Você conhece a matriz de risco?

Nadia Alcantara
Farmnews

Na sequência da nossa série sobre gestão de risco e seguros no agronegócio, quero falar agora de uma ferramenta muito importante para transformar percepção em prioridade: a matriz de risco.

Na prática, essa matriz funciona como um mapa visual que ajuda a organizar os riscos já identificados a partir de duas perguntas muito simples, mas extremamente relevantes:

Qual é a chance de esse evento acontecer?

E, se ele acontecer, qual será o impacto no meu negócio?

Parece simples e, de certo modo, é mesmo. Mas esse exercício faz muita diferença. Porque uma coisa é saber que existem vários riscos ao redor da atividade. Outra, bem diferente, é conseguir avaliar quais deles realmente merecem mais atenção, mais investimento e uma estratégia mais clara de mitigação.

É aí que a matriz de risco se torna útil.

O primeiro eixo da análise é a frequência ou probabilidade de ocorrência do evento. Em outras palavras: com que frequência esse risco tende a acontecer?

De forma geral, podemos pensar assim:

Baixa probabilidade: é o risco que nunca aconteceu ou aconteceu raríssimas vezes. Isso não significa que ele deva ser ignorado. Alguns eventos climáticos extremos, por exemplo, podem não ser frequentes, mas ainda assim exigem atenção.

Média probabilidade: é aquele risco que acontece de vez em quando, com alguma recorrência. Acidentes de trabalho, falhas operacionais ou quebra de maquinário costumam entrar nessa categoria, dependendo da atividade e do nível de controle da empresa.

Alta probabilidade: é o risco que está muito presente na rotina do negócio, ocorrendo com frequência elevada – quase todo dia, toda semana, todo mês ou todo ano.

O segundo eixo da matriz é o impacto. Aqui a pergunta é outra: se esse evento acontecer, qual é o tamanho do dano que ele pode causar?

Também podemos dividir de forma simples:

Baixo impacto: são eventos que afetam pouco a continuidade da atividade e geram consequências limitadas.

Médio impacto: são aqueles que já provocam algum prejuízo, exigem resposta da gestão e podem comprometer parte do resultado.

Alto ou altíssimo impacto: são os eventos que colocam em risco a continuidade do negócio, pressionam fortemente o caixa, desorganizam a operação ou comprometem contratos e investimentos.

Esse cruzamento entre probabilidade e impacto é o que dá valor à matriz.

Porque nem sempre o risco mais frequente é o mais perigoso. E nem sempre o risco mais raro é irrelevante. Às vezes, um evento acontece pouco, mas, quando acontece, deixa um prejuízo enorme. Em outros casos, o evento é recorrente, mas tem impacto relativamente pequeno. A matriz ajuda justamente a organizar essa leitura.

Quando você plota a matriz de risco, passa a visualizar melhor quais deles estão em zonas mais críticas e, portanto, precisam de tratamento prioritário.

Isso é especialmente importante porque nenhum negócio tem recursos ilimitados. Nem tempo, nem dinheiro, nem equipe. Então, se os recursos são limitados, a gestão do risco também precisa ser feita com prioridade.

Esse talvez seja um dos grandes ganhos da matriz: ela ajuda o gestor a sair de uma percepção genérica de ameaça e avançar para uma lógica mais racional de decisão.

Em vez de tentar tratar tudo ao mesmo tempo, a empresa começa a entender:

  • quais riscos precisam de ação imediata,
  • quais exigem monitoramento constante,
  • quais podem ser acompanhados com menor intensidade,
  • e quais demandam uma estratégia robusta de mitigação.

No agronegócio, isso faz ainda mais sentido. Porque estamos falando de um setor cercado por riscos de naturezas muito diferentes – climáticos, operacionais, biológicos, financeiros, regulatórios, humanos – e que muitas vezes se conectam entre si.

Por isso, a matriz de risco não é apenas uma ferramenta técnica. Ela é uma forma de ajudar a gestão a decidir melhor onde colocar energia e proteção.

matriz de risco

Figura 1: Exemplo de matriz de risco simples que pode ser aplicada no dia a dia da empresa.

 

Em resumo, construir uma matriz de risco é um passo importante para qualquer empresa que queira tratar o tema com mais método e menos improviso.

Depois de identificar os riscos e entender quais são os mais críticos, vem a próxima pergunta: o que fazer com eles?

E é exatamente sobre isso que vamos falar no próximo artigo, quando entraremos nas quatro estratégias de tratamento dos riscos.

Espero que esteja gostando do conteúdo, e fique a vontade para deixar um comentário e me contatar via mensagens!

Não hesite em mandar comentários, dúvidas e interagir comigo nos artigos. A ideia é gerar cada vez mais sensibilização para essa temática tão importante para sustentabilidade do setor Agro!

Até o próximo artigo!

Aviso: esse artigo reflete uma opinião pessoal; não é recomendação técnica/atuarial nem orientação de compra.

Saiba também que, quando falamos de risco no agronegócio, precisamos olhar para o sistema agroindustrial como um todo.

A primeira dimensão é o risco de mercado. Esse é muito visível nas cadeias ligadas a commodities, como grãos, açúcar, proteína animal e várias outras. Preços de venda oscilam. Custos de produção também. Fertilizantes, defensivos, energia, frete, mão de obra e câmbio podem mudar rapidamente. Clique aqui e saiba mais!

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