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Produção integrada: melhores resultados produtivos e ambientais

Saiba que os benefícios da produção integrada, lavoura-pecuária-floresta, vão além da produtividade e do retorno econômico.

A questão da segurança alimentar (clique aqui) é um dos assuntos de maior relevância na atualidade, já que envolve tanto a oferta de alimentos e o modo como seja produzido.

Aliás, esse é um ponto importante, pois quando falamos em pecuária de corte e o meio-ambiente,  um dos assuntos que vem à tona e o das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Pois é, embora polêmico, o assunto tem desafiado pesquisadores e pecuaristas no sentido de promover uma maior eficiência produtiva e ao mesmo tempo em que reduzem as emissões de GEE. E é justamente ai que entra o conceito da produção integrada!

Atualmente a produção integrada se apresentam como uma estratégia dirigida à sustentabilidade, associando os sistemas agrícolas, pecuários e – em alguns casos – os florestais dentro de uma mesma área, gerando assim uma simbiose no sistema.

Em um estudo científico recente, de 2017, foi estimado durante um período de 10 anos a pegada de carbono (PC) em kg CO2eq/ha, de novilhos nelore na etapa de engorda e da lavoura estimadas em kg/ha, em 3 diferentes sistemas de produção:

  • 1) pastagens degradadas (PD), não apresentando nenhum manejo na terra, tampouco insumos para manutenção ou melhora das pastagens;
  • 2) manejo de pastagem (MP), foram utilizados fertilizantes com nitrogênio, fósforo e potássio (N, P e K), herbicidas, suplementação animal, e diesel para as atividades operacionais de máquinas; e
  • 3) sistema de produção integrada de lavoura-pecuária-floresta (SiLPF) no qual, além de ter como atividade principal a engorda de novilhos, foi  estabelecimento eucalipto, feijão-guandu, e produção de grãos de milho, soja, e sorgo.

Na Tabela 1, abaixo, pode-se observar os parâmetros produtivos mais importantes e rendimento na produção final obtido.

produção integrada

O cenário sob PD apresentou o menor desempenho produtivo de PV anual com 43,25 kg ha-1, seguido do SiLPF e MP com 582,03 kg ha-1 e 899,36 kg ha-1 respectivamente. Apesar do SiLPF ter produzido apenas 64,7% da produção em quilos de PV do MP em 7,5 anos, isso aconteceu sem o fornecimento de suplementação aos animais.

É importante esclarecer que no SiLPF inicialmente apresentou atividades de lavoura e floresta por 2,5 anos, após da colheita e o crescimento do eucalipto, início o período de engorda de novilhos nelore por 7,5 anos; deste modo, foram avaliados os 10 anos de produção pelo SiLPF.

Na Tabela 2, abaixo, pode-se observar as estimativas das emissões de GEE que apresento cada cenário.

Com relação as estimativas das emissões de GEE geradas por cada um dos cenários (Tabela 2), se observou que estas foram maiores no cenário MP com 84.541 kg CO2eq por ha ao longo dos 10 anos, o qual é produto de uma maior fermentação entérica; no entanto, este cenário apresentou a menor pegada de carbono por quilo de PV produzido com 9,4 kg CO2eq por kg de PV, no SiLPF foi de 12,6 kg CO2eq por kg de PV e no cenário de PD foi de 18,5 kg CO2eq por kg de PV, sendo este último sistema produtivo o que apresentou o menor rendimento e a maior emissão de GEE. 

Apesar do cenário MP ter apresentado desempenho produtivo satisfatório e um menor impacto ambiental, não foi o melhor cenário dos três avaliados, já que, a estimativa do potencial de acúmulo de carbono na terra e de sequestro do CO2 pelo componente florestal, colaborou com a queda das emissões geradas nos cenários MP e SiLPF; contudo, o cenário SiLPF apresentou um potencial significativo de compensação das emissões de GEE causada pela engorda de gado de corte, reduzindo a pegada de carbono do sistema de 12,6 a -28,1 kg CO2eq por kg de PV produzido no período avaliado.

Portanto, pode-se afirmar que o caminho para um setor agropecuário com maior desenvolvimento e melhor sustentabilidade se encontra com a mudança de pastagens degradadas, por pastagens com um melhor manejo e incorporando SiLPF, sistema que pode favorecer à redução das emissões geradas pelo próprio sistema e por sua vez aumentar a produção de carne, grão e madeira.

E por falar em sistema de produção integrada e aspectos relacionados ao meio-ambiente, clique aqui e confira o que, de fato, sabemos sobre o impacto da produção animal e o meio-ambiente!

Os dados se referem a pesquisa “Greenhouse gas balance and carbon footprint of beef cattle in three contrasting pasture-management systems in Brazil” de Figueiredo, E. B., publicada em 2017, na Journal of Cleaner Production.

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