O mercado futuro do boi gordo iniciou abril (6) em forte movimento de alta, impulsionado também pelos casos suspeitos de febre aftosa na Rússia e na China.
O mercado futuro do boi gordo voltou do feriado de Páscoa com o contrato para maio de 2026 acima de R$367,0 por arroba ainda no período da manhã. Vale lembrar que o preço esperado para maio de 2026 já havia renovado a máxima para o vencimento em abri (2) quando foi cotado a R$364,0 por arroba (valor de ajuste).
O USDA desde fevereiro de 2026 tem destacado sobre possíveis os casos de febre aftosa na Rússia que podem estar sendo subestimados.
O fato é que o USDA tem reportado um possível surto, ainda não confirmado, de febre aftosa na Rússia. Embora as autoridades russas citem oficialmente a pasteurelose e a raiva como motivos para o abate em massa de animais, a magnitude das medidas de quarentena sugere uma doença mais grave.
O USDA informou que medidas rigorosas de contenção, incluindo postos de controle e restrições de circulação, foram implementadas em regiões da Sibéria.
Aproximadamente 90.000 cabeças de gado foram abatidas em pelo menos nove regiões desde fevereiro de 2026. O Cazaquistão proibiu as importações de gado e produtos de origem animal de várias regiões russas devido ao surto.
No entanto o USDA destacou que especialistas internacionais e contatos comerciais da região sugerem que a resposta é atípica para a pasteurelose, que geralmente é controlável com tratamento, em vez de abate em massa.
Segundo relatos dos próprios veículos de comunicação russos, é possível que a Rússia esteja ocultando um grave surto de febre aftosa para manter seu status internacional de exportação de produtos cárneos, conquistado em 2025.
É importante ficar atento, pois a China que faz fronteira com a Rússia, reportou casos de febre aftosa no país e isso pode ter um impacto importante para o Brasil, já que ambos os países são grandes importadores de carne bovina do Brasil. E embora ainda seja cedo para avaliar o impacto e a dimensão real do caso de febre aftosa em ambos os países, a expectativa é de que o limite de cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China possa ser alterado.
E sempre é importante lembrar que, caso a regra não seja flexibilizada, o Brasil poderá exportar para a China, sem a cobrança de tarifa adicional de 55,0%, 1,106 milhão de toneladas em carne bovina. Em 2027 e 2028 esse valor subiria um pouco, para 1,128 e 1,154 milhão de toneladas respectivamente, mas ainda muito longe do que o país asiático importou do Brasil em 2024 e 2025, por exemplo. A expectativa é que o Brasil alcance esse limite de cota no início da segunda metade de 2026.
O Farmnews inclusive apresentou dados que mostram a evolução da produção e o consumo de carne bovina na China e a respectiva crescente necessidade de importação para atender a demanda interna do país asiático (primeira Figura).
A Figura apresenta a evolução da produção e demanda de carne bovina na China, em milhões de toneladas em equivalente carcaça, entre 2017 e a expectativa para 2026, segundo dados do USDA.

O mesmo acontece com a Rússia, já que a produção do país não atende a demanda interna (segunda Figura) e as consequências de uma queda de produção tanto na Rússia como na China devido aos efeitos de uma escalada de febre aftosa dos países poderia favorecer ainda mais s exportações de carne bovina do Brasil. Aliás, a demanda russa por carne bovina do Brasil aumentou e muito em 2026 e alcançou o maior patamar para o período do ano, até fevereiro, em 10 anos!
A Figura apresenta a evolução da produção e demanda de carne bovina na Rússia, em milhões de toneladas em equivalente carcaça, entre 2021 e a expectativa para 2026, segundo dados do USDA.

A demanda por carne bovina do Brasil segue crescendo nos primeiros meses de 2026 e esse crescimento acontece não apenas pelos principais países compradores, como China e EUA. A importação de carne bovina do Brasil pela Rússia subiu nos 2 primeiros meses de 2026 e alcançou o maior patamar para o período do ano desde 2017.
A China embarcou 103,55 mil toneladas métricas de carne bovina in natura do Brasil em fevereiro de 2026, valor 11,9% acima do valor praticado em fevereiro de 2025 (92,57 mil toneladas), novo patamar para o período do ano. E do mesmo modo como aconteceu com a China, a importação de carne bovina do Brasil pelos EUA também renovou a máxima para um mês de fevereiro, em 2026.
E por falar em EUA, vale destacar que o USDA atualizou os dados do preço da carne bovina no atacado dos EUA em março de 2026. E foi apresentado números que mostram nova disparada de preço e o valor cada vez mais próximo de renovar a máxima histórica por lá, quando no auge dos receios relacionados a COVID-19 os preços dos alimentos apresentaram forte alta.
O preço da carne bovina nos EUA em março de 2026 subiu mais de 22,0% frente ao valor nominal de março de 2025 e renovou a máxima nominal para o período pelo quinto ano consecutivo.
O que queremos dizer com tudo isso? Que a carne bovina do Brasil está cada vez mais disputada no mercado internacional e um possível problema de oferta nos principais países compradores para aumentar ainda mais a demanda pelo produto brasileiro. E não podemos esquecer que estamos em uma fase de alta do ciclo pecuário. Claro, é preciso atenção e cuidado para evitar um otimismo exagerado, mas é preciso acompanhar os desdobramentos sobre os casos suspeitos de febre aftosa na Rússia e na China, pois pode impactar os preços que seguem mais pressionados para a segunda metade de 2026!
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