As condições de clima no Brasil seguem se deteriorando, com destaque para Mato Grosso, Goiás, norte do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
O mais recente relatório de inteligência de mercado de milho da MerX aponta um cenário de atenção crescente para a safra brasileira, especialmente diante da deterioração das condições do clima nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste. A análise destaca que o mercado segue dividido entre fatores altistas no curto prazo e um viés mais neutro para o médio prazo.
O encerramento antecipado da janela de chuvas elevou o nível de preocupação sobre o milho safrinha, levando a revisão da estimativa de produção em 3,1 milhões de toneladas, agora projetada em 112,8 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada foi reduzida em 200 mil hectares, totalizando 17,3 milhões de hectares.
O déficit hídrico em Mato Grosso já alcança níveis críticos, com algumas regiões acumulando cerca de 100 mm abaixo da média histórica após semanas consecutivas sem chuvas relevantes.
A previsão de clima para as próximas semanas de maio segue indicando volumes reduzidos ou até mesmo ausência de precipitações, cenário que mantém aberta a possibilidade de novos cortes nas estimativas de produção.
O relatório aponta que permanece uma “flag” de ajuste adicional de 2 milhões de toneladas, condicionada a eventuais mudanças no comportamento climático.
No cenário internacional, a análise aponta que o conflito entre Estados Unidos e Irã continua impactando o mercado de fertilizantes e os custos de produção agrícola.
Com o Estreito de Ormuz operando fechado para embarcações de países não alinhados ao Irã, os preços dos fertilizantes nos EUA já acumulam alta próxima de 30% desde o início das hostilidades. Segundo a MerX, esse movimento eleva os custos de produção do milho norte-americano e pode estimular uma migração de área para a soja, cultura menos dependente de nitrogênio.
Outro destaque é o USDA, que estima redução de aproximadamente 3% na área plantada de milho nos Estados Unidos, para 95,3 milhões de acres, com queda estimada de 7% na produção. A relação estoque/uso projetada em 11,4% reforça a expectativa de recuperação do contrato dezembro na CBOT para níveis próximos de US$5,00/bushel.
Outro fator de sustentação para os preços internacionais é a expectativa de aumento das importações chinesas de milho, que podem atingir 8 milhões de toneladas na safra 2025/26, ante 1,8 milhão de toneladas no ciclo anterior. Além disso, o setor de etanol nos Estados Unidos segue operando com margens positivas, sustentando a demanda pelo cereal.
Por outro lado, a MerX alerta para fatores baixistas relevantes. Os estoques trimestrais de milho nos EUA somam 229,1 milhões de toneladas, crescimento de 10,6% frente ao mesmo período do ano passado. Além disso, a produtividade estimada pelo USDA foi elevada para 186,5 bushels por acre, mantendo uma relação estoque/uso de 13,6% e preço médio estimado em US$4,70/bushel.
Na América do Sul, a Argentina segue em direção oposta ao Brasil. As condições climáticas favoráveis permitiram uma revisão positiva da safra, agora estimada em 61 milhões de toneladas. A colheita já alcança 28% da área apta, com produtividade média de 8,7 toneladas por hectare e 97,8% das lavouras classificadas entre normal e excelente.
No mercado de exportação, os Estados Unidos continuam recuperando participação global, especialmente em mercados tradicionais como México, Japão e Coreia do Sul, enquanto a China permanece ausente como compradora ativa. Esse cenário mantém a pressão sobre os prêmios de exportação brasileiros.
Apesar disso, fatores internos ainda oferecem sustentação ao mercado doméstico. A valorização do Real frente ao dólar pressiona exportadores a reajustarem preços para garantir originação, enquanto os custos logísticos seguem elevados devido às tensões no Oriente Médio.
Na avaliação, o mercado de milho mantém viés altista no curto prazo, impulsionado principalmente pelas preocupações climáticas no Brasil, enquanto o médio prazo segue mais neutro diante do elevado nível de estoques globais e da recuperação da produção argentina.
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