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Ciclo pecuário: análise do abate de vacas e preço do boi gordo em 2020

O Farmnews apresenta dados relacionados a análise do ciclo pecuário de longo prazo da bovinocultura de corte no Brasil em 2020.

Pois é, com preços recorde do boi gordo e do bezerro, tanto em valores nominais como corrigidos pela inflação e também de uma alta de cerca de 60,0% no ano quando comparado ao mesmo período do ano anterior (clique aqui), 2020 certamente ficará na historia.

E, claro, em um momento como esse, vale a pena avaliar a fase do ciclo pecuário, ou seja, avaliarmos o ritmo de abate de vacas atual e dos anos anteriores para entender melhor o que a história nos revela sobre o assunto.

O Farmnews inclusive destacou que em 2020 a oferta de animais para abate nos primeiros meses de 2020 foi a menor ao longo da última década, o que explica, pelo menos em parte, o movimento de alta do boi gordo. Clique aqui e saiba mais!

Não podemos esquecer, nesse contexto, que o preço do boi gordo é formado por inúmeras variáveis que vão além da oferta e, uma delas que contribuiu para a demanda, pelo menos internacional, é o câmbio, ainda mais com o dólar alcançando patamares recordes em 2020.

O fato é que oferta restrita e dólar em patamar recorde, contribuindo para dados de exportação nunca antes observado, tem impulsionado os valores do boi gordo no País, mesmo com um consumo interno enfraquecido diante dos desafios da COVID-19. Vale lembrar que o Brasil foi um dos países mais afetados pela COVID-19 quando o assunto e o consumo de carne bovina (clique aqui).

A Figura abaixo ilustra a evolução dos preços corrigidos do boi gordo, segundo indicador Cepea deflacionado pelo IGP-M de setembro de 2020, entre 1997 e a parcial de 2020.

Fonte: Dados do Cepea (adaptado por Farmnews)

O importante é observar que os movimentos de alta e baixa nos preços do boi gordo (Figura) ocorrem em ciclos que podem variar entre 5 ou mais anos, dependendo dos inúmeros fatores que influenciam comportamento de preços da pecuária. Mas, seguramente o ritmo de abate de vacas é um desses importantes fatores (Figura abaixo).

A Figura mostra os dados da taxa semestral de abate de vacas no Brasil, de 2005 a 2020, segundo dados do IBGE.

Fonte: Dados do IBGE (adaptado por Farmnews)

E não por coincidência, nos anos em que o ritmo de abate de vacas foi alto, como, por exemplo, em 2005 e 2006, o preço do boi gordo foi um dos menores da série apresentada na primeira Figura acima. Em 2006 o ritmo de abate de vacas foi o maior entre os anos avaliados, ficando próximo de 40,0%. Outro exemplo foi no ano de 2012, quando o abate de vacas novamente subiu e os preços do boi gordo caíram.

Esse aumento no abate de vacas compromete a oferta de bezerros no futuro e consequentemente leva ao aumento do preço do bezerro e o estímulo da atividade de cria, com reflexo na queda no abate de vacas. Esse é o cenário atual, em 2020, de preços do bezerro recorde e o forte estímulo a atividade de cria.

O ano de 2020 é um ano de ciclo pecuário, a exemplo de 2015 e 2016, caracterizado pela queda no ritmo de abate de vacas e preços do bezerro e do boi gordo em alta.

E nesse sentido é importante olhar para a história do ciclo pecuário. O objetivo aqui não é tentar dizer que o preço vai ou não cair no futuro, mas de fornecer informação ao pecuarista, mesmo porque a previsão de demanda, principalmente externa, é mais difícil de projetar. A demanda chinesa por carne bovina brasileira em 2020, nesses patamares certamente não foi prevista.

O Farmnews apresenta dados que mostram se outubro é, de fato, o melhor mês para vender boi gordo. Afinal de contas quanto, em média, o preço de outubro supera o valor médio anual de cada ano e, em que meses do ano o boi gordo alcançou o pico de preços entre 2011 e 2019? Clique aqui e confira os dados!

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