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Mercado global de soja: suporte em custos e derivados apesar da maior oferta!

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O mercado global de soja mantém viés altista no curto e médio prazo, mesmo diante de um cenário de ampla disponibilidade de grãos.

Estoques recordes nos Estados Unidos e safras robustas na América do Sul pressionam o mercado, enquanto custos elevados, valorização do óleo de soja e margens de esmagamento sustentam os preços.

O mercado global de soja mantém viés altista no curto e médio prazo, mesmo diante de um cenário de ampla disponibilidade de grãos. A avaliação consta no Relatório de Inteligência de Mercado da Soja, divulgado no início de maio pela MerX, que destaca a combinação entre custos elevados de produção, dinâmica do óleo de soja e fatores geopolíticos como elementos de sustentação das cotações.

Entre os principais vetores altistas para o mercado global de soja está o desempenho do óleo, que mantém trajetória de valorização expressiva ao longo do ano, com preços próximos a US$72, ante cerca de US$50 no início do período.

Segundo o relatório, esse movimento está diretamente relacionado ao cenário geopolítico no Oriente Médio e à alta do petróleo, fatores que sustentam as margens de esmagamento em nível global e intensificam a disputa entre esmagadores e exportadores pelo grão disponível.

Do lado da oferta, o cenário permanece pressionado. Nos Estados Unidos, os estoques atingiram níveis recordes, com volumes on-farm de 24,5 milhões de toneladas e off-farm de 32,8 milhões de toneladas, reforçando a percepção de abundância global. Na América do Sul, tanto Brasil quanto Argentina contribuem para esse quadro, com safras robustas e rendimentos acima da média recente.

No Brasil, a colheita alcança 88,1% da área, próxima à média histórica, com destaque para rendimentos elevados na maior parte das regiões produtoras. No entanto, as condições climáticas seguem como fator de atenção, especialmente no Sul e em partes do Centro-Oeste, onde as chuvas têm dificultado o avanço das operações e elevado o risco de deterioração da qualidade dos grãos, com impacto potencial sobre os padrões de exportação e os prêmios no mercado físico.

Na Argentina, a colheita avança mais lentamente, atingindo 10,2% da área, abaixo da média histórica. Ainda assim, os rendimentos iniciais indicam produtividade superior à dos últimos anos, e as condições climáticas permanecem favoráveis, sustentando a expectativa de uma safra robusta e com baixo risco produtivo.

No mercado internacional, o fluxo comercial segue influenciado pela demanda chinesa. Desde o início de 2026, a China já adquiriu cerca de 11,5 milhões de toneladas de soja americana, frente a uma meta de 25 milhões de toneladas para o ano, mantendo o país como importante direcionador dos fluxos globais.

No mercado físico brasileiro, a supersafra segue pressionando as origens, enquanto fatores como câmbio apreciado, aumento dos custos logísticos — especialmente do diesel — e disputa entre esmagadores e exportadores contribuem para sustentar o basis. O relatório destaca que o encarecimento do diesel, com alta próxima de 40%, tem impacto direto sobre os fretes e a formação de preços no interior.

De forma geral, a análise indica que, apesar da pressão estrutural da oferta, o mercado global de soja permanece sustentado por fatores externos e pela dinâmica do complexo soja, com destaque para o óleo — variável-chave para as margens de esmagamento e para a formação de preços no curto e médio prazo.

Vale lembrar que o Farmnews apresentou os dados revisados pelo USDA em abril de 2026, do estoque de soja no Brasil e no mundo e comparou com os preços do grão no mercado interno.

A produção mundial de soja na safra 2025/26, com estimativa de alcançar 427,41 milhões de toneladas, deve ficar pouco abaixo do valor observado na safra anterior, de 2024/25, quando alcançou 428,15 milhões de toneladas, mas ainda muito acima da produção das safras anteriores.

O estoque mundial de soja foi revisado levemente para baixo em abril, mas em patamares muito próximo do recorde anterior, alcançado na safra 2024/25.

Veja também que o Farmnews comparou o preço da soja nos meses de abril, entre 2018 e 2026, avaliado em Reais (clique aqui) como em dólares (clique aqui).

E por falar em preço, a soja (Cepea, Paranaguá-PR), embora siga relativamente estável nos últimos meses, segue abaixo do valor nominal praticado no mesmo período de 2025 e, acumulando queda no ano. Entre o final de 2025 e a parcial de maio (6), o preço da soja caiu 8,8%.

A Figura ilustra a evolução diária do preço nominal da soja (Cepea, Paranaguá-PR), em Reais por saca, desde 2024.

mercado global de soja
Fonte: Dados do Cepea (elaborado por Farmnews)

O Farmnews também atualizou os dados do preço futuro do milho e o comparou com o valor do grão no mercado físico no início de maio.

O preço futuro do milho caiu para todos os contratos com vencimento em aberto na B3 nos primeiros dias de maio, com destaque a perda no valor dos contratos para maio e junho de 2026.

A perspectiva para o início de 2027 segue mais otimista, com o preço esperado do milho em patamares próximos de R$74,0 por saca. Lembrando que no início de 2026 o preço médio do milho (Cepea) nos meses de janeiro e março foi de, respectivamente, R$67,8 e R$70,9 por saca. 

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!

 

 


Ivan Formigoni
Ivan Formigonihttps://www.farmnews.com.br
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!

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