A conta que ninguém queria fazer: safrinha avança com milho 18% mais barato e diesel 16% mais caro!
Junho marca o ritmo forte da colheita do milho safrinha no Centro-Oeste e no Paraná. Na base do Aegro Insights, uma em cada quatro fazendas de milho de Mato Grosso já registra as primeiras cargas colhidas, o dobro do início do mês.
A colheita deixou de ser pontual e começou a se espalhar pelos talhões. É também o momento em que duas contas silenciosas se encontram na fazenda: o milho que vale menos do que valia no início do ano e o diesel que custou mais do que custava no plantio.
O grão recuou. O combustível avançou.
Os dados de vendas registradas no Aegro Insights mostram os dois lados desta safra.
Do lado da receita, as vendas de milho em Mato Grosso saíram de uma mediana de R$55 por saca em janeiro para R$45 em junho, queda de 18% em cinco meses, pressionada pelo volume concentrado da colheita. No Paraná, o preço se sustentou na faixa de R$60 o semestre inteiro. A mesma saca de milho vale R$15 a mais do lado paranaense, spread que reflete distância do consumo e logística, e que raramente entra na conta de quem compara produtividade entre estados.
Do lado do custo, mais de 50 mil notas fiscais de compra de diesel em MT, GO, MS e PR mostram o filme do combustível.
Em fevereiro, mês do plantio da safrinha, a mediana paga pelas fazendas foi de R$5,74 por litro. Em março, o preço saltou 24% em um único mês, para R$7,10. O pico veio em abril, a R$7,18, e a colheita avança com o litro a R$6,65, ou seja, 16% acima do diesel que encheu o tanque no plantio.
Uma lavoura de milho safrinha consome em média 43 litros de diesel por hectare ao longo do ciclo. A conta da alta é direta: 43 L/ha × R$0,91 de variação resulta em cerca de R$39/ha, ou 0,7 saca por hectare ao preço atual. Quem abasteceu no pico de março e abril pagou R$1,44 a mais por litro que no plantio, o que representa mais de 1,1 sc/ha evaporando só no combustível.
Mas o dado mais revelador não é a alta, mas sim a diferença dos preços em uma mesma região
No mesmo mês de junho, na mesma região, as fazendas no piso da base do Aegro Insights pagam R$5,59 pelo litro do diesel, enquanto as do topo pagam R$7,54. Quase R$2,00 de diferença pelo mesmo produto, no mesmo estado.
Aplicada aos 43 L/ha do ciclo, essa diferença de negociação vale R$84/ha, cerca de 1,5 saca por hectare que muda de mãos antes de qualquer decisão agronômica. Em 1.000 hectares de safrinha, são 1.500 sacas definidas não na lavoura, mas na forma de comprar o combustível. Quem não compara, paga o preço de quem não compara.
A relação de troca que ninguém quer fazer
A conta da safrinha 2026 já aponta o próximo desafio. A ureia, principal insumo nitrogenado do milho, rodou estável perto de R$3.350 por tonelada entre junho de 2025 e março de 2026. De abril para cá, mudou de patamar: R$3.980 em abril, R$4.068 em maio e acima de R$4.300 nas notas mais recentes, alta de quase 30% em poucos meses, impulsionada pelo conflito no Estreito de Ormuz, rota de cerca de um terço dos embarques mundiais de fertilizantes.
A relação de troca mostra o tamanho do aperto: em fevereiro, o produtor mato-grossense entregava cerca de 67 sacas de milho para comprar 1 tonelada de ureia. Em junho, são cerca de 96 sacas. Vender milho no fundo do mercado para travar adubo no topo é cristalizar as duas pontas no pior momento de cada uma.
Há um detalhe que o preço na revenda ainda não reflete: nos portos brasileiros, a ureia já recua há semanas, com o mercado precificando alívio adicional caso o conflito caminhe para uma saída. O que o produtor paga hoje é o repasse defasado do pico. Para quem tem flexibilidade no calendário de adubação, acompanhar a relação de troca e esperar o cenário se definir tende a ser mais prudente do que correr para a compra.
O número que vale mais que qualquer previsão
Com a colheitadeira no talhão, o preço do diesel por litro é a variável que mais depende da decisão do próprio produtor: entre R$5,59 e R$ 7,54, a faixa real paga pelas fazendas neste mês, existe 1,5 sc/ha de margem em jogo. Com o milho mato-grossense a R$45 e 18% abaixo do início do ano, cada saca conta.
A safrinha 2026 está sendo colhida com diesel 16% mais caro e, no Centro-Oeste, com milho 18% mais barato do que em janeiro. Quem mede sabe exatamente o que essa conta significa para a sua fazenda. Quem não mede descobre no fechamento, quando não dá mais para fazer nada a respeito.
Compare Safras: acompanhe os custos e margens da safrinha com os dados reais da sua região.
Agende uma demonstração para conhecer o Compare Preços Premium.
Dados: Aegro Insights — vendas de milho, mais de 50 mil notas fiscais de compra de diesel e fertilizantes (2025–2026) de fazendas que utilizam o Aegro para gestão operacional e financeira em MT, GO, MS e PR.
Vale destacar também que análise feita pelo Aegro Insights com base em 270 mil notas fiscais aponta que a falta de dados de referência na hora da negociação penaliza a rentabilidade das propriedades na compra do insumo.
O resultado é que o produtor pode pagar até 57% mais caro o mesmo insumo na mesma região. Clique aqui e saiba mais!
O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!







