O preço do boi gordo, valor médio anual, subiu em 2025, principalmente devido a diferença de preço observada na primeira metade de 2024. E o que esperar em 2026?
Pois é, o preço do boi gordo ficou mais estável ao longo de 2025 quando comparado a 2024 (primeira Figura) e, com isso, os valores médios anuais do ano superaram em 22,5% a média nominal de 2024 (segunda Figura).
A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do boi gordo (Cepea), em Reais por arroba ao longo de 2024 e 2025.

Além de próximo do valor que encerrou 2024, o valor em 2025 foi mais estável, com a diferença entre a mínima e a máxima do ano alcançando patamares muito menores do que foi observado em 2024.
E como comentamos, o valor médio de 2025, de R$314,2 por arroba (Cepea) ficou 22,5% acima da média nominal praticada em 2024 (R$256,5) e também próximo da média nominal histórica, de 2022 (R$317,8).
A Figura apresenta os dados médios anuais do preço nominal do bezerro (Cepea), entre 2010 e 2025, em Reais por arroba.

A expectativa para 2026 é que o preço do boi gordo continue subindo, inclusive renovando a máxima nominal de 2022. Mas será que isso mudou com a decisão chinesa de criar cotas de importação de carne bovina?
Na nossa opinião, não! Apesar de ainda ser cedo para avaliar o impacto da medida é também importante lembrar que o efeito prático da decisão deve impactar o Brasil somente a partir de agosto ou setembro de 2026, o que garante ao País um prazo para negociar. É o que esperamos que aconteça.
Claro, no curto prazo o receio pode predominar, mas, ao longo da primeira metade do ano as exportações para a China devem seguir em ritmo normal e nesse período muita coisa pode mudar sobre a decisão e também não podemos esquecer que a carne bovina brasileira segue cada vez mais disputada no mercado internacional, o que deve contribuir para a buscar por novos clientes, além de potencializar a venda para mercados compradores, como os EUA, Rússia, Indonésia entre outros.
É importante destacar que a tarifa de importação de carne bovina pela China deve incidir sobre um total em torno de 600 mil toneladas, o que representaria algo perto de US$2,90 bilhões em para o Brasil apenas em 2026.
De acordo com a decisão, em 2026, o Brasil poderá exportar para a China, sem a cobrança de tarifa adicional de 55,0%, 1,106 milhão de toneladas em carne bovina. Em 2027 e 2028 esse valor subiria um pouco, para 1,128 e 1,154 milhão de toneladas respectivamente, mas ainda muito longe do que o país asiático importou do Brasil em 2024 e 2025, por exemplo.
No ano de 2025, até novembro, o Brasil exportou 1,49 milhão de toneladas métricas de carne bovina para a China (primeira Figura). Em dezembro de 2024 a exportação somou 113,94 mil toneladas métricas. Com o crescimento das vendas em 2025, a expectativa é que as vendas para o país asiático, em 2025, alcancem algo entre 1,65 e 1,75 milhão de toneladas métricas, ou seja, perto de 50,0% acima da cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas para 2026.
O Farmnews inclusive apresentou os dados de produção e consumo de carne bovina na China, destacando a necessidade de importação do país asiático e o possível impacto no aumento da inflação por lá. Clique aqui e saiba mais!
E como também já destacamos quando falamos da expectativa de preço do bezerro (clique aqui), que a taxa de abate de vacas e novilhas, em relação ao total de bovinos abatidos no Brasil, no acumulado até setembro de 2025, foi de 48,5%, patamar muito acima dos anos anteriores e recorde para o período do ano. Clique aqui e saiba mais!
Com os preços da reposição, pressionados para cima, a oferta de fêmeas e, por consequência, da produção de carne bovina no Brasil deve cair em 2026. Aliás, a expectativa é que a oferta de carne bovina caia não apenas no Brasil, mas no mundo como um todo.
E não podemos deixar que mencionar para o fato que, em 2025 o Brasil superou pela primeira vez os EUA e se tornou o maior produtor mundial de carne bovina (primeira Tabela abaixo)
A Tabela apresenta os dados de produção mundial e entre os principais países produtores de carne bovina, em milhões de toneladas em equivalente carcaça, entre 2020 e a expectativa para 2026, segundo dados do USDA.

Pois é, é esperado uma queda de 1,47% na oferta mundial de carne bovina ou cerca de 0,90 milhão de toneladas em equivalente carcaça e o principal responsável por essa queda deve ser o Brasil, também devido à expectativa de menor abate de fêmeas.
O interessante é observar que a queda esperada na produção é maior que a perda prevista na demanda mundial de carne bovina (segunda Tabela), o que tende a manter os preços globais pressionados para cima em 2026.
A Tabela apresenta os dados da demanda mundial e entre os principais países consumidores de carne bovina, em milhões de toneladas em equivalente carcaça, entre 2020 e a expectativa para 2026, segundo dados do USDA.

No ciclo de alta anterior que alcançou o pico de preço (Cepea) em 2021, quando o preço corrigido pela inflação ficou próximo de R$350,0 por arroba (IGP-M de novembro de 2025). Desde o pico de alta anterior, de 2021, o preço corrigido do boi gordo acumulou 3 anos consecutivos de queda, entre 2022 e 2024, para voltar a subir em 2025 (terceira Figura).
A Figura ilustra a evolução anual do preço do boi gordo (Cepea) corrigido pelo IGP-M de novembro de 2025, avaliado em Reais por arroba, entre 2010 e 2025.

O interessante é observar que os ciclos de alta de longo prazo apresentam picos de alta crescentes. Em 2015 o valor máximo superou o pico de alta de 2011 e a máxima de 2015. A expectativa é que o pico de alta seja alcançado entre 2026 e 2027, renovando a máxima histórica.
O importante é destacar que apesar do movimento esperado de alta no longo prazo, o preço do boi gordo tem mostrado uma maior volatilidade (quarta Figura) e isso, claro, merece atenção. Embora a expectativa de alta permaneça, os movimentos fortes de alta ou baixa no curto prazo podem assustar os pecuaristas, tanto no mercado físico como futuro.
A Figura ilustra a evolução mensal do preço do boi gordo (Cepea) corrigido pelo IGP-M de novembro de 2025, avaliado em Reais por arroba, desde janeiro de 2010.

O mercado futuro do boi gordo, apesar de pressionado no final de 2025 (clique aqui), precifica alta para 2026, especialmente ao longo da segunda metade de 2026 (terceira Tabela).
A Tabela apresenta os dados do preço do boi gordo no físico (Datagro) e futuro (B3), para os vencimentos entre dezembro de 2025 e outubro de 2026, avaliado em Reais por arroba, entre 19 e 30 de dezembro.

O Farmnews também comparou o poder de compra do boi gordo em 2025 com a categoria de reposição, o milho, a soja, o fertilizante e a camionete. Clique aqui e confira!
Veja também que o Farmnews atualizou os dados do preço do boi gordo, bezerro, milho e soja, valores médios nominais, nos anos de 2018 a 2025. Afinal, como se comportaram os preços médios das commodities agrícolas acompanhadas pelo Farmnews, entre os anos de 2018 e 2025, em valores nominais? Clique aqui e confira!
O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!




