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Pesquisa revela riscos da alimentação animal em sistemas intensivos

Estudos indicam que a quantidade de concentrado na alimentação animal tem aumentado desde 2009.

Isso significa o uso de maior quantidade de carboidrato na alimentação animal que podem estimular problemas como a acidose.

A acidose tem grande importância na pecuária, uma vez que atinge principalmente animais mantidos em sistema intensivo. E a taxa de mortalidade da acidose é alta mesmo nos casos tratados.

Em estudo realizado por Danilo Domingues Millen e Cassiele Aparecida de Oliveira na Unesp, em Dracena, a acidose apareceu como o segundo maior problema de saúde reportado por nutricionistas de gado confinado, com 37,5%, atrás apenas de problemas respiratórios, com 40,4%, e bem à frente da cisticercose, com 9,4%.

A maior parte da energia que o ruminante usa para produzir leite ou ganhar peso é oriunda dos ácidos produzidos no rúmen. Então, é preciso formar ácido, que é absorvido pela parede do rúmen, vai para o fígado e é usado pelo animal como energia, disse Millen.

O problema, explica o pesquisador, é quando há excesso de fermentação. “Quando a taxa de produção de ácidos é muito mais alta do que a de absorção, de retirada do rúmen, ocorre o distúrbio chamado de timpanismo, decorrente da acidose, e o animal incha pelo acúmulo anormal de gases no estômago. O rúmen aumenta de tamanho e o animal fica com dificuldade de respirar, podendo morrer”, disse.

Uma alternativa para diminuir o problema é o uso de aditivos na alimentação animal e que levem a menor produção de ácidos que possam causar problemas.

“Em nosso grupo, temos pesquisado aditivos, que são microingredientes fornecidos aos animais em doses de 1 ou 2 gramas por dia. Eles exercem papel benéfico no rúmen, na fermentação.

Dentre os ácidos produzidos no rúmen há ácidos fracos e fortes. Os ácidos fracos são mais benéficos para o animal ganhar peso e produzir leite. Ou seja, são aqueles que têm menor capacidade de fazer o pH cair. Entre os ácidos fortes há o conhecido ácido láctico, que o animal tem menos capacidade de absorver”, disse Millen.

“Usamos aditivos, como os ionóforos [moléculas solúveis em lipídios], que matam parte das bactérias que levam à produção do ácido láctico. Com esses aditivos, podemos controlar a produção de ácido láctico e é muito menos provável que o animal tenha acidose e timpanismo”, disse. Hoje, a maioria dos criadores de gado confinado no Brasil usa ionóforos na alimentação.

Os pesquisadores do grupo de Millen encontraram evidências de que o gado Nelore pode ser mais sensível à acidose do que outras raças.

Outro foco do grupo está em estudos de adaptação. Os pesquisadores investigaram, por exemplo, qual seria o tempo mínimo ideal de transição, com relação à alimentação dos animais do pasto para o confinamento.

“Quatorze dias é a janela mínima que observamos para retirar o animal do pasto e fazê-lo comer cerca de 80% ou 85% de concentrado. É o intervalo para transicionar o animal, mudar sua dieta gradualmente de modo a tentar evitar problemas digestivos, como a acidose”, disse Millen.

O Farmnews apresenta o estudo do ICBC que destaca para o custo da diária de bovinos confinados em agosto de 2017! Clique aqui e saiba mais!

Adaptado de Heitor Shimizu, Agência FAPESP

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