peste suína africana

Mapa da peste suína africana no mundo

Afinal, o que é a peste suína africana, como ela se espalha, quais os riscos à saúde e à produção de alimentos no mundo?

Pois é, saiba por que a peste suína africana gera muitos temores e incertezas no mercado, especialmente no setor de proteína animal.

Quando em setembro de 2018 o vírus da peste suína africana (PSA) foi identificado em suínos de subsistência na China, o mercado mundial entrou em pânico. Isso porque a peste suína africana é uma doença altamente contagiosa e que não tem cura nem tratamento poderia ter um efeito devastador no país que tem o maior rebanho suíno do planeta.

O motivo do temor? A peste suína africana é uma doença altamente contagiosa e que não tem cura nem tratamento. Ela acomete suínos e javalis, mas não causa efeitos em humanos.

O vírus da PSA foi identificado pela primeira vez na África, no início do século 20, e se estima que chegou à Europa em 1957 por meio de restos de alimentos servidos em aviões contendo produtos derivados de suínos contaminados com PSA.

No Brasil, o vírus foi identificado em 1978 em suínos de subsistência, em Paracambi, no Rio de Janeiro. A PSA foi erradicada e o Brasil é considerado livre da doença desde 1984.

“A PSA é causada por um vírus DNA. Já foram identificados 24 genotipos diferentes desse vírus. A maioria é altamente virulenta, ocasionando taxas de mortalidade elevadas”, diz o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Luizinho Caron.

Uma vacina está em desenvolvimento pelo USDA, mas, enquanto ela não é aprovada, em casos de surtos da peste suína africana, o abate sanitário dos animais e a destinação adequada das carcaças são obrigatórios.

Não há números oficiais, ao menos divulgados, mas se estima que o abate de animais na China por causa da peste suína africana já chegou a dezenas de milhões. Clique aqui e confira a estimativa do USDA relacionada a queda de produção de carne suína pela China devido a peste suína africana.

A PSA é transmitida principalmente pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados, como os javalis) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus.

Na Europa, o ciclo de infecção mais comum detectado é o de suínos que se infectam ao ingerir produtos cárneos de origem suína contaminados com o vírus da PSA, como salames e embutidos, oriundos de restos da alimentação humana. Após alguns dias, os animais iniciam a eliminação viral por meio das secreções e excreções. Além disto, o vírus persiste no sangue e nos tecidos após a morte, tornando-se fonte de infecção para outros suínos.

“O vírus é estável em um amplo intervalo de temperaturas, não é inativado pela refrigeração e nem pela maturação da carne. Pode permanecer infeccioso por 11 dias nas fezes, por meses na medula óssea, por 15 semanas na carne refrigerada e congelada, e entre 3 e 6 meses em presuntos e embutidos curados não cozidos ou defumados”, revela a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Virgínia Santiago Silva.

O período de incubação da doença em geral é de 4 a 19 dias e sua severidade está relacionada a diferentes fatores. “Vai depender, por exemplo, da virulência do estirpe viral, da via e dose de infecção e do status imune do animal hospedeiro”, diz a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Rejane Schaefer.

Rejane explica que em sua forma aguda a doença se caracteriza por vermelhidão e hemorragias na pele; anorexia, apatia, cianose e falta de coordenação motora dentro de 24-48 horas antes da morte; aumento da frequência respiratória; vômitos, diarreia (por vezes sanguinolenta) e secreções oculares. “Nesses casos, a taxa de mortalidade geralmente se aproxima de 100%”, diz.

“Já estirpes menos virulentos ocasionam sinais clínicos leves e muitas vezes inespecíficos, como febre ligeira, apetite reduzido, depressão, sinais respiratórios e aborto, que podem ser confundidos com muitas outras enfermidades em suínos e podem não levar à suspeita de PSA”, diz a pesquisadora. É importante o diagnóstico diferencial rápido, pois os sinais clínicos podem não ser tão acentuados no início. Animais que se recuperam de infecções se tornam portadores do vírus e se transformam em grandes problemas do controle da doença.

O diagnóstico do vírus inclui técnicas moleculares e deve ser realizado em laboratórios oficiais com amostras de linfonodo, rim, baço, pulmão, sangue e soro. As técnicas de diagnóstico mais frequentemente utilizadas para a detecção e identificação do vírus da PSA são a imunofluorescência direta, teste de hemadsorção e PCR. Para programas de controle e erradicação da PSA é indicado o teste de ELISA para detecção de anticorpos.

“O vírus é inativado, por exemplo, se exposto por 30 minutos a temperatura de 60ºC, por solventes que rompem seu envelope lipídico e por desinfetantes à base de amônia quaternária ou hipoclorito de sódio quando aplicados em superfícies de plástico, concreto ou aço por 10 minutos, desde que não haja sangue ou suco de carne sobre estas estruturas”, resume Danielle.

O Brasil tem um sistema de vigilância das síndromes hemorrágicas que inclui a realização de testes laboratoriais para PSA como diagnóstico diferencial de Peste Suína Clássica (PSC). O MAPA implementou cuidados nas fronteiras e na importação de produtos agrícolas e alimentos de países onde a PSA está ocorrendo.

A analista da Embrapa Suínos e Aves Danielle Gava diz que, caso ocorra um surto no país, as ações de controle da doença incluem o abate sanitário rápido de todos os suínos; a eliminação adequada de carcaças e limpeza e desinfecção completas das instalações; a designação da zona infectada, com controle de movimentação e trânsito dos suínos; e uma pesquisa epidemiológica detalhada, com rastreamento de possíveis fontes de infecção e de disseminação, além da vigilância da zona infectada e da área circundante.

E por falar na peste suína africana, quais os efeitos esperados para o Brasil diante da crise na produção de suínos na China? Clique aqui e confira!

Adaptado da Embrapa

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Zootecnista, editor do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!