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Mercado de milho avalia perdas devido ao clima e redução da oferta global

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O mercado de milho segue atento aos dados da produção brasileira e a oferta global, além do avanço da estiagem no Centro-Oeste.

De acordo com a MerX para o mercado de milho aponta um cenário de maior preocupação para a safra brasileira, especialmente diante do agravamento das condições climáticas nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste.

A análise indica que o mercado de milho segue sustentado no curto prazo pelos riscos climáticos e pela redução esperada da oferta global, embora o médio prazo ainda carregue fatores de pressão relacionados aos estoques internacionais.

E por falar em preço, os valores do milho (Cepea) seguem relativamente estáveis ao longo de maio (Figura).

A Figura apresenta a evolução diária do preço nominal do milho (Cepea), avaliado em Reais por saca (60kg) desde 2024.

mercado do milho
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

A estimativa da produção brasileira de milho safrinha foi revisada para 110,9 milhões de toneladas, queda de 7,4% em relação ao ciclo anterior. A MerX também mantém alerta para novas revisões baixistas nos próximos 30 dias, diante da continuidade do clima seco em importantes áreas produtoras.

O Farmnews inclusive destacou para os dados esperados da produção, demanda e estoque de milho previsto para a safra 2026/27, conforme dados do USDA de maio de 2026.

A previsão do USDA é que a produção mundial de milho caia na safra 2026/27, com perspectiva de 1,29 bilhão de toneladas, valor 1,3% abaixo da expectativa para a safra 2025/26 que, inclusive será recorde histórico. A produção mundial de milho na safra 2026/27 deve cair na safra 2026/27, após o recorde histórico de 2025/26. A queda foi impulsionada, principalmente pela expectativa de queda na produção dos EUA e Argentina.

No Brasil, o estoque final de milho deve cair 1,7% em 2026/27 e alcançar 11,38 milhões de toneladas. No entanto, a maior queda relativa deve acontecer para os países da UE, com estoque estimado em 4,88 milhões de toneladas, em 2026/27, valor 20,0% abaixo da esperada em 2025/26 (6,10 milhões de toneladas).

O Mato Grosso, principal produtor de milho safrinha do país, acumula déficit hídrico de 99 mm nos 60 dias encerrados em 16 de maio. As chuvas praticamente desapareceram desde o fim de abril, caracterizando antecipação da estiagem típica do inverno no Centro-Oeste. A previsão climática para os próximos 15 dias segue desfavorável tanto para o Centro-Oeste quanto para a região do Matopiba.

O maior risco de perda de produtividade está concentrado nas lavouras implantadas mais tardiamente, especialmente aquelas semeadas entre fevereiro e início de março, que ainda dependem de umidade residual do solo durante a fase de enchimento de grãos. As regiões mais vulneráveis são o norte de Mato Grosso e Goiás, enquanto Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam menor exposição ao estresse hídrico devido às chuvas registradas em abril.

No cenário internacional, o relatório ressalta que as projeções iniciais do WASDE 2026 apontam redução de 32,1 milhões de toneladas na produção de milho dos Estados Unidos, estimada em 400,2 milhões de toneladas. Os estoques finais norte-americanos também devem cair para 46,7 milhões de toneladas, reduzindo a relação estoque/uso para 11,4%, nível considerado de suporte para os preços na CBOT em torno de US$5,0 por bushel.

A análise também chama atenção para os impactos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre os custos globais de produção agrícola. O fechamento do Estreito de Ormuz para países não alinhados ao Irã elevou os preços dos fertilizantes em aproximadamente 30% no mercado norte-americano desde o início das tensões geopolíticas. O aumento no custo do nitrogênio pode estimular uma migração de área do milho para a soja nos EUA, reduzindo ainda mais a oferta do cereal.

Outro fator de sustentação para o mercado é a expectativa de crescimento das importações chinesas de milho. Segundo o relatório, as compras da China podem atingir 8 milhões de toneladas na safra 2025/26, contra 1,8 milhão de toneladas no ciclo anterior.

Apesar disso, o mercado ainda convive com fatores baixistas relevantes. Os estoques trimestrais de milho nos Estados Unidos somam 229,1 milhões de toneladas, alta de 10,6% frente ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a produção sul-americana total para a safra 2025/26 é estimada em 201,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,3% na comparação anual, impulsionada principalmente pela recuperação da safra argentina.

Na Argentina, a produção foi revisada para 61 milhões de toneladas, beneficiada pela melhora das condições climáticas. A colheita alcançou 32% da área na semana 19, mantendo ritmo próximo da média histórica. Ainda assim, o relatório alerta para possíveis atrasos operacionais caso as chuvas previstas para a segunda metade de maio se confirmem nas regiões produtoras.

Os Estados Unidos seguem ampliando sua presença no mercado exportador global, recuperando participação em destinos tradicionalmente atendidos pelo Brasil, como México, Japão e Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, a ausência da China no mercado internacional mantém pressão sobre os prêmios de exportação.

Na avaliação consolidada do relatório, o mercado de milho apresenta viés neutro no curto prazo e baixista no médio prazo, refletindo o equilíbrio entre os riscos climáticos no Brasil e a perspectiva de estoques globais ainda elevados.

E mudando de assunto, o Farmnews atualizou a análise do mercado de fertilizantes no final de maio. A fraca demanda mantém os preços pressionados, especialmente dos nitrogenados, mas o câmbio limitou queda de preço mais expressiva.

A MerX é uma agfintech que integra rastreabilidade, crédito e trading para o agronegócio. Com uma plataforma digital que combina inteligência de mercado, serviços financeiros e gestão de contratos, a empresa empodera produtores rurais e cerealistas, promovendo sustentabilidade e eficiência na cadeia produtiva.

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Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

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