Lucro no confinamento: dados da FMVZ/USP mostram resultado positivo em agosto

Gustavo Sartorello
Farmnews

Dados da FMVZ/USP mostraram que houve lucro no confinamento em agosto de 2026.

 ICBC revela custo da arroba produzida entre R$223 e R$257 e mostra que o confinamento pagou todos os custos, remunerou o capital e ainda gerou lucro

Os resultados de agosto de 2026 reforçam a viabilidade econômica do confinamento de bovinos, mas também mostram que um spread atrativo na engorda não garante, sozinho, lucro na última linha.

Custos do confinamento recuam em São Paulo

A redução em São Paulo chama a atenção porque ocorreu mesmo com a alta do milho, que subiu aproximadamente 2,2% no estado. A composição da dieta, entretanto, envolve diversos ingredientes, e a redução de outros insumos compensou essa valorização.

Em Goiás, o milho aumentou aproximadamente 3%, e o conjunto dos custos nutricionais pressionou a diária-boi para cima.

Gráfico 1. Variação dos índices de custos de bovinos confinados entre agosto de 2025 e agosto de 2026.

lucro no confinamento

O primeiro gráfico do ICBC, que acompanha a evolução dos números-índice, mostra que os custos paulistas chegaram a agosto nos menores patamares dos últimos 12 meses.

Quanto custa a diária-boi no confinamento?

A análise dos últimos três meses confirma movimentos distintos entre os estados.

No confinamento paulista de média escala (CSPm), a diária-boi passou de R$19,11 em junho para R$19,01 em julho e R$18,90 em agosto. No sistema de grande escala (CSPg), recuou de R$18,47 para R$18,38 e, posteriormente, para R$18,35.

Em Goiás, após cair de R$15,60 em junho para R$15,43 em julho, a diária-boi voltou a subir e alcançou R$15,76 em agosto.

Gráfico 2. Comparativo dos custos da diária-boi (CDB) entre os meses de junho a agosto de 2026.

lucro no confinamento

¹Confinamento São Paulo médio, 95 dias de engorda; ²Confinamento São Paulo grande, 103 dias de engorda; e ³Confinamento Goiás, 99 dias de engorda.

A alimentação representa aproximadamente 80% da diária-boi. Por isso, acompanhar apenas o preço do milho não é suficiente para avaliar o custo do confinamento. A formulação da dieta, a combinação dos ingredientes, o consumo de matéria seca e o desempenho dos animais precisam ser analisados em conjunto.

Quanto custou a arroba produzida em agosto?

O custo da arroba produzida ficou entre R$223 e R$257 nos três sistemas analisados:

Gráfico 3: Custo da arroba produzia nas propriedades representativas analisadas.

lucro no confinamento

No mesmo período, o boi gordo foi negociado, em média, por R$345,26/@ em São Paulo e R$334,11/@ em Goiás.

Com isso, a diferença entre o preço de venda do boi gordo e o custo da arroba produzida — o chamado spread da engorda — alcançou:

  • R$87,93/@ no sistema paulista de média escala;
  • R$91,34/@ no sistema paulista de grande escala;
  • R$110,87/@ no sistema representativo de Goiás.

É um resultado operacional bastante atrativo. Produzir uma arroba por aproximadamente R$254 e vendê-la ao redor de R$345 mostra que houve uma diferença superior a R$90 por arroba produzida no confinamento paulista de maior escala.

Spread positivo significa lucro no confinamento?

O spread positivo não significa, necessariamente, lucro no confinamento.

Isso porque o spread mede a diferença entre o preço de venda do boi gordo e o custo necessário para produzir peso durante o período de confinamento. Ele é um indicador importante da eficiência da engorda, mas não considera sozinho toda a conta do animal.

Para calcular o lucro do confinamento, ainda é necessário incorporar o valor do boi magro, os custos operacionais, a estrutura, a depreciação e o custo de oportunidade do capital investido.

Quando todas essas parcelas foram consideradas, o custo total em agosto chegou a:

  • R$ 346,81/@ no confinamento de média escala de São Paulo;
  • R$ 340,98/@ no confinamento de grande escala de São Paulo;
  • R$ 334,86/@ no confinamento representativo de Goiás.

Na comparação com o preço médio do boi gordo, o resultado econômico foi negativo em R$ 31,66/boi no sistema paulista de média escala (CSPm) e em R$ 14,05/boi no sistema de Goiás (CGO).

Já o confinamento paulista de maior escala (CSPg) apresentou resultado positivo de R$ 79,68/boi

 

Escala e eficiência ampliam a rentabilidade do confinamento

A comparação entre os dois sistemas paulistas mostra como pequenas diferenças de escala e diluição dos custos fixos podem alterar o resultado econômico.

Enquanto a propriedade de média escala ficou próxima do ponto de equilíbrio, o sistema de maior escala transformou um spread atrativo em lucro efetivo por cabeça.

O resultado também reforça que a rentabilidade do confinamento não depende de um único indicador. Ela nasce da combinação de cinco decisões:

  1. comprar bem a reposição;
  2. formular uma dieta economicamente eficiente;
  3. obter desempenho produtivo
  4. utilizar adequadamente a estrutura; e
  5. proteger o preço de venda.

Equipe ICBC: Paola Ferreira, Tayná Ferreira, Thiago Andrade, Gustavo Sartorello e Prof. Dr. Augusto Gameiro.

Saiba também que enquanto o preço do boi gordo segue em recuperação, o preço da categoria de reposição permanece estável em setembro. Os preços se mantêm próximos da máxima histórica em setembro, mas, praticamente estável ao longo dos últimos meses.

A expectativa é que o mercado de reposição siga firme e mais valorizados nos meses finais do ano.

E por falar no assunto, clique aqui e confira os dados do preço médio nominal do bezerro nos meses de setembro, entre 2010 e a parcial de 2026. 

E vale mencionar também os patamares recordes de exportação de bovinos vivos do Brasil. A exportação de bovinos vivos do Brasil renovou a máxima histórica em agosto de 2026.

A exportação de bovinos vivos alcançou patamar histórico em agosto de 2026, somando o equivalente a US$243,90 milhões, além de recorde para o período do ano, nova máxima, muito acima do recorde anterior de janeiro de 2026.

No acumulado de 2026, até agosto, a receita de exportação de bovinos vivos somou o equivalente a US$1,17 bilhão, além do maior valor para o período do ano, quase o dobro do praticado em 2025 (terceira Figura).

Foi a primeira vez que o faturamento da exportação de bovinos vivos, no acumulado até agosto, superou o valor de US$1,00 bilhão.

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