O Farmnews apresentou o resumo dos principais fatos do cenário político e econômico do agro no Brasil entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro.
O agronegócio brasileiro encerrou a primeira semana de outubro com destaque para o fortalecimento das relações comerciais com a China, a mudança no marco do seguro rural, os desafios climáticos para a safra 2026/27 e novas incertezas no comércio internacional de carnes e grãos.
Seguro rural ganha novo marco legal
A semana foi marcada pela sanção da Lei nº 15.526/2026, que aperfeiçoa o marco legal do seguro rural e amplia os instrumentos de gestão de riscos no campo. A legislação trata de regras para contratação, cobertura, regulação, pagamento de indenizações, subvenção e integração com mecanismos de crédito rural.
A medida pode aumentar a previsibilidade para produtores, seguradoras e instituições financeiras. Entretanto, a efetividade do novo marco dependerá da regulamentação, da disponibilidade de recursos para subvenção e da capacidade de ampliar a contratação do seguro em regiões de maior risco climático.
Renegociação de dívidas rurais continua no centro das discussões
O relatório relacionado à MP 1.376/2026 manteve entraves para a renegociação de dívidas rurais, segundo o balanço semanal da CNA. A discussão ocorre em um ambiente de maior pressão sobre produtores afetados por eventos climáticos, preços menos favoráveis e custo elevado do crédito.
A dificuldade de acesso à recuperação financeira pode limitar novos investimentos, reduzir a capacidade de compra de insumos e aumentar a seletividade de bancos e fornecedores na concessão de crédito ao produtor.
Brasil amplia oportunidade de exportação de miúdos suínos para a China
O Brasil e a China revisaram o protocolo sanitário para exportação de miúdos suínos. A medida amplia o conjunto de produtos autorizados e cria novas oportunidades para frigoríficos habilitados, com potencial de melhorar o aproveitamento econômico da carcaça.
O impacto econômico tende a ocorrer de forma gradual, conforme os estabelecimentos sejam habilitados e os canais comerciais sejam desenvolvidos. Ainda assim, o acordo fortalece a presença brasileira no mercado chinês e pode contribuir para diversificar as receitas da suinocultura.
Cota de carne bovina para a China é atingida
O Brasil atingiu 100% da cota de exportação de carne bovina para a China, segundo o balanço da CNA. O fato reforça a forte dependência do mercado chinês para a formação da demanda externa brasileira.
A utilização integral da cota mostra que a demanda continua firme, mas também aumenta a importância de acompanhar eventuais sobretaxas, mudanças sanitárias e negociações para ampliação do acesso ao mercado. A restrição pode redirecionar parte da oferta para outros destinos ou para o mercado interno.
União Europeia sinaliza demora para retomada da carne bovina brasileira
Autoridade sanitária europeia estimou que a retomada das importações de carne bovina brasileira pelo bloco pode levar pelo menos dois anos, em razão do ciclo de produção e das exigências sanitárias. O Brasil ainda aguarda novas etapas de auditoria e negociação com a União Europeia.
A notícia reduz a possibilidade de uma reabertura rápida do mercado europeu para a carne bovina. Em contrapartida, a conclusão favorável de auditoria sobre a cadeia brasileira de aves e mel indica que a situação pode evoluir de forma diferente conforme o produto e o protocolo sanitário analisado.
Clima mantém risco elevado para o início da safra 2026/27
A Conab informou que as chuvas favoreceram o início da semeadura de soja, milho e arroz em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o excesso de umidade prejudicou cultivos de inverno, especialmente onde ocorreram maiores acumulados de precipitação.
O painel do El Niño divulgado pelo Inmet em 30 de setembro reforçou a necessidade de monitoramento das condições climáticas durante o plantio. O principal risco para o produtor é a distribuição irregular das chuvas, com possibilidade de atraso nas operações, veranicos em áreas de sequeiro e excesso de umidade no Sul.
O cenário climático tende a aumentar a diferença entre regiões e propriedades. Áreas com maior capacidade de armazenamento de água, irrigação e flexibilidade operacional podem apresentar menor exposição ao risco.
Relação entre China e Estados Unidos continua influenciando a soja
A extensão da trégua comercial entre China e Estados Unidos até janeiro de 2027 manteve a soja no centro das negociações internacionais.
Apesar da manutenção dos compromissos chineses de compra de soja norte-americana, a ausência de medidas mais concretas limitou o efeito positivo sobre os preços.
Para o Brasil, o principal ponto de atenção é o ritmo das compras chinesas nos Estados Unidos. Uma retomada mais intensa da demanda pela soja norte-americana pode reduzir temporariamente o espaço da origem brasileira, enquanto eventuais novas tensões comerciais tenderiam a favorecer a competitividade do produto brasileiro.
Fertilizantes permanecem como risco estratégico
A dependência brasileira de matérias-primas importadas continuou no radar durante a semana. O cenário envolve custos elevados, riscos logísticos e exposição a tensões geopolíticas, especialmente para produtos utilizados na fabricação de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos.
A redução nas compras de cloreto de potássio e o ritmo mais lento de importação de matérias-primas podem aumentar a preocupação com o abastecimento e com o custo dos insumos para a safra 2026/27. Esse risco é particularmente relevante porque a demanda se concentra em períodos específicos do calendário agrícola.
E por falar no assunto, o Farmnews tem destacado para a queda na importação de matérias em 2026 (clique aqui).
No acumulado de 2026, até agosto, o Brasil importou 25,37 milhões de toneladas em fertilizantes, o menor valor para o período desde 2023 (24,72 milhões de toneladas).
Vale lembrar que em 2025, até agosto, o Brasil importou 29,46 milhões de toneladas em matérias-primas e em 2024 a quantidade de compra foi de 27,14 milhões de toneladas.
Nesse contexto, vale destacar também que a importação de cloreto de potássio voltou a cair em agosto de 2026 e passou a ficar abaixo do valor acumulado no ano frente ao mesmo período de 2025.
Além da queda na importação de cloreto de potássio, em agosto de 2026 o Brasil importou 508,7 mil toneladas de ureia, o menor valor para o período do ano desde 2023.
Mercado internacional operou com cautela
No encerramento da semana, soja e milho em Chicago foram influenciados simultaneamente por fatores de oferta e política comercial. Estoques norte-americanos menores deram algum suporte à soja, mas a indefinição nas relações entre Estados Unidos e China manteve o mercado cauteloso. No Brasil, o câmbio mais firme ofereceu sustentação parcial às commodities exportáveis.
A combinação entre colheita norte-americana, plantio brasileiro e decisões chinesas deve continuar determinando a volatilidade dos grãos nas próximas semanas.
Vale observar que o preço futuro do milho segue mais pressionado no início de outubro, acompanhando o movimento do físico.
O preço futuro do milho mantém a expectativa de alta, embora mais modesta, ao longo dos próximos meses, com o vencimento de novembro acima de R$71,0 por saca.
E ao contrário do milho, mais pressionado, o mercado futuro do boi gordo renovou a máxima no início de outubro, com o preço esperado para os meses finais de 2026 cada vez mais próximo de R$400,0 por arroba.
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