Na primeira metade de 2026 a relação de preço da ureia e do milho subiu, ressaltando o momento de preocupação com relação ao poder de compra do agricultor.
Vale destacar que a importação de ureia pelo Brasil em 2026 caiu sensivelmente e o preço da matéria-prima no mercado internacional voltou a subir (primeira Figura).
A importação de ureia pelo Brasil ficou abaixo do praticado no mesmo período dos anos anteriores e o preço em junho foi o maior para o período do ano desde 2022.
O fato é que a importação de ureia pelo Brasil despencou em 2026 e em junho, a compra de 191,3 mil toneladas foi 56,0% menor que a praticada no mesmo período de 2025 e o patamar mais baixo ao longo da série iniciada em 2018
A Figura apresenta a evolução mensal do preço de importação da ureia (FOB), em dólares por tonelada, entre janeiro de 2020 e junho de 2026.

E nesse contexto, o preço do milho, embora mostre sinais de recuperação em julho, foi bastante pressionado na primeira metade do ano (segunda Figura).
Apesar da recuperação na parcial de julho, o valor médio mensal segue próximo do menor patamar do ano e, muito abaixo dos valores nominais praticados entre os anos de 2021 e 2022.
O preço do milho segue em recuperação em julho, superando o valor praticado em 2025 e precificando a continuidade da alta frente mesmo período do ano anterior.
A Figura apresenta a evolução mensal do preço nominal do milho (Cepea), em Reais por saca, entre janeiro de 2020 e a parcial de julho de 2026 (até o dia 17).

O resultado do preço de importação da ureia (FOB) em alta e do preço do milho pressionado foi a queda no poder de compra do agricultor (terceira Figura).
A relação de preço da ureia e do milho, considerando o valor médio de importação (FOB) mostrou uma realidade preocupante em 2026. Isso porque em junho foram necessárias, em média, 47,11 sacas de milho para importar uma tonelada de ureia (já convertido para a moeda nacional), o maior valor ao longo da série iniciada em 2020.
A Figura apresenta relação do preço médio de importação de ureia (FOB, COMEX), em Reais por tonelada e do preço médio do milho (Cepea), em Reais por saca, entre janeiro de 2020 e junho de 2026.

Além do recorde de junho de 2026, o valor médio na primeira metade de 2026 foi de 38,54 sacas de milho para importar o equivalente a uma tonelada de ureia (FOB), valor muito acima da quantidade necessária em 2025 e superior ao recorde anterior para o período do ano, de 2022 (37,91 sacas), como mostram os dados da quarta Figura.
Isso reforça o momento de dificuldade da agricultura em 2026 e a preocupação com o resultado do produtor.
A expectativa é que o preço do milho suba na segunda parte de 2026 e início de 2027 (clique aqui), e o preço da ureia, apesar das incertezas e volatilidade, deve permanecer em queda.
Caso essa expectativa se confirme, o poder de compra do agricultor tende a melhorar, com a queda na relação de preço da ureia e do grão. No entanto, mesmo com a melhora no poder de compra, o cenário deve seguir desafiador.
A Figura apresenta relação do preço médio de importação de ureia (FOB, COMEX), em Reais por tonelada e do preço médio do milho (Cepea), em Reais por saca, no 1° semestre, entre 2018 e 2026.

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