A importação de fertilizantes pelo Brasil acumulou queda na parcial de março de 2026, até a 3ª semana do mês, frente a março de 2025, enquanto o preço médio de compra (FOB) subiu quase 25,0%.
A média diária de compra de fertilizantes na parcial de março de 2026, até os 15 primeiros dias úteis do mês, foi de 118,07 mil toneladas, valor 13,9% abaixo do que foi observado em março de 2025, quando a média diária de importação, pelo Brasil, foi de 137,21 mil toneladas.
No acumulado parcial do mês de março, em valor absoluto, a importação de fertilizantes pelo Brasil somou 1,77 milhão de toneladas até a 3ª semana do mês, enquanto em março de 2025 a importação totalizou 2,60 milhões de toneladas.
A queda nas compras era esperada devido as consequências do conflito no Oriente Médio e o comprometimento logístico do estreito de Ormuz. É justamente aí que o estreito de Ormuz se torna um ponto crítico. Ormuz não é apenas uma passagem marítima, ela é um dos chokepoints (pontos de estrangulamentos) mais sensíveis do sistema energético mundial. Quando a tensão aumenta ali, aumenta também o risco sobre frete, seguro, abastecimento e preço do petróleo, e esse efeito não se distribui de forma igual. China e Índia tendem a sentir mais porque dependem fortemente da estabilidade desse corredor para sustentar parte importante de sua demanda energética.
O Farmnews tem apresentado a evolução dos preços esperados da matéria-prima de um modo mais frequente desde o início do conflito no Oriente Médio. A escalada militar iniciada no final de fevereiro entre Israel / Estados Unidos e Irã recoloca o agro diante de um tipo de risco que não nasce na lavoura, mas chega nela rápido: energia e logística. É o risco geopolítico!
Mas o importante é lembrar que a importação de fertilizantes pelo Brasil, embora tenha caído em março de 206 como consequência do conflito no Oriente Médio, o ritmo de compra já vinha apresentando queda mesmo antes do início da guerra.
A importação de fertilizantes pelo Brasil nos 2 primeiros meses de 2026, ou seja, de janeiro a fevereiro, somou 5,26 milhões de toneladas, valor pouco abaixo do observado no acumulado até fevereiro de 2025 (5,30 milhões de toneladas).
Isso mostra que o conflito no Oriente Médio agravou o risco de falta de matérias-primas, uma vez que as compras já vinham mostrando queda, especialmente da ureia. A importação de ureia pelo Brasil somou 790,7 mil toneladas entre janeiro e fevereiro de 2026, o menor valor para o período do ano em uma série iniciada em 2018 e 31,1% menor que a compra realizada no mesmo período de 2025 (1,14 milhão de toneladas).
O Farmnews também destacou que o conflito no Oriente Médio e o consequente aumento dos preços dos combustíveis e as dificuldades logísticas no estreito de Ormuz tem pressionado o mercado futuro dos fertilizantes. O mercado futuro da ureia segue em forte ritmo de alta para os contratos com vencimento no curto prazo.
Nesse contexto, o preço futuro da ureia mostra que os valores esperados para os meses de março a julho de 2026 voltaram a se aproximar dos valores alcançados em 2022 e isso merece muita atenção, especialmente porque o cenário atual de preço dos grãos é outro! O preço do contrato futuro da ureia para abril de 2026 foi negociado em patamares próximos de US$700,0 por tonelada, lembrando que o preço médio (FOB) de importação da ureia pelo Brasil em fevereiro de 2026 foi de US$405,0 por tonelada.
O preço médio de importação (FOB) de matérias-primas pelo Brasil na parcial de março de 2026, até a 3 semana, foi de, em média US$382,1 por tonelada, valor 22,8% acima da média nominal praticada em março de 2025, de US$311,2 por tonelada. O preço parcial de março de 2026 também mostra forte alta frente a média do mês anterior (US$344,4 por tonelada) e deve alcançar o maior patamar desde maio de 2023.
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