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O agro está preparado para o risco — ou ainda apenas reage às crises?

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O agro brasileiro está realmente preparado para lidar com os riscos que enfrenta ou ainda reage aos problemas apenas quando eles acontecem?

Este é o primeiro artigo de uma série sobre gestão de risco e seguros no agronegócio. A ideia surgiu a partir de muitas perguntas que tenho ouvido em sala de aula, em conversas com alunos e profissionais do setor, e também da percepção de que ainda existe bastante dúvida sobre esses temas dentro do agro.

E talvez a pergunta mais importante para começar essa conversa seja justamente esta: o agro brasileiro está realmente preparado para lidar com os riscos que enfrenta ou ainda reage aos problemas apenas quando eles acontecem?

Tenho dado aulas sobre gestão de risco e seguros aplicados ao agronegócio e uma coisa sempre me chama atenção: o tema ainda costuma ser tratado de forma muito limitada.

Quando falamos em gestão de risco, é comum que a discussão vá imediatamente para hedge, proteção de preço ou mercado futuro. Claro que isso é importante. Mas essa é apenas uma parte da história.

Na prática, o agronegócio convive diariamente com uma combinação muito mais ampla de riscos: climáticos, operacionais, financeiros, biológicos, regulatórios, tecnológicos, humanos e logísticos.

Ou seja, quando alguém reduz gestão de risco apenas a uma decisão financeira, está olhando somente para uma parte do problema.

E com os seguros acontece algo parecido.

Muita gente ainda não entende exatamente como o mercado funciona, quem são os agentes envolvidos, como o custo do seguro é formado e, principalmente, qual é o verdadeiro papel do seguro dentro da estratégia da empresa.

Porque existe um ponto importante aqui:

Seguro não elimina risco.

Seguro é uma das formas de lidar com ele.

Mais especificamente, o seguro funciona como um mecanismo de transferência de risco. Em outras palavras, por meio de uma apólice, parte do impacto financeiro de um evento é transferido para uma seguradora.

Isso muda bastante a forma de enxergar o tema.

O seguro deixa de ser apenas uma despesa contratual ou uma obrigação burocrática e passa a ser uma ferramenta de proteção patrimonial, financeira e operacional.

Na prática, estamos falando de proteger fluxo de caixa, patrimônio, capacidade de reação e até a continuidade do negócio diante de perdas relevantes.

Talvez a dificuldade esteja justamente aí: durante muito tempo, gestão de risco e seguros foram tratados de forma fragmentada dentro das organizações.

Um tema ficava com a área financeira.

Outro, com a operação.

E pouca gente realmente conectava tudo isso dentro de uma lógica estratégica de decisão.

Mas gestão de risco é, antes de tudo, uma forma de pensar o negócio.

O conceito ganhou força especialmente depois de grandes crises corporativas, quando ficou claro que governança, controles internos e gestão de riscos precisavam caminhar juntos.

Nesse contexto, frameworks como COSO e ISO 31000 ajudaram a consolidar a ideia de que risco não é apenas aquilo que “pode dar errado”. Risco é tudo aquilo que pode comprometer os objetivos da organização, sua estratégia e sua capacidade de gerar valor no longo prazo.

De forma simples, podemos dizer que risco é todo evento ou situação capaz de afetar negativamente o negócio. Mas aqui existe uma distinção importante: risco não é a mesma coisa que crise.

O risco é a possibilidade de algo acontecer.

A crise é quando aquilo efetivamente acontece.

Uma seca severa é um risco.

A perda de produtividade, o impacto sobre o caixa e o descumprimento de contratos representam a crise materializada.

E é justamente por isso que gestão de risco importa tanto.

Ela não existe para impedir que problemas aconteçam — isso seria impossível em um setor tão exposto quanto o agro.

Ela existe para fazer com que a empresa esteja mais preparada, mais consciente e menos vulnerável quando esses eventos ocorrerem.

Na prática, a gestão de risco deve ser entendida como um processo contínuo (Figura 1). Primeiro identificamos os riscos. Depois avaliamos probabilidade e impacto. Em seguida, definimos quais estratégias serão adotadas. E, por fim, monitoramos se esses riscos estão mudando e se as respostas continuam fazendo sentido para a realidade da operação.

Esse raciocínio aparece tanto em modelos acadêmicos quanto em guias práticos de governança e talvez esse seja um dos movimentos mais importantes que o agronegócio precisará fazer nos próximos anos: incorporar a gestão de risco como parte da gestão estratégica do negócio.

Figura 1: Gestão de risco deve ser visto como um processo contínuo nas organizações. Elaboração: autora

No agro, isso se torna ainda mais importante porque estamos falando de um setor que opera em ambiente aberto, sujeito a variáveis que não controla e inserido em cadeias cada vez mais interdependentes.

Ou seja: não basta apenas produzir bem.

É preciso entender onde estão as fragilidades da operação e como elas podem afetar resultado, liquidez, capacidade de investimento e continuidade do negócio.

Este artigo inaugura uma série em que quero discutir exatamente isso: os principais riscos do agro, ferramentas de análise, estratégias de mitigação e o papel dos seguros dentro de uma visão mais estratégica de gestão.

A ideia é construir essa conversa de forma simples, prática e conectada à realidade do setor.

Porque, no fim das contas, as empresas mais resilientes não são aquelas que nunca enfrentam problemas.

São aquelas que conseguem atravessar os problemas com maior capacidade de adaptação e menor impacto sobre o negócio.

E talvez a pergunta mais importante seja justamente essa:

Sua empresa, seja ela uma fazenda, uma revenda, uma indústria ou uma consultoria, faz gestão de risco ou apenas reage às crises quando elas acontecem?

Aviso: esse artigo reflete uma opinião pessoal; não é recomendação técnica/atuarial nem orientação de compra.

E você sabia que o sistema de crédito no agronegócio brasileiro está passando por uma transformação estrutural. A demanda por recursos cresce em ritmo acelerado, enquanto a oferta de crédito público já não é suficiente para atender às necessidades de um setor cada vez mais capital-intensivo, tecnológico e exposto a riscos.

Quer saber mais sobre as opções de gerenciamento de risco e como elas podem ajudar no seu negócio, entre em contato comigo. Nádia Alcantara (11) 94103 3105 ou pelo nadia.alcantara@nbacorretora.com.br

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