O maior risco da pecuária em 2026 não é o preço do boi

Mauricio Scoton
Farmnews

Foi quando comecei a investir meu próprio capital que percebi uma diferença enorme entre recomendar uma decisão e assumir integralmente o risco dela.

Passei quase trinta anos ajudando produtores a tomar decisões, desenvolvendo projetos e acompanhando operações em diferentes regiões do Brasil.

Mas foi quando comecei a investir meu próprio capital que percebi uma diferença enorme entre recomendar uma decisão e assumir integralmente o risco dela.

Recentemente, no dia 6 de julho, comprei a boiada para confinamento. Fiz a lição de casa: custo de compra, frete, comissão, arroba entregue no cocho, custo de engorda, comparados com a trava do mercado futuro — que naquele dia estava em R$345/@ para OUT. A operação fechou com margem de 2,2% ao mês.

- Advertisement -

Nos 10 dias sequentes, o contrato futuro para outubro subiu mais de R6/@. Aí vem a dor de barriga, você está deixando dinheiro na mesa? A tentação de zerar a posição é instantânea.

E esse é o ponto: o olhar está para o lugar errado. O desafio da gestão não está no gráfico da arroba. Por isso, escrever esse artigo.

 3 três decisões inegociáveis

1 – Custo da arroba entregue. Não por cabeça, nem por hectare, mas por arroba efetivamente produzida e embarcada. Em um cenário de bezerro acima de R$3.000, ágio crescente na reposição e aumento do custo de produção, esse indicador deixou de ser bussola. Tornou-se um GPS.

2 – Fluxo de caixa. Comparem a fazenda a uma bicicleta: tendo caixa, está em movimento. Quando falta caixa, o gestor precisa recorrer ao crédito. Buscar recursos no mercado, deparamos com a taxa mais alta que a margem que a operação entrega de fato. O recorde de 1.990 recuperações judiciais no agronegócio mostra que o caixa acaba antes do resultado aparecer.

3 – Trava de pelo menos 30% da produção esperada no mercado futuro. Eu, Mauricio Scoton, CNPJ de pecuarista, trabalho com no mínimo 80% — não como custo, mas como segurança e previsibilidade na margem. O volume de contratos de Boi Gordo na B3 saltou 300% em 2025 (R$88 bi no ano).

Gestão x Risco comercial: a geopolítica muda tudo em uma manchete: cota chinesa de 2,7 milhões de toneladas com 55% de tarifa sobre o excedenteisenção americana do tarifaço de 25% a partir de 22/07/2026, guerras perpetuando e a incerteza global.

Voltado para a compra dos bois, os fundamentos que justificaram minha decisão, de não zerar a posição da trava, continuam como pilares.

Na minha visão, o futuro da pecuária será menos determinado por quem conseguir prever o mercado e muito mais por quem construir um sistema de boas decisões repetidamente.

Antes de prever o mercado, construir um sistema de tomada de decisões, rápidas e eficientes, minimizam o risco da pecuária!

No final do “dia”, o resultado não é construído por uma negociação. Ele é construído pela qualidade das decisões que se repetem ao longo das operações.

E por falar em risco da pecuária de corte e o aumento da volatilidade, veja também que o preço futuro do boi gordo para janeiro de 2027 segue cotado, na B3, acima dos valores precificados para os demais vencimentos em 2026 em julho e projetando recorde nominal frente ao mesmo período dos anos anteriores. Clique aqui e confira!

Gestão Estratégica na Pecuária de Corte é uma demanda para você? Siga-me no Youtube e Instagram – @scotonpecuária

Se preferir, mande mensagem para mauricio@scotonpcuária.com ou ligue 34 99708-4428.

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!

Compartilhar este artigo