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Mito da alta produtividade: colher mais não garantiu bolso cheio na safrinha

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Existe uma crença confortável no campo: produtividade alta na safrinha garante bolso cheio.

Os dados fechados da safrinha 2025 não confirmaram isso, nem entre fazendas, nem entre estados. E os dados de 2026 provavelmente dirão a mesma coisa.

No recorte do milho safrinha 2025 em MT, GO, MS e PR, com 102 fazendas que registraram custos e receitas de forma completa no Compare Safras do Aegro Insights, a comparação entre o grupo 10% mais lucrativo e a média regional mostra onde a margem se decidiu.

Produtividade 12% maior. Custo por saca 36% menor.

Os produtores dentro do recorte Top 10%, ou seja aqueles 10% que foram os melhores da safrinha 2025, colheram 136 sc/ha. A média regional é 122 sc/ha, demonstrando, portanto, diferença de apenas 12% na produtividade.

O custo por saca produzida, porém, foi de R$28 no grupo mais lucrativo, contra R$44 da média, ou seja, 36% menor. A vantagem não esteve em colher mais, mas sim em produzir cada saca gastando menos.

O ponto de equilíbrio conta essa história melhor que qualquer outro número: a média regional precisou de 92 sacas por hectare para pagar a conta da lavoura. O Top 10% zerou a mesma conta com 62 sacas. Foram 30 sacas de folga por hectare antes de o preço do milho entrar na conversa.

Quando o mercado aperta, como está apertando em Mato Grosso neste primeiro semestre com a saca a R$45 e queda de 18% desde janeiro, essa folga é a diferença entre escolher quando vender e ser obrigado a vender.

Mato Grosso colheu mais. O Paraná vendeu mais caro. Os dois quase empataram.

O comparativo entre os dois principais pólos da safrinha na safra 2025 reforça o argumento. Mato Grosso colheu em média 132 sc/ha, com custo por saca de R$38 e preço de venda de R$46. O Paraná colheu 111 sc/ha, com custo por saca de R$44 e preço de venda de R$56. O resultado final: 38 sc/ha de margem em MT, 32 sc/ha no PR. Quase empatados.

A diferença ficou no risco. O produtor mato-grossense precisou de 94 sc/ha para pagar a lavoura, ou seja, 71% da produtividade média, enquanto o paranaense pagou 80 sacas. E em 2026, com o milho a R$45 no Centro-Oeste, a folga entre ponto de equilíbrio e colheita encolheu junto com a capacidade de esperar preço melhor.

Onde a eficiência em máquinas realmente apareceu

O detalhe mais revelador da safra 2025 está na composição do custo de mecanização. O Top 10% gastou R$466/ha com máquinas, contra R$572/ha da média, ou seja, 19% menos. A economia, porém, não veio de onde se imagina.

Os dois grupos consumiram praticamente o mesmo diesel: 43,7 L/ha no Top 10%, 42,7 L/ha na média. Ninguém colhe milho sem rodar máquina. A eficiência não esteve em cortar o litro de diesel, mas em pagar menos por ele e em diluir o custo fixo da mecanização sobre uma operação bem planejada.

O grupo mais lucrativo gastou mais em manutenção, não menos: R$137/ha contra R$128/ha da média. Em compensação, gastou três vezes menos na linha de “outros custos de máquinas”, onde se escondem a quebra não programada, o conserto de emergência, a peça com frete urgente e a colheitadeira parada no auge da janela.

Manutenção planejada na entressafra custa menos que reparo de urgência em junho, quando cada dia parado significa milho perdendo umidade e preço no campo.

Fica claro que o produtor mais lucrativo não foi o que apertou o orçamento de máquinas, mas aquele que decidiu onde gastar antes de a safra decidir por ele.

A régua para a sua colheita

Com a colheitadeira no talhão, dois números valem mais que qualquer projeção de mercado.

Seu custo por saca produzida. Na safra 2025, a média regional fechou em R$44 e o Top 10% em R$28. É a referência mais honesta para avaliar o próprio desempenho quando a sua safra fechar, e o ponto de partida para entender onde a margem foi perdida.

Seu ponto de equilíbrio em sacas. É ele que define a liberdade de comercialização nos próximos meses, não a produtividade do vizinho. No Mato Grosso de hoje, com a saca a R$45, cada saca de equilíbrio a menos vale mais do que valia em janeiro.

A safra 2025 mostrou que a vantagem do grupo mais lucrativo não foi colher muito mais, foi produzir com muito menos custo por unidade. Na safra 2026, com milho em queda e diesel em alta, essa lição ficou mais cara de ignorar.

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Dados: Aegro Insights — safras qualificadas do Compare Safras (milho 2ª safra 2025) e notas fiscais de compra de diesel e fertilizantes de fazendas que utilizam o Aegro para gestão operacional e financeira em MT, GO, MS e PR.

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Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

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