como alternativa para alavancar uma maior integração ao comércio global.

A verdade é que o país está ficando cada vez mais isolado, apostando exclusivamente nas exportações de produtos básicos para atender, sobretudo, à demanda externa de países como a China.

Enquanto os principais países no cenário de comércio mundial agregam mega-acordos regionais aos mais de 400 acordos de liberalização comercial regionais notificados à Organização Mundial do Comércio, o Brasil mantém-se à margem deste processo.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o país encontra-se muito aquém de outros países da América do Sul, como o Chile, Colômbia e o Peru, enquanto o Brasil não tem mostrado qualquer ação efetiva neste sentido.

Tem sido comum atribuir a baixa participação brasileira em acordos de livre comércio à sua vinculação ao Mercosul.

No entanto, é fácil contestar este argumento. Em acordos que não dependem do Mercosul, enfocando acordos de investimento, exigências sanitárias e o setor de serviços, o Brasil tem apresentado uma evolução bastante tímida, fechando acordos apenas com alguns poucos países da África.

Outra explicação para a aparente incapacidade de avançar nos acordos regionais ou bilaterais tem sido a resistência apresentada por setores industriais brasileiros pouco competitivos.

Como o maior potencial exportador brasileiro concentra-se em commodities agropecuárias, mercados atrativos teriam pouco interesse em estabelecer acordos de livre comércio com o Brasil, envolvendo apenas produtos agrícolas.

Para fazer frente à experiência acumulada por esses países que têm seu modelo de desenvolvimento econômico fundamentado na abertura ao exterior, será necessário investir na capacidade de negociar. Um primeiro passo parece ser a promoção de sintonia entre os interesses da agricultura e indústria.

O texto foi adaptado do artigo de Heloise Lee Burnquist, do Cepea/Esalq.

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Zootecnista, editor do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!