A geopolítica tem assumido um papel cada vez mais importante no agronegócio brasileiro, o que aumentam os riscos e incertezas do setor.
O fato é que o ano de 2026 começou turbulento, especialmente para o mercado de exportação de carne bovina do Brasil, muito embora os dados preliminares de embarque em janeiro de 2026 mostram forte aumento quando comparado ao mesmo período de 2025.
O embarque médio diário nos primeiros dias de janeiro de 2026 (6 dias úteis) foi mais de 80,0% acima da média diária de embarque de janeiro de 2025. Clique aqui e saiba mais!
O ano de 2025 foi histórico para a exportação de carne bovina do Brasil, alcançando novas máximas para faturamento e embarque. O faturamento somou o equivalente a US$16,61 bilhões em 2025, valor 42,5% acima de 2024 (US$11,66 bilhões). O embarque alcançou 3,09 milhões de toneladas métricas, valor 21,4% acima do recorde anterior, de 2024 (2,54 milhões de toneladas). Clique aqui e confira os dados.
No entanto, o ano de 2026 iniciou mais incerto, apesar das perspectivas positivas de preço, devido a menor oferta global de carne bovina (clique aqui). Isso porque a China implementou, para 2026, medidas de proteção ao mercado local de carne bovina, limitando a exportação de carne bovina do Brasil sem a aplicação de tarifa adicional.
O país asiático estabeleceu cota de 1,106 milhão de toneladas de exportação de carne bovina para o Brasil no ano de 2026, ou seja, valor que o Brasil comercializou em 2025 está praticamente 50,0% acima do limite imposto, sem tarifa, pelos chineses.
A China, em 2025, importou 1,64 milhão de toneladas métricas em carne bovina do Brasil, valor 24,6% acima do que foi observado em 2024, como mostram os dados da primeira Figura.
A Figura apresenta os dados da importação de carne bovina in natura do Brasil para a China, em mil toneladas métricas, entre os anos de 2015 e 2025.

O Farmnews discutiu o assunto (clique aqui), ressaltando para o fato que a aplicação prática dessa tributação adicional deve acontecer somente a partir da segunda metade de 2026, o que permite ao Brasil tempo para negociar condições melhores que as impostas atualmente. O governo busca flexibilizar essas cotas. Além disso, a demanda chinesa tem crescido mais que a oferta do país ao longo dos últimos anos, o limita as opções do país sem uma consequente inflação do alimento por lá.
O Farmnews também apresentou os dados mensais de embarque de carne bovina do Brasil para a China ao longo de 2025, no objetivo de projetar o início da aplicação da tarifa adicional de exportação ao longo de 2026. Afinal, com a cota de exportação de carne bovina, a pergunta é: quando se espera que a tarifa adicional para o Brasil seja aplicada? Em outras palavras, em qual mês de 2026 é esperado que o Brasil atinja o limite de cota estabelecido pelo país asiático, de 1,106 milhão de toneladas? Clique aqui e confira!
Os EUA anunciaram tarifa adicional de 25,0% para os países que mantém relações comerciais com o Irã.
Na prática, os produtos exportados do Brasil para os EUA poderão, novamente, sofrer uma tarifa adicional, já que o Brasil mantém relações comerciais com o Irã. Vale lembrar que os EUA já aplicaram tarifa adicional de exportação de 40,0% ao Brasil em 2025, com fortes consequências para diversos setores da economia nacional. Isso porque embora a exportação de carne bovina do Brasil para os EUA tenha sido recorde em 2025 (segunda Figura), poderia ter sido muito maior.
A Figura apresenta os dados da importação de carne bovina in natura do Brasil para os EUA, em mil toneladas métricas, entre os anos de 2015 e 2025.

O Irã é um dos principais países compradores de milho do Brasil. Em 2025 o Irã importou o equivalente a US$1,98 bilhão em milho, o que representa 23,1% de toda receita de venda do produto brasileiro exportado que foi de US$8,58 bilhões.
O Brasil foi o maior produtor mundial de carne bovina em 2025, além do maior exportador global, o que aumenta a exposição do País as consequências geopolíticas.
O fato é que, cada vez mais, o agronegócio brasileiro pode pagar a conta de decisões políticas que não controla! Clique aqui e saiba mais!
O Brasil e o setor de carne bovina estão cada vez mais expostos aos desafios da geopolítica global e isso é um sinal de atenção, tanto do ponto de vista das relações governamentais do País como do planejamento do produtor e a gestão de risco em um cenário de maior volatilidade.
A oferta mundial de carne bovina será menor em 2026, mas vamos estar atentos ao comportamento da demanda pelo produto brasileiro no mercado internacional, pois ainda é cedo para avaliar os possíveis impactos na expectativa de preço para 2026.
Confira também que depois de mais de duas décadas de negociação, o acordo entre UE e Mercosul avançou definitivamente. Clique aqui e confira os impactos para o agro do Brasil com o acordo comercial!
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