Boi gordo a termo: como funciona, vantagens e desvantagens

Ivan Formigoni
Farmnews

O mercado do boi gordo a termo é uma das ferramentas disponíveis para o pecuarista reduzir o risco de preço, mas claro, oferece vantagens e desvantagens.

Vale lembrar que, nesse assunto de proteção de preço, o Farmnews questionou os motivos pelos quais muitas vezes o produtor não utiliza os mecanismos de proteção e aqui falando exclusivamente do mercado futuro na B3.

Debatemos que além do desconhecimento, existe uma aversão ao risco que precisa ser melhor esclarecida e gerida especialmente quando envolve o ajuste diário. Talvez o ajuste diário, aliada à alta volatilidade, seja o principal limitante para muitos produtores. Clique aqui e saiba mais do assunto!

E é aí que entra o mercado do boi gordo a termo, já que essa prática não envolve custo ou ajuste financeiro e, sim, pode ser entendida como uma alternativa para proteção de preço. Mas, existem vantagens e desvantagens.

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No mercado do boi gordo a termo, em vez de esperar o momento do abate para descobrir qual será o valor da arroba, o produtor pode negociar antecipadamente as condições de venda dos animais, definindo uma referência de preço, volume e período de entrega.

Na prática, o boi a termo transforma uma parte da produção futura em uma receita mais previsível.

O que é o mercado do boi gordo a termo?

O mercado do boi gordo a termo é uma negociação entre produtor e comprador, normalmente um frigorífico, em que são estabelecidas previamente as condições para uma venda futura de animais.

O acordo pode envolver:

  • quantidade de animais;
  • padrão dos bovinos;
  • período de entrega;
  • preço da arroba;
  • condições de pagamento.

Diferentemente da venda tradicional, em que o pecuarista entrega os animais e recebe o preço vigente naquele momento, no mercado a termo o preço é negociado antes do abate.

O objetivo principal é reduzir a exposição à volatilidade da arroba. E como temos destacado no Farmnews, a volatilidade é algo cada vez mais presente na pecuária de corte e, de fato, incomoda bastante o pecuarista, pois aumenta a insegurança.

Mas como funciona o boi a termo?

Imagine um produtor que possui animais em fase final de engorda e prevê o abate para daqui a quatro meses.

Hoje, ele pode negociar com um frigorífico:

  • entrega em outubro;
  • determinado lote de animais;
  • preço combinado por arroba.

Se, no momento da entrega, o mercado estiver abaixo do valor contratado, o produtor estará protegido.

Por outro lado, se o preço da arroba subir acima do valor combinado, o produtor terá deixado de capturar parte dessa valorização. E essa é uma das desvantagens. O produtor pode estar fazendo um acordo prévio e, no momento da entrega, o cenário de preço ser melhor.

O boi a termo funciona, portanto, como uma ferramenta de gestão de risco e, a principal razão é reduzir a incerteza sobre a receita futura.

No entanto, o mercado de boi a termo também oferece ao comprador uma melhor previsibilidade de escala e, com isso, ajuda no poder de negociação.

A previsibilidade de escala de abate certamente é interessante para o comprador e o que pode ter efeito no poder de negociação, claro.

E uma dúvida que pode surgir é: o boi a termo é igual ao mercado futuro?

Apesar de terem objetivos semelhantes, são operações diferentes.

Boi a termo

  • negociação direta entre produtor e comprador;
  • envolve entrega física dos animais;
  • preço negociado entre as partes;
  • não possui ajuste diário.

Mercado futuro da B3

  • negociação realizada em bolsa;
  • proteção por meio de contratos financeiros;
  • exige acompanhamento de margem e ajustes diários.

Apesar dos benefícios, uma parcela significativa dos pecuaristas ainda vende a maior parte dos animais no mercado físico tradicional.

Entre os principais motivos está o receio de perder uma alta no valor da arroba.  Esse é provavelmente o maior limitante.

Entretanto, o objetivo do boi a termo não é acertar o preço máximo do mercado, mas reduzir o risco.

O confinador costuma ser um dos principais usuários dessa ferramenta.

Isso acontece porque o confinamento envolve, além de um alto custo, um prazo definido até o abate.

Apesar das vantagens e desvantagens, o mercado do boi gordo a termo é uma ferramenta de gestão de preço que permite ao pecuarista negociar hoje uma venda futura, reduzindo a incerteza sobre a receita da atividade.

O objetivo do boi a termo não é vender no maior preço possível, mas permitir que o produtor tenha mais previsibilidade, planejamento e segurança na tomada de decisão.

Nesse contexto, o Farmnews tem apresentado conteúdos e recursos para ajudar o produtor a entender melhor esse mercado. Clique aqui e acesse o guia completo do mercado futuro do boi gordo!

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!

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Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!