sistema de pastejo

Sistema de pastejo e a relação planta-animal

Pesquisadores do LAE/USP, Danny Moreno e Yuli Bermudez avaliam o sistema de pastejo e a relação planta-animal.

Um elemento importante na produção de ruminantes é a relação planta-animal no processo de pastoreio, tornando-se a qualidade da pastagem um aspecto determinante no desempenho produtivo do animal e, cabe destacar que o potencial produtivo das pastagens pode ser afetado pelas mudanças climáticas, fertilização, tempo de descanso e a altura pré e pós-pastejo, o que gera forte variação na estrutura das pastagens e no rendimento dos animais.

Práticas de manejo das pastagens têm sido desenvolvidos e implementados com a finalidade serem mais eficientes e produtivos. Tradicionalmente é usado o sistema continuo (SC) de pastejo, a principal característica é a permanência prolongada dos animais nas pastagens e, normalmente, são pastagens nativas, que apresentam crescimento, produção e qualidade baixos. Quando a carga animal é utilizada inadequadamente, implicações na estrutura do solo surgem deteriorando-o. Além disso, a distribuição irregular de fezes e urina na área afeta a produtividade e a qualidade das forragens. 

Outro sistema usado é o sistema rotacional (SR), baseado principalmente na maximização do acúmulo e colheita de forragem, em vez de maximizar a produção do animal. O SR permite que a pastagem descanse por um período de tempo necessário para que as plantas recuperem as suas reservas e não prejudiquem seu crescimento. Na prática, o pastejo rotacionado consiste em subdividir uma área ou pastagem em várias parcelas (piquetes) que serão sistematicamente pastejadas, de modo que, enquanto uma parcela é pastejada, as demais descansam.

O sistema racional Voisin (PRV) é um sistema de manejo de pastagens baseado na intervenção humana permanente, o qual procura um desenvolvimento da vida animal, da pastagem e do ambiente, levando em consideração a biocenose do solo. Este sistema depende das condições climáticas e da fertilidade do solo, para determinar os dias de descanso e ocupação da área de pastagem. O PRV é baseado em quatro práticas de manejo, as quais devem de ser implementadas:

 1. Do repouso: a área de pastejo deve descansar o suficiente para que possa recuperar-se e atingir o ponto ideal para ser novamente consumida;

2. Da ocupação: retirar os animais do pasto a tempo, evitando o consumo da rebrota, essencial para o crescimento da planta;

3. Da ajuda: é necessário manejar os animais que apresentam os mais altos requerimentos nutricionais a colherem a maior quantidade de pasto e que a forragem fornecida seja da melhor qualidade possível e;

4. Dos rendimentos regulares: a permanência dos animais no piquete não deve exceder 3 dias; no final deste período, as pastagens e dejetos são fortemente pisoteados.

Uma alternativa recente no manejo das pastagens é o pastoreio Rotatínuo (RN), baseado no comportamento dos animais, a fim de identificar as alturas ideais das forragens de diferentes espécies de gramíneas, ditas alturas são definidas antes e após o pastejo, com a finalidade de aumentar a ingestão de nutrientes por unidade de tempo de pastejo.  Este sistema apresenta um manejo clássico, com períodos de descanso orientados para o acúmulo máximo de forragem e máxima eficiência de consumo; caracterizado também por baixa intensidade de pastejo e alta frequência de retorno às faixas de pastejo.

Estudo desenvolvido por Savian et al. (2018), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, avaliaram pastagens de Azevém italiano (Lolium multiflorum) em pastejo com ovinos machos castrados do cruzamento das raças Texel x Polwarth, sobre um sistema de sistema continuo (SC) e o pastoreio rotatínuo (RN), se comparou o consumo de matéria orgânica e digestibilidade.

O manejo do pasto proposto no tratamento do RN resultou em uma ingestão de forragem 23% maior quando foi comparado com o tratamento SC. Esses achados foram apoiados pela maior ingestão de forragem (801 e 653 g de MO-1 animal-1 dia-1) e ingestão de energia, consequentemente, proporcionou maior ganho diário de peso vivo (GDP), que foi de 119 e 47 g /animal para os tratamentos RN e SC, respectivamente (Tabela 1). Estes resultados se tornam relevantes no gerenciamento dos sistemas pecuários que procuram aumentar a produtividade animal principalmente a pastoreio, e que devem ter como objetivo principal atingir a maior ingestão possível de energia metabolizável, como observado no tratamento do RN.

Tabela 1. Consumo e digestibilidade de ovinos em pastagens de azevém italiano sob diferentes estratégias de manejo

Neste experimento também foi simulado um sistema de produção no qual os ovinos começaram a pastejar com 22 kg de peso corporal até atingir 35 kg para o posterior abate, sendo este último o peso vivo ótimo para os cordeiros atingirem uma nota de gordura corporal entre 2 e 3 (na escala de 0 a 5), portanto, a partir dos resultados deste experimento, os animais precisariam de 109 e 276 dias de pastejo para atingir esse PV nos tratamentos RN e SC, respectivamente.

A estrutura ideal da forragem e a maior qualidade da dieta do azevém italiano encontradas no manejo da pastagem com base no comportamento dos animais, conhecida como “rotatínuo” (RN), resultaram em maior digestibilidade da forragem, ingestão de matéria orgânica e energia metabolizável no pastejo de ovinos em comparação com o SC. Por conseguinte, o RN surge como uma oportunidade de melhorar a eficiência alimentar dos animais o que consequentemente se pode traduzir em aumento da renda ao produtor. 

E mudando o assunto, de sistema de pastejo, pesquisador do LAE/USP, Oscar Ojeda, destaca a importância da IATF na redução do custo de produção de bezerros. Clique aqui e confira!

Autores: Yuli Andrea Peña Bermudez, Zootecnista e estudante de Mestrado da Universidade de São Paulo e Danny Alexander Rojas Moreno, Zootecnista e estudante de Mestrado da Universidade de São Paulo.

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