A tarifa de importação de carne bovina pela China deve incidir sobre um total em torno de 600 mil toneladas, o que representaria algo perto de US$2,90 bilhões em para o Brasil apenas em 2026.
De acordo com a decisão, em 2026, o Brasil poderá exportar para a China, sem a cobrança de tarifa adicional de 55,0%, 1,106 milhão de toneladas em carne bovina. Em 2027 e 2028 esse valor subiria um pouco, para 1,128 e 1,154 milhão de toneladas respectivamente, mas ainda muito longe do que o país asiático importou do Brasil em 2024 e 2025, por exemplo.
No ano de 2025, até novembro, o Brasil exportou 1,49 milhão de toneladas métricas de carne bovina para a China (primeira Figura). Em dezembro de 2024 a exportação somou 113,94 mil toneladas métricas. Com o crescimento das vendas em 2025, a expectativa é que as vendas para o país asiático, em 2025, alcancem algo entre 1,65 e 1,75 milhão de toneladas métricas, ou seja, perto de 50,0% acima da cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas para 2026.
Em 2025, até novembro, a média mensal de embarque de carne bovina do Brasil para a China foi de 138,26 mil toneladas. Considerando esses valores médios para 2026, a expectativa é que a partir de agosto ou setembro a tarifa adicional de exportação seja aplicada para o Brasil. Não podemos esquecer que a demanda por carne bovina do Brasil é maior na segunda metade do ano e isso acontece também para o mercado chinês.
Nesse meio tempo, ou seja, até agosto ou setembro, muita coisa pode e deve acontecer, especialmente por parte do governo brasileiro em negociar, seja o valor da tarifa como a cota aplicada ao Brasil. Para outros países exportadores para a China, como a Argentina, foi aplicada cota acima do que o país vinha exportando e para o Brasil, abaixo. Isso mostra que existe margem para negociação.
A Figura apresenta os dados acumulados, até novembro, de exportação de carne bovina in natura do Brasil para a China, em mil toneladas, entre 2015 e 2025, segundo dados da COMEX.

A tarifa de importação de carne bovina pela China deve incidir sobre um total em torno de 600 mil toneladas, o que representaria algo perto de US$2,90 bilhões considerando o preço médio de 2025, até novembro de US$4,78 por kg. No entanto, esse impacto deve acontecer apenas a partir da segunda metade de 2026.
Como sabemos, a China é, de longe, o principal importador de carne bovina do Brasil e em 2025, até novembro, comprou 53,8% de toda a carne exportada pelo País. Vale destacar que a participação chinesa, apesar do recorde de compra, em 2025, diminuiu frente aos patamares recordes, de 2022 e 2023 (segunda Figura). Isso mostra que o crescimento das vendas para outros países foi maior que o aumento das vendas para a China.
A Figura apresenta a participação chinesa na exportação de total de carne bovina in natura do Brasil, até novembro, entre 2015 e 2025, segundo dados da COMEX.

Temos discutido muito essa questão, sobre o fato de a carne bovina brasileira estar cada vez mais disputada no mercado internacional. E a tarifa de importação de carne bovina ao Brasil deve acelerar esse processo de aumento de demanda de países como os EUA (clique aqui), Rússia (clique aqui), Indonésia (clique aqui), dos países da UE (clique aqui) entre outros.
Mas voltando a China, é importante destacar que existe uma demanda por importação de quase 4,00 milhões de toneladas em equivalente carcaça (terceira Figura). A produção chinesa cresce de modo lento, em torno de 2,1% ao ano. Entre 2020 e 2026 a expectativa é que a produção de carne bovina no país asiático acumule crescimento de 12,5%. No mesmo intervalo de tempo a demanda cresceu 19,0%.
A Figura apresenta os dados da evolução anual da produção e o consumo de carne bovina na China entre 2017 e a expectativa para 2026, segundo dados do USDA, em milhões de toneladas em equivalente carcaça.

A tarifa de importação de carne bovina pela China tende a gerar uma maior inflação no país e as chances de que a medida possa ser revista ou ajustada, na nossa opinião, também aumenta.
O Brasi está se acostumando com a maior tendência de medidas protecionistas. Em uma situação diferente e restrita ao Brasil, os EUA também aplicaram uma tarifa adicional aos produtos exportados do Brasil. Mas nesse caso, sem cota. E o que aconteceu? A importação pelos EUA diminuiu (quarta Figura), mas a importação de países como o México subiu (clique aqui), mostrando que os países se reorganizam e buscam “driblar” essas decisões de aumento de tarifa, já que a demanda existe e o consumo de carne bovina não deve diminuir no país.
A Figura apresenta os dados acumulados, até novembro, de exportação de carne bovina in natura do Brasil para a China, em mil toneladas, entre 2015 e 2025, segundo dados da COMEX.

Não sabemos ainda como o governo brasileiro ou a própria China vai lidar com o assunto, já que a expectativa é que apenas no início da segunda metade de 2026 o Brasil atinja a cota de exportação de carne bovina. Na primeira metade de 2025 o Brasil importou 631,80 mil de toneladas métricas para a China Na segunda metade de 2025, até novembro, o embarque somou 867,33 mil toneladas, com expectativa de ficar acima de 1,00 milhão de toneladas. Isso mostra que, de fato, a questão deve impactar os exportadores apenas a partir da segunda metade do ano, o que abre espaço para negociação.
O fato é que, no curto prazo, o impacto é negativo, predominando a incerteza e a pressão de queda. O preço do boi gordo pode ser pressionado nesse início de ano. No entanto, essa medida ajuda a fortalecer a necessidade da busca de novos mercados consumidores, o que já vem acontecendo e, também o aumento da demanda por países já compradores. Isso mostra que a China pode estar contribuindo para acelerar a busca por mais clientes, diminuindo a concentração e o risco que a China oferece ao Brasil.
O Brasil pode aproveitar a oportunidade para valorizar sua produção e seu produto, pois descentralizando cada vez mais as vendas, o poder de negociação e o reflexo no preço da carne bovina é maior.
Vamos acompanhar e avaliar os desdobramentos da decisão chinesa sobre a tarifa de importação de carne bovina e os efeitos no preço do boi gordo no Brasil. Certamente o impacto inicial é ruim, embora isso não deva comprometer a trajetória de valorização da arroba ao longo do ano, já que a oferta de animais para o abate tende a diminuir no ano, além de uma expectativa de demanda global mais firme (queda menor que a produção).
E mudando de assunto, o preço do bezerro foi o destaque positivo de 2025, descolando do boi gordo, se aproximando da máxima nominal histórica de 2021 e com perspectiva de novas altas para 2026, mas cuidado com o otimismo exagerado! Claro, o que todos querem saber é qual a expectativa de preço esperado para o próximo ano. Bom, mas antes vamos relembrar como foi 2025. Clique aqui e confira!
Veja também que o preço do boi gordo em 2025 foi 22,5% maior que a média nominal de 2024, enquanto o bezerro subiu 31,5% na mesma base de comparação. Clique aqui e confira os dados médios anuais do preço do boi gordo, bezerro, milho e soja entre 2018 e 2025.
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