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Sementes, soberania e poder: Brasil insiste em tratar estratégia como commodity

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Quando o mundo entra em turbulência, o Brasil descobre, quase sempre tarde, que estava sentado em cima de um ativo militar e tratava aquilo como commodity.

Em 1876, foi a seringueira. O britânico Henry Wickham embarcou em Belém com 70 mil sementes de Hevea brasiliensis declaradas como “amostras botânicas delicadas” para o Kew Gardens. Em duas décadas, as plantações inglesas no Sudeste Asiático derrubaram nosso monopólio da borracha. Belém e Manaus, que viviam o auge do ciclo gomífero, mergulharam em depressão que durou gerações. Hoje, a semente em disputa é outra, e o porão de navio virou servidor. Mas a equação geopolítica é exatamente a mesma.

O que está em jogo, em três fatos recentes

Novembro de 2025: o Ministério da Segurança do Estado da China publicou um comunicado oficial acusando agências de inteligência estrangeiras de tentar obter ilegalmente dados genéticos de soja, milho e arroz. Sementes parentais, classificadas pelo regime como recurso estratégico e proibidas de exportação, teriam sido alvo de uma operação envolvendo um intermediário identificado pelo sobrenome Zhu. A linguagem do comunicado não deixa margem: trata-se de uma “ameaça à segurança alimentar nacional”.

Junho de 2025: o governador do Texas sancionou o Projeto de Lei 17, que entrou em vigor em 1º de setembro. A norma proíbe pessoas e empresas chinesas, iranianas, norte-coreanas e russas de comprar ou alugar imóveis no estado residências, terrenos comerciais e, sobretudo, terras agrícolas. Quem violar pode pagar multa de mais de US$ 250 mil ou ir preso. Texas é apenas o caso mais explícito: desde 2021, cerca de 26 estados americanos aprovaram leis semelhantes restringindo a aquisição de imóveis por estrangeiros, com foco declarado em chineses. A justificativa oficial, repetida pelo governador Greg Abbott, é uma só: segurança nacional.

Fevereiro de 2025: o Partido Comunista Chinês publicou seu “Documento Nº 1” a peça programática mais importante do ano em política rural. O texto define autossuficiência alimentar como “prioridade nacional absoluta”. Xi Jinping foi mais direto: “o alimento do povo chinês deve ser feito por mãos chinesas e permanecer em mãos chinesas”. Em abril, o regime divulgou um plano-mestre de dez anos para a agricultura, com meta de 700 milhões de toneladas anuais de grãos até 2027 e a explícita instrução de acelerar a independência tecnológica no desenvolvimento de sementes e o controle sobre recursos genéticos-chave. Sementes, na linguagem oficial chinesa, foram chamadas de “chips da agricultura”.

Três fatos, um só vetor: as maiores potências do planeta, EUA e China que arma o flanco oriental, passaram a tratar genoma agrícola como infraestrutura militar ee não como commodity. E o Brasil, que abastece todos eles, segue discutindo o tema como se fosse pauta ambiental de ONG e deitado em “berço esplêndido”.

O paradoxo brasileiro: nunca fomos tão fortes, nunca fomos tão expostos

Os números do agro brasileiro em 2025 são de potência consolidada. A soja brasileira atingiu 108,6 milhões de toneladas exportadas, 1% acima do ano anterior, novo recorde histórico.

A China absorveu 79% desse volume, ante 76% em 2024. Em alguns meses do segundo semestre, chegou a representar 93% dos embarques. Enquanto isso, as exportações americanas de soja para a China caíram quase 80% entre janeiro e agosto de 2025, e EUA registraram zero embarques de milho, trigo e sorgo para o mercado chinês no ano.

Em outras palavras: a segunda guerra comercial de Donald Trump contra Pequim transferiu a posição de principal fornecedor de proteína vegetal da segunda maior economia do planeta para o Brasil.

Desde 2012, já éramos maiores que os EUA em exportações de soja. Em 2025, embarcamos mais do que o dobro do programa norte-americano. Metade da expansão global de área de soja nos últimos 25 anos aconteceu em território brasileiro. Pareceria notícia boa. E é, até a gente olhar para o outro lado do balcão…

Em março de 2025, a estatal chinesa Hulunbuir State Farm Group foi autorizada a comprar e arrendar terras no Brasil para cultivar soja, milho e algodão, exatamente as três culturas que respondem por mais de 60% das importações chinesas.

Em paralelo, a estatal sinalizou interesse em firmar parcerias com a Embrapa para “transferência de conhecimento e fornecimento de sementes adaptadas ao clima brasileiro”. O agro brasileiro foi exportado de 49,7 bilhões de dólares para a China apenas em 2024, mais de 30% de toda a pauta agropecuária nacional concentrada em um único cliente.

Aqui está o ponto que me incomoda: enquanto os EUA blindam suas terras agrícolas e suas sementes com lei, e a China declara que recursos genéticos são tema de defesa nacional, o Brasil debate se deve ou não vender mais. Não é falsa equivalência. Os americanos estão se protegendo de um adversário estratégico. Os chineses estão se protegendo da dependência. Nós estamos nos oferecendo como saída, sem perguntar a que custo, e sob qual cenário de longo prazo.

Os rumos da terceira guerra velada

Em janeiro de 2026, a Casa Branca publicou a nova Estratégia de Defesa Nacional. O documento, em sua introdução, declara abertamente que os EUA enfrentam “risco aumentado de ser arrastados para guerras de larga escala simultâneas em múltiplos teatros, uma terceira guerra mundial, como o próprio Presidente Trump alertou”.

E esse conflito não será necessariamente um evento singular catastrófico, mas uma “contestação estrutural” travada por procuradores, alavancagem econômica e disputa sistemática por geografia estratégica.

Geografia estratégica, em 2026, inclui solo arável, água doce, sementes e dados genômicos. Quem domina a cadeia agrícola, da semente ao porto, domina a única alavanca não-nuclear capaz de quebrar uma economia adversária sem disparar um único tiro.

A Rússia já demonstrou. Em 2022, Vladimir Putin declarou o alimento como “arma silenciosa” russa. De 2022 a 2024, as exportações russas de trigo para a África Subsaariana saltaram quase 60%. Análise do CSIS (Center for Strategic and International Studies) de dezembro de 2025 mostra que líderes de países dependentes de grão russo passaram a votar de forma mais favorável a Moscou em fóruns da ONU. Não é teoria. É voto contabilizado.

A China também sabe. Sua taxa de autossuficiência alimentar caiu de 93,6% em 2000 para 65,8% em 2020. Projeções indicam que pode chegar abaixo de 59% em 2030. Para um regime que tem na fome a sua memória política mais traumática, isso é existencial. Daí o “Documento Nº 1”, os subsídios pesados, a Hulunbuir comprando terras no Brasil, o investimento brutal em biotecnologia de sementes, e a denúncia pública de novembro de 2025 contra a espionagem genética estrangeira.

Os EUA, por sua vez, perderam o mercado chinês de soja em 2025. Tentam reconquistar com o acordo Trump-Xi de outubro, que prevê 25 milhões de toneladas anuais de soja americana à China de 2026 a 2028. Mas o estrago estrutural está feito: Pequim já provou que pode sobreviver sem grão americano por meses, desde que tenha o Brasil.

Esse “desde que tenha o Brasil” é a frase que define o nosso lugar no tabuleiro. E quem fica no meio de uma disputa entre superpotências raramente sai ileso.

A biopirataria entra na equação e a Embrapa vira ativo de defesa

Agora chegamos ao ponto que o pessoal prefere não falar, mas aqui falamos…

O agro brasileiro tem dois pilares: terra produtiva e tecnologia tropical de sementes. A terra está parcialmente blindada por legislação restritiva de 1971 (são menos de 5 milhões de hectares em mãos estrangeiras). A tecnologia, não. E é justamente sobre ela que paira a ameaça contemporânea, vinda em três formas:

Primeira forma: biopirataria clássica. Da seringueira de Wickham à patente japonesa do cupuaçu em 2002, do roubo da pilocarpina extraída do jaborandi ao patenteamento da ayahuasca em 1986 nos EUA. Estimativa da FAPEAM aponta US$100 milhões anuais de fluxo ilegal saindo da Amazônia, e isso era o cenário antes da era digital. Agora eles saem pelos rios, rodovias ou vias aéreas, junto com metais raros, madeira e droga, pela escolta de narco facções terroristas que dominam as regiões.

Segunda forma: espionagem física. Em 2011, o cidadão chinês Mo Hailong foi pego cavando milho híbrido em campos da DuPont Pioneer em Iowa. Em 2013, ele foi preso embarcando para Hong Kong com centenas de sementes escondidas sob guardanapos do Subway. Em 2014, o geneticista Wengui Yan, do centro de pesquisa de arroz do USDA, foi indiciado por contrabandear sementes da pesquisa americana de arroz farmacêutico em bagagem despachada. Casos como esses, somados, levaram o FBI a registrar aumento de 1.300% nos casos de espionagem econômica ligados à China entre 2010 e 2020.

Terceira forma, a mais perigosa: ciberataque. Em 2017, hackers atribuídos a uma empresa chinesa invadiram as redes de Monsanto, DuPont Pioneer e Syngenta por meio de phishing dirigido. Roubaram propriedade intelectual de culturas geneticamente modificadas, décadas de pesquisa em arquivos compactados. Pesquisa da Virginia Tech, citada pela Seed World, registra que o tempo médio para detecção de um ataque cibernético no setor biológico é de 21 dias. Três semanas de invisibilidade. É tudo o que um agente patrocinado por Estado precisa para extrair o que importa.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, abriga o maior banco genético da América Latina: 130 mil amostras de cerca de 960 espécies, mantidas a 20°C negativos. Quando foi inaugurado em 2014, o então diretor-presidente Maurício Lopes resumiu sem hesitação: “é uma questão quase que de segurança nacional”.

Quem trabalha no setor sabe que esse cofre, embora protegido fisicamente, opera sobre uma infraestrutura digital que não está, hoje, no patamar de blindagem cibernética dado pelos EUA à Monsanto ou pelo regime chinês à Academia Chinesa de Ciências Agrícolas. E nós somos, agora, o principal fornecedor de grão para a economia que está em guerra fria não declarada com a hegemonia americana. Combinem essas duas frases.

A leitura militar que o Brasil ainda não fez

Em pensamento estratégico clássico, de Sun Tzu a Mahan, de Mackinder a Kennan, quando uma potência regional se torna fornecedor crítico não-substituível de um insumo essencial para uma das partes em conflito, ela vira alvo prioritário das duas. Da que precisa garantir o suprimento. E da que precisa cortar o suprimento.

Funciona assim com petróleo desde 1973. Funciona assim com gás natural desde 2022. Vai funcionar assim com proteína vegetal a partir de 2026, e o Brasil é a Arábia Saudita dessa equação.

Isso significa, em termos práticos, que:

Nossas safras viram alvo de manipulação climática (real ou narrativa). Nosso sistema portuário vira alvo de sabotagem cibernética. Nossas variedades de soja, milho e algodão tropicalizadas, desenvolvidas em décadas pela Embrapa, pelas cooperativas e pelas empresas privadas, viram alvo de espionagem.

Nossas comunidades indígenas e tradicionais, guardiãs de princípios ativos da floresta, viram alvo de “missões científicas” cujo retorno é uma patente em Tóquio, em Frankfurt ou em Shenzhen, mas isso já acontece há anos. Nosso banco genético em Brasília vira alvo de ciberataque silencioso, com 21 dias de janela para extrair o que pretendem antes que sequer notemos.

E nada disso requer um único soldado em solo brasileiro. Tudo isso é guerra contemporânea, guerra cinzenta, guerra híbrida, guerra de quarta geração, escolha o nome teórico que preferir. A consequência prática é uma só: a próxima derrota da Amazônia pode não vir como em 1876, em forma de navio inglês. Pode vir como uma credencial de e-mail vazada em um terminal da Embrapa, em uma terça-feira qualquer.

O que precisa estar na agenda

Não falo aqui como teórica, falo como observadora de um setor que sustenta entre 24% e 25% do PIB nacional, e sozinho banca o superávit da nossa balança comercial. Quem defende esse setor, defende o Brasil.

Cibersegurança da Embrapa no nível de infraestrutura crítica. Mesmo patamar exigido do sistema elétrico ou financeiro. Não há justificativa técnica nem orçamentária para tratar de outra forma um cofre que abriga material correspondente a séculos de melhoramento agrícola.

Tipificação penal específica para biopirataria. A Lei 13.123/2015 avançou. O SISGen é instrumento útil. Mas o Código Penal segue sem definição clara do crime, o PL 6794/2006 dorme no Congresso desde a gestão do deputado João Campos. Sem tipo penal, fiscalização vira loteria, e biopirata pega o avião antes do mandado. Quem lembra do caso recente de biopirataria na Unicamp, furto de material biológico e transporte irregular de amostras de vírus praticado por uma professora (Soledá Palameta Miller)? Foi presa e saiu antes que a polícia finalizasse os relatórios burocráticos na delegacia.

Atualização da Lei de Compra de Terras por Estrangeiros. A lei é de 1971. O mundo de 1971 não existe mais. PL 2.963 já está no Senado. Cabe ao Congresso decidir se trata o tema como o Texas tratou, com clareza e firmeza, ou se segue empurrando para a próxima gestão.

Diplomacia ofensiva em DSI (Digital Sequence Information). Hoje se rouba genoma sem precisar tocar na planta. Basta sequenciar e enviar o arquivo. Os EUA não assinam o Protocolo de Nagoya. A Europa hesita. Cabe ao Itamaraty, na OMC e na WIPO, disputar a inclusão de DSI no marco internacional de repartição de benefícios. Estamos perdendo essa disputa por omissão, ou interesse…

Repartição efetiva com comunidades tradicionais, não como caridade, como inteligência. Quem está na floresta vê o biopirata antes de qualquer satélite. Comunidade fortalecida é sensor de fronteira em tempo real. Mas como mudar isso se as ONGs estrangeiras são as quem “fortalecem” as comunidades tradicionais?

Política nacional de soberania de sementes, com investimento massivo em melhoramento tropical público e privado. Se as sementes são o chip da agricultura, palavras do regime chinês, o Brasil precisa de uma TSMC dos trópicos. E a Embrapa, com mais orçamento e mais blindagem, pode ser exatamente isso. Use a arma da soberania da maneira correta.

A história ensina uma lição cruel: nações que controlam o alimento alheio definem o destino político alheio. Inglaterra usou a borracha. EUA usaram trigo e milho. Rússia usa trigo. China está montando para usar a si própria como cliente exclusivo. O Brasil tem, neste momento, três caminhos.

O primeiro é seguir como fornecedor passivo, vender soja para quem pagar mais, deixar o banco genético em Brasília na condição de orçamento marginal, permitir que a tropicalização das nossas variedades vire know-how aberto e celebrar recordes anuais de exportação até o dia em que a guerra estourar, e descobrirmos que somos peão, não jogador.

O segundo é fazer o que a China está fazendo: tratar semente como ativo militar, blindar o que é estratégico, disputar marco regulatório internacional, transformar a Embrapa em algo equivalente à DARPA agrícola.

O terceiro é o pior, descobrir que o cofre estava aberto o tempo todo, só quando o conteúdo já tiver sido copiado.

Não vou fingir que sei qual caminho o país vai tomar. Mas posso dizer, com base em tudo que estudei que a janela entre o segundo caminho e o terceiro é estreita. E está fechando.

Em 1876, o Brasil perdeu a borracha porque não entendeu que sementes eram ativo geopolítico. Em 2026, temos a chance de não repetir o erro. Mas isso exige que o agronegócio brasileiro, produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores, parlamentares, pare de pensar como exportador de commodity e comece a pensar como potência de soberania alimentar.

A diferença entre uma coisa e outra é o tamanho da cadeira em que o Brasil vai sentar quando, em algum momento dos próximos cinco a dez anos, a ordem global atual rachar. E ela vai rachar. A única dúvida é se vamos chegar lá com o cofre fechado, ou aberto.

E mudando de assunto, o fim da escala 6×1, NR-01 punitiva e reforma tributária convergiram sobre o setor que mais cresce no País. O Congresso vendeu três populismos com a mesma embalagem — e o consumidor brasileiro vai pagar a fatura no prato.

Outra questão importante e uma a pergunta que merece resposta é menos óbvia do que parece é: o Brasil está vendendo para a China, ou está entregando para a China?

Quando a China controla o terminal de onde sai sua soja produtor, os vagões que a transportam e a empresa que a negocia, ela tem influência direta sobre o preço FOB que você recebe, mesmo que você nunca perceba. Quem controla a infraestrutura de escoamento define, na prática, qual é o custo de base do produtor. E quem define o custo de base tem poder sobre a margem.

Vale destacar também que a margem da soja e da agricultura em geral está cada vez mais incerta e volátil, especialmente com as turbulências geopolíticas que se somam aos desafios operacionais do campo.

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Bruna Forte
Bruna Forte
Atuo há 25 anos no mercado corporativo em projetos e consultorias que envolvem tecnologia, ESG, marketing e inovação, trilhei e consolidei uma trajetória em multinacionais de tecnologia atuando estrategicamente nos segmentos da indústria e produção, cadeias produtivas do agro e setor público.Sou especialista em estratégias sustentáveis e de inovação, com o foco na Nova Economia Verde Positiva, liderando projetos que integram a jornada da transformação ESG, nos processos das empresas, impulsionando a competitividade, comunicação assertiva, educação e promovendo a gestão contínua das melhores práticas nos ambientes de negócios.Tenho expertise na estruturação de novos negócios e transformação organizacional, desenvolvendo diagnósticos, diretrizes estratégicas, políticas corporativas e gestão humanizada de equipes, apoiando empresas na implementação de estratégias corporativas e métricas de impacto.Estabeleço articulações e parcerias público-privadas, com o fim de criar conexões que facilitem empresas desenvolver soluções socioambientais inovadoras de impacto na sociedade.Minha experiência no mercado corporativo e ESG pavimentou minha atuação em outras soluções de negócios, em especial no desenvolvimento de projetos de comunicação visual corporativa e industrial com foco no ecodesing, abordando a sustentabilidade para criar experiências de clientes e estratégias de branding para o mercado do Agro.Acredito que toda estrutura de comunicação assertiva e a educação transformadora, são ferramentas poderosas para gerar impacto positivo na sociedade e na criação de pontes entre o campo e a cidade.

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