Hedge, comercialização antecipada ou barter: qual a diferença?

Ivan Formigoni
Farmnews

Percebemos que existe uma dúvida recorrente entre produtores rurais: a diferença entre hedge, comercialização antecipada e barter.

Embora esses três conceitos estejam relacionados à gestão da comercialização da produção, eles possuem objetivos diferentes.

Em muitos casos, inclusive, um mesmo produtor pode ou mesmo utiliza as três ferramentas simultaneamente.

Entender essas diferenças é fundamental para reduzir riscos, melhorar o planejamento financeiro da propriedade e tomar decisões mais conscientes diante da volatilidade dos mercados agrícolas.

- Advertisement -

Neste material vamos explicar um pouco como funciona cada estratégia, suas vantagens, limitações e quando cada uma pode fazer mais sentido para o produtor.

O que é hedge?

Hedge é uma estratégia de proteção contra oscilações de preços.

O objetivo do hedge não é vender a produção.

É o de proteger a receita caso o preço da commodity caia, seja de milho, soja, boi gordo etc.

Nesse caso, o produtor utiliza instrumentos financeiros, como contratos futuros ou opções, negociados na B3, para reduzir o risco de mercado.

Imagine um produtor de milho que espera colher em setembro.

Hoje, o contrato futuro para setembro está cotado a R$70,00 por saca.

Receoso de que os preços caiam até o momento da colheita, ele vende contratos futuros na B3.

Se o milho realmente cair para R$60,00:

  • ele venderá o milho físico por um preço menor;
  • porém, obterá ganho na posição vendida na Bolsa.

Na prática, uma operação tende a compensar parte da outra.

Esse mecanismo faz do hedge uma das principais ferramentas de gestão de risco do agronegócio.

Essa é provavelmente a maior confusão entre produtores.

No hedge, o produtor continua dono da produção.

O que ele negocia na B3 é uma posição financeira.

A venda física poderá ocorrer posteriormente, para qualquer comprador.

Por isso, hedge e comercialização são decisões diferentes.

E por falar em contratos futuros, o Farmnews apresentou um guia completo do mercado futuro do boi gordo na B3 (clique aqui) e também discutiu porque o produtor ainda pouco utiliza essa ferramenta de gestão de risco (clique aqui)

O que é comercialização antecipada?

Comercialização antecipada significa vender parte da produção antes da colheita ou do período de terminação dos animais quando o assunto é a venda de bois gordos.

Nesse caso, existe efetivamente um comprador da produção que pode ser uma cooperativa, trading, indústria ou um frigorífico.

No caso da comercialização antecipada o produtor negocia:

  • preço;
  • quantidade;
  • prazo de entrega;
  • condições de pagamento.

Quando a colheita acontece, a produção é entregue conforme previsto em contrato.

Diferentemente do hedge, aqui existe uma venda física.

O que é contrato a termo?

O contrato a termo é uma das formas mais comuns de comercialização antecipada.

Nele, comprador e vendedor negociam diretamente um preço para entrega futura.

O Farmnews também discutiu os conceitos de mercado a termo e suas vantagens e desvantagens para o produtor rural. Clique aqui e confira!

Comercialização antecipada é igual a hedge? Não.

Embora ambos possam proteger contra quedas de preços, funcionam de maneira completamente diferente.

No hedge:

  • a proteção ocorre no mercado financeiro;
  • o produtor continua livre para vender sua produção posteriormente.

Na comercialização antecipada:

  • a produção já foi vendida;
  • existe compromisso de entrega física.

Essa diferença é fundamental.

E o que é barter?

O barter é uma operação de troca.

Em vez de comprar fertilizantes, sementes ou defensivos pagando em dinheiro, o produtor utiliza parte da produção futura como pagamento.

Na prática:

  • a empresa fornece os insumos hoje;
  • o produtor entrega parte da safra após a colheita.

Dependendo do contrato, o preço da commodity também pode ficar definido no momento da negociação.

Por isso, o barter muitas vezes envolve simultaneamente:

  • financiamento da lavoura;
  • comercialização antecipada;
  • gestão de risco.

O barter é apenas financiamento? Não.

Embora muitas pessoas enxerguem o barter apenas como uma forma de financiar os insumos, ele frequentemente incorpora uma operação de venda futura da produção.

Em muitos contratos, a quantidade de sacas ou arroba de boi gordo necessária para quitar os insumos já fica previamente estabelecida.

Isso reduz a necessidade de capital de giro, mas também cria compromissos futuros que precisam ser cuidadosamente planejados.

O Farmnews também discutiu o modelo de Barter no agronegócio que, tem ganhado força como alternativa para produtores que precisam garantir insumos mesmo diante de um cenário de crédito rural cada vez mais restrito. Mas existem pontos de atenção importantes. Clique aqui e confira!

O Farmnews disponibiliza, diariamente, seus estudos de forma gratuita pelo whatsapp. Clique aqui!

Compartilhar este artigo
Zootecnista, Fundador do Farmnews e interessado em fornecer informações úteis aos nossos leitores!