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IATF pode reduzir o custo de produção de bezerros?

Pesquisador do LAE/USP, Oscar Ojeda, destaca a importância da IATF na redução do custo de produção de bezerros.

Análises econômicas da produção de gado de corte têm sido limitadas pela incapacidade de descrever completamente o processo de produção.

Um grande número de subsistemas, cada um com atributos diferentes, estão envolvidos no sistema geral chamado pecuária de corte. Cada processo é complexo, por si mesmo, e as análises se tornam mais difíceis quando se desenvolvem simultaneamente.

Por vezes, há incapacidade de descrever relações básicas como taxa de lotação, ganho de peso, taxa de prenhez ou taxa de descarte, de forma que, fazer medições corretas das entradas e saídas de um sistema pode ser ainda mais difícil. Com isso, as análises econômicas se tornam especulação e as conclusões resultantes questionáveis.

Aliás, pesquisadora do LAE/USP destaca as razões pelas quais o produtor rural brasileiro não controla os custos de produção da fazenda. Clique aqui e confira!

Recentes avanços no entendimento das relações biológicas junto com progressos em simulação computacional têm estimulado o desenvolvimento de modelos de simulação de sistemas de produção de bovinos de corte. É o casso do modelo de simulação desenvolvido pelo Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal – LAE. O modelo em desenvolvimento possibilita melhorar a compreensão dos impactos técnicos e econômicos da implementação de diferentes estratégias reprodutivas, como a Monta Natural e a IATF. Este modelo faz parte da tese de doutoramento do autor deste texto.

Para estas análises as informações de entrada foram escolhidas para representar um rebanho da raça Nelore com o perfil socioeconômico do município de Presidente Prudente. Foi simulada, por um período de 13 anos, uma fazenda de 500 ha, com um rebanho de 400 vacas e 15 touros, com estação reprodutiva de 90 dias, entre novembro e fevereiro. Os cenários analisados foram Monta Natural (MN), IATF seguida de MN (IATF+MN) e finalmente duas IATFs, com intervalo entre inseminações de 32 dias, seguida de MN (2IATF+MN).

A composição do rebanho, por mês, para cada cenário durante o sexto ano de simulação é mostrada na Figura 1.

É possível observar como os animais passam de uma categoria para outra com o tempo. A partir de abril, mês da desmama, e pelos próximos dois meses, observou-se como o rebanho foi dividido entre vacas secas e novilhas. Nesse ponto, uma diferença relevante é observada na composição do rebanho para cada cenário, o número de novilhas. Na medida em que a estratégia reprodutiva é mais robusta, 2IATF+MN, o número de animais na categoria de novilhas diminuiu consideravelmente, sendo 73, 22 e 13 novilhas, respectivamente para MN, IATF+MN e 2IATF+MN. A diminuição do número de novilhas é consequência da baixa demanda por novilhas de reposição, que, por sua vez, é derivada da redução do descarte de fêmeas devido a falhas reprodutivas nos cenários IATF+MN e 2IATF+MN.

Por outro lado, a estratégia reprodutiva influenciou a quantidade e a distribuição dos nascimentos na estação de partos (Figura 2).

Figura 2. Quantidade de bezerros nascidos por mês (A linha indica a percentagem acumulada por mês do número total de nascimentos)

O número médio de bezerros nascidos (machos e fêmeas) durante a estação de partos foi de 207, 259 e 271 respectivamente para MN, IATF+MN e 2IATF+MN. A produtividade média de bezerros por hectare por ano foi de 0.41, 0.52 e 0.54 bezerros/ha/ano, respectivamente para MN, IATF+MN e 2IATF+MN. Adicionalmente, a Figura 2 permitiu observar o efeito que os cenários que usaram IATF têm sobre a concentração dos nascimentos nos primeiros meses da estação de partos.

Os pesos ao desmame nos cenários que usaram IATF foram mais elevados. Assim, o cenário IATF+MN desmamou seus bezerros com 186 e 170 kg, respectivamente para machos e fêmeas. Finalmente o cenário com 2IATF+MN desmamou bezerros com 184 e 168 para machos e fêmeas. Enquanto que, o cenário de MN teve uma média de peso à desmama de 166 e 151 kg, para fêmeas e machos respectivamente.

Todos os aspectos técnicos, descritos anteriormente, influenciaram a estrutura de custo do rebanho. Desta forma, o custo operacional efetivo (COE), item que agrupa mão de obra, mecanização, insumos, tributos, energia, reparos e custos administrativos entre outros, foi de R$ 6,64, R$ 5,37 e R$ 5,43 por kg produzido, para MN, IATF+MN e 2IATF+MN.

Desta forma, podemos concluir que, embora sejam necessários investimentos adicionais, o uso da IATF diminui, sim, o custo de produção de bezerros, especificamente o COE em torno de R$ 1,27 por kg de bezerro produzido.

Os resultados apresentados aqui neste conteúdo são preliminares, podendo ser alterados até o término da pesquisa e, análises estatísticas estão sendo feitas para comprovar as diferenças no custo de produção de bezerros apontadas. Lembra-se que os dados aqui publicados referem-se a tese de doutorado do aluno Oscar Alejandro Ojeda Rojas. Mais informações podem ser dadas via e-mail alejandro.ojeda@usp.br

E por falar em custo de produção de bezerros, pesquisador do LAE/USP, Danny Moreno, apresenta dados de estudo que avalia o benefício ambiental e a rentabilidade da integração lavoura-pecuária. Afinal, além de eficaz em termos da produção pecuária sustentável, será que a rentabilidade da integração lavoura-pecuária é melhor frente aos sistemas convencionais?

Oscar Alejandro Ojeda Rojas: Gradou-se em Medicina Veterinária e Zootecnia, tem especialização em reprodução bovina pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina, 2013) e concluiu seu mestrado pela USP/FZEA, no Programa de Gestão e Inovação na Indústria Animal. Atualmente, está vinculado ao grupo de pesquisa do LAE e doutorando da USP pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal (VNP). Tem experiência nas áreas de gestão da produção, reprodução bovina e análises econômico-financeiras de sistemas pecuários.

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