Análise feita pelo Aegro Insights com base em 270 mil notas fiscais aponta que a falta de dados de referência na hora da negociação penaliza a rentabilidade das propriedades na compra do insumo.
A compra de insumos é um dos momentos mais críticos para a composição dos custos e da margem de lucro de uma safra. No entanto, um levantamento inédito realizado pela vertical de inteligência de dados Aegro Insights revela que o mercado de defensivos agrícolas opera sob uma forte assimetria de informações, fazendo com que produtores rurais da mesma região paguem valores brutalmente diferentes pelo exato mesmo produto.
O estudo analisou 270 mil notas fiscais de transações de compra de insumos nos últimos 12 meses, distribuídas nos cinco estados com maior volume de movimentação agrícola do país: Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. O recorte avaliou 47 dos principais produtos das classes de herbicidas, inseticidas, fungicidas, biológicos e adjuvantes.
Os resultados põem em xeque a ideia de que o mercado de insumo agrícola é padronizado. Em todas as categorias avaliadas, a diferença real de preços entre o grupo dos 10% que compram mais barato (P10) e os 10% que pagam mais caro (P90) ficou sempre acima de 16%, superando a marca dos 30% em diversos cenários.
Diferença de R$ 222 mil em fazendas vizinhas
Para ilustrar o cenário de distorção, a pesquisa identificou um caso real ocorrido no estado de Mato Grosso. Duas propriedades vizinhas adquiriram o fungicida Fox Xpro no mesmo volume (cerca de 1.800 a 1.940 litros), no mesmo mês, sob a mesma forma e prazo de pagamento. Enquanto a primeira fazenda fechou o negócio a R$215,34 por litro, a segunda desembolsou R$339,17 pelo mesmo produto — uma amplitude de 57,5%. Na ponta do lápis, o produtor que negociou sem referências gastou R$222.891,00 a mais desnecessariamente.
De acordo com os analistas responsáveis pelo levantamento, a disparidade constatada não se deve a flutuações sazonais, marcas comerciais ou prazos de financiamento distintos, mas sim ao nível de informação disponível no momento da barganha. Quem não possui referências de preço locais acaba negociando “no escuro” com os canais de distribuição e revendas.
Como blindar a propriedade rural
O levantamento ressalta duas alavancas primordiais para blindar a rentabilidade das propriedades: a realização constante de cotações múltiplas (no mínimo com três fornecedores para os insumos mais pesados) e o acesso a históricos e médias de valores praticados por região.
Em um cenário de margens cada vez mais estreitas para commodities como soja e milho, a consistência nas compras passa a ser um diferencial competitivo obrigatório. O levantamento indica que o controle rigoroso de custos e ferramentas tecnológicas de comparação de mercado são os caminhos mais eficientes para retirar o fator “sorte” da gestão financeira e garantir a sustentabilidade do negócio no campo.
Nesse contexto, a Aegro lançou o Compare Preços Premium, um painel de inteligência de preços de insumos agrícolas construído sobre 1,7 milhão de notas fiscais eletrônicas em 28 estados.
Com atualização diária, o produto permite ao produtor comparar cada compra de insumo contra a distribuição real de preços da sua região: uma referência que, até agora, só o fornecedor tinha quando ligava para fechar o pedido.
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