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Preço do milho: pressão no curto prazo, mas atenção ao risco climático nos EUA

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O preço do milho segue pressionado no curto prazo, mas mantém atenção ao risco climático nos Estados Unidos.

Oferta robusta na América do Sul, avanço da safrinha brasileira e clima favorável no Corn Belt pressionam preços, enquanto polinização da safra norte-americana segue como principal fator de risco para o segundo semestre

O mercado global de milho atravessa um momento de equilíbrio delicado entre ampla oferta e riscos climáticos futuros. É o que mostra o mais recente relatório de inteligência de mercado da MerX para o milho, que aponta viés baixista para os preços no curto prazo, mas mantém atenção redobrada sobre o desenvolvimento da safra norte-americana durante a fase de polinização, considerada decisiva para a definição da produtividade nos Estados Unidos.

O preço do milho (Cepea), segue nos menores patamares de 2026 em junho (Figura), cotado abaixo de R$65,0 por saca e, acumulando queda de 7,1% frente ao valor que encerrou 2025. O importante é observar que em 2024 e 2025 o preço do milho também foi pressionado nessa época do ano.

A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal do milho (Cepea), em Reais por saca, desde 2024.

preço do milho
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

Os fundamentos atuais favorecem um mercado pressionado pela combinação entre oferta elevada na América do Sul, clima favorável nas regiões produtoras dos Estados Unidos e redução das posições compradas dos fundos de investimento. Ao mesmo tempo, o risco climático ainda não foi totalmente precificado, especialmente para os contratos da nova safra norte-americana.

A produção dos Estados Unidos deve alcançar cerca de 402 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume inferior ao registrado no ciclo anterior, mas ainda suficiente para manter uma oferta confortável. O fator de maior atenção está na fase de polinização das lavouras, entre julho e agosto. Como 2026 apresenta um cenário climático neutro em relação ao ENSO, sem influência predominante de El Niño ou La Niña, o comportamento do clima de verão no Corn Belt será determinante para a formação da safra.

Embora o mercado acompanhe esse risco potencial, o relatório destaca que o plantio norte-americano avança dentro da normalidade, alcançando cerca de 93% da área prevista, enquanto as condições climáticas seguem favoráveis nas principais regiões produtoras. Esse cenário contribui para a retirada de parte do prêmio climático dos contratos futuros.

No Brasil, a expectativa é de uma safrinha de aproximadamente 112,1 milhões de toneladas, queda de 7,4% em relação ao ciclo anterior em razão das perdas provocadas pela restrição hídrica em áreas do Cerrado. Apesar disso, a produção total brasileira de milho deve alcançar 140,9 milhões de toneladas, configurando a segunda maior safra da história do país.

A colheita da segunda safra ainda avança lentamente, com apenas 0,6% da área colhida no final de maio, abaixo da média histórica. O pico de oferta é esperado entre julho e setembro, período que coincide com a intensificação do programa de exportações brasileiras. Esse movimento tende a aumentar a disponibilidade física do cereal no mercado.

Mesmo diante da perspectiva de ampla oferta, o produtor brasileiro segue cauteloso nas vendas. De acordo com o relatório, a comercialização da safra 2025/26 alcançava 37,5% da produção até abril, cerca de quatro pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos. A menor disposição para vender tem contribuído para sustentar os prêmios no mercado físico.

Outro fator de suporte ao consumo interno continua sendo a expansão da indústria de etanol de milho. O relatório destaca que o Brasil já possui capacidade instalada próxima de 13 bilhões de litros por ano, além de novos projetos em construção e expansão, especialmente em Mato Grosso, Maranhão, Bahia e Piauí. A demanda crescente da indústria é vista como um importante sustentador estrutural para o mercado brasileiro no longo prazo.

No cenário internacional, a Argentina também contribui para a ampliação da oferta global. A safra do país vizinho é estimada em 61 milhões de toneladas, alta de quase 20% em relação ao ciclo anterior, favorecida pelo aumento de área e pelo bom desempenho produtivo das lavouras. O crescimento da produção argentina reforça a concorrência nos mercados importadores e amplia a pressão sobre os preços internacionais.

O balanço global de milho para 2026/27 projeta produção de 1,295 bilhão de toneladas e estoques finais de 277,5 milhões de toneladas. Apesar da redução dos estoques mundiais em relação à temporada anterior, o mercado ainda conta com uma oferta considerada confortável, especialmente entre os principais países exportadores.

O cenário atual favorece pressão sobre o preço do milho no curto prazo, impulsionada pela chegada da safrinha brasileira, pela competitividade da oferta argentina e pelo clima favorável nos Estados Unidos.

Entretanto, o comportamento das lavouras norte-americanas durante a polinização permanece como o principal fator capaz de alterar significativamente a trajetória do mercado no segundo semestre.

Saiba também que o mercado de fertilizantes mostra uma queda mais significativa no preço dos nitrogenados no início de junho, ao contrário do que vinha acontecendo ao longo das últimas semanas.

As quedas só não são maiores no mercado de fertilizantes, especialmente dos nitrogenados, em função dos problemas com relação à navegação no estreito de Ormuz.

A MerX é uma agfintech que integra rastreabilidade, crédito e trading para o agronegócio. Com uma plataforma digital que combina inteligência de mercado, serviços financeiros e gestão de contratos, a empresa empodera produtores rurais e cerealistas, promovendo sustentabilidade e eficiência na cadeia produtiva.

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Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

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