critério para descarte de matrizes

Qual o melhor critério para descarte de matrizes?

Pesquisadora da Embrapa debate o tema relacionado ao melhor critério para descarte de matrizes.

Uma vaca saindo vazia da estação de monta pode parecer um problema pequeno. Mas e se forem 30 ou 40% das vacas saindo vazias da estação de monta (EM)? Isso quer dizer que 30 a 40% das matrizes consumiram a pastagem, o sal mineral e a água e não produziram bezerro! E agora, ainda parece um problema pequeno?

Um começo para resolver o problema é identificar os animais mais e menos produtivos e, aos poucos, selecionar os melhores, descartando os piores. Parece simples, e realmente é. Só é necessário estabelecer parâmetros de avaliação e critérios para seleção e descarte de matrizes. O resultado disso será positivo e, o melhor, sem quase aumento de custo.  

O melhor critério para descarte de matrizes começa por conhecer o rebanho do ponto de vista zootécnico, ou seja, saber o número de animais em reprodução, intervalo entre partos (IEP), taxas de prenhez, natalidade e desmama, pesos ao nascimento e desmama etc.

É essencial acompanhar os animais ao longo do ano, saber a condição corporal e nutricional dos mesmos, verificar as variações de peso nas águas e secas para identificar deficiências que precisam ser minimizadas e/ou corrigidas. Tanto matrizes quanto reprodutores em más condições nutricionais e perdendo peso terão, certamente, o desempenho reprodutivo prejudicado.

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Para as matrizes há manejos de rotina a serem feitos e que servem como pontos de controle, especialmente da condição corporal, como diagnóstico de gestação, desmama, parto e início da estação de monta. Quanto antes as deficiências forem identificadas, mais cedo são passíveis de correção.

O mais importante é estabelecer o critério para descarte de matrizes! E o principal critério para descarte de matrizes utilizado nas propriedades rurais de gado de corte é a falha reprodutiva, vaca saindo vazia da estação de monta.

Para isso, basta o diagnóstico de gestação (DG). Em geral, após 30 dias do final da estação de monta (ou saída dos touros) já é possível fazer o DG. O procedimento é essencial para verificar a taxa de prenhez. Além disso, durante o DG, o médico-veterinário realizará o exame ginecológico nas matrizes não prenhes, verificando se há alteração no trato reprodutivo desses animais. Com os diagnósticos em mãos, é simples escolher as vacas vazias que deverão deixar o rebanho. Caso existam matrizes não prenhes, mas com bezerros ao pé, oriundos da estação anterior, elas permanecem no rebanho até a desmama de seus bezerros.

Entretanto, o critério para descarte de matrizes vazias não precisa ser aplicado a todas as categorias da mesma forma. Por exemplo, as novilhas que entraram na EM ciclando são animais de boa fertilidade, sem bezerros ao pé e, portanto, com todas as chances de emprenhar. Novilha que não emprenha deve ser descartada sem uma segunda chance. As vacas multíparas, com bezerros ao pé, podem merecer uma chance, caso seja a primeira falha reprodutiva delas. Já as chamadas “vacas solteiras” (vacas que falharam na EM anterior e não estão com bezerro ao pé) não devem receber outra chance, pois passaram um ano sem produzir bezerro.

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Uma maior atenção às primíparas, vacas que tiveram seu primeiro parto, e agora precisam terminar de crescer para atingir seu peso adulto, entrar em lactação para seu primeiro bezerro e, ainda, retomar a ciclidade, além de manter suas funções fisiológicas normais. Sim, é a categoria mais exigente nutricionalmente e, portanto, é a que merece atenção nutricional e a chance de permanecer no rebanho caso não emprenhe. Logicamente, na EM seguinte, esses animais estarão sem bezerros ao pé e devem emprenhar. Caso contrário, entram na classificação de “vaca solteira” e serão descartadas caso não emprenhem.

Se as vacas terão uma ou duas chances é uma decisão de manejo, baseada nas condições de cada propriedade. É preciso saber se a propriedade está preocupada em expandir, diminuir ou manter o tamanho do rebanho de matrizes e se tem condições de pastagem e/ou suplementação para o quantidade de matrizes que pretende ter. 

Contudo, um critério deve sempre ser observado: a reposição de matrizes deve ficar em torno de 20 a 30%, nunca ultrapassar esse limite. O excesso de novilhas de um ano torna-se excesso de primíparas no ano seguinte; e um aumento de bezerros do primeiro ano será sentido na diminuição de bezerros no ano seguinte. 

Se a condição corporal foi acompanhada (e corrigida, caso necessário), se os touros foram avaliados antes da estação de monta (por exame andrológico), sendo apenas animais aptos à reprodução utilizados, se novilhas entraram na estação de monta em boas condições reprodutivas (já púberes e ciclando), se o número de primíparas do rebanho é conhecido e se existe histórico reprodutivo das matrizes (sabendo quais tiveram falhas reprodutivas), o produtor tem as mãos todas as ferramentas para selecionar as fêmeas que ficarão ou não no rebanho para a próxima estação de monta.

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Adaptado de Alessandra Nicácio, da Embrapa

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