Pesquisadores da Inprenha Biotecnologia e da USP descobriram uma molécula capaz de aumentar a taxa de prenhez e diminuir a perda embrionária no início da gestação de bovinos.

A descoberta, resultado de um projeto apoiado pelo PIPE, da FAPESP, deu origem a um produto voltado a aumentar a eficiência reprodutiva animal.

O produto foi testado e patenteado pela empresa no Brasil e em outros 8 países, além de na Comunidade Europeia, e está em processo de registro no MAPA.

“Descobrimos uma nova aplicação para a molécula. Não encontramos nenhum produto semelhante em desenvolvimento no mercado de reprodução animal no Brasil e no mundo”, disse Marcelo Roncoletta, diretor da Inprenha e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

O pesquisador e sua sócia na empresa, a pesquisadora Erika Morani, têm estudado desde que fundaram a empresa, em 2008, alternativas para aumento da taxa de prenhez e eficácia reprodutiva de animais.

Uma das linhas de pesquisa a que se dedicaram foi a diminuição da perda embrionária no início da gestação de bovinos baseada em hipóteses que levantaram ao estudar o reconhecimento materno da gestação e a imunotolerância materno-fetal para manutenção da gestação.

A parceria entre a instituição e a empresa resultou na confirmação da hipótese de que a molécula aumenta a taxa de implantação de embriões no útero materno de bovinos e no patenteamento tanto do produto como do processo de obtenção da molécula.

Em decorrência disso, a empresa tem investido na produção em larga escala da molécula recombinante com o intuito de atender a expectativa de demanda do produto no mercado interno e externo.

“O produto não visa ao tratamento de doenças ou de infertilidade, mas ao aumento de eficácia de animais férteis submetidos a procedimentos de inseminação artificial e transferência de embriões”, explicou Roncoletta.

De acordo com o pesquisador, o produto tem demonstrado eficácia quando administrado no dia da inseminação ou 7 dias depois.

A administração do produto é realizada com sua deposição no útero do animal, em contato com o endométrio (mucosa de revestimento interno do útero).

“A partir da inoculação do produto começa a ocorrer uma série de eventos biológicos que culminarão no aumento do privilégio imunológico ao embrião. Isso, consequentemente, dará maior chance de estabelecimento e manutenção da gestação”, detalhou Roncoletta.

Segundo o pesquisador, o produto foi amplamente testado em procedimentos de transferência de embriões produzidos in vivo e in vitro – em que foi aplicado concomitantemente à inovulação de embriões na receptoras – e de inseminação artificial – em que foi inoculado no ato da inseminação, na sequência da deposição do sêmen.

Os resultados dos testes indicaram que o produto foi capaz de aumentar em 14% a taxa de prenhez nas receptoras de embriões produzidos in vivo, 7% nas receptoras de embriões produzidos in vitro e 10% na inseminação artificial.

“Já fizemos mais de 10 mil inseminações, com diferentes raças e rebanhos, e as crias nasceram saudáveis, sem alterações neonatais e morfológicas, o que confirma que o produto é muito seguro com relação à farmacologia”, afirmou Roncoletta.

Atualmente, a empresa tem capacidade de produzir 70 mil doses do produto por mês, que estão sendo usados para realização de mais testes.

Com a obtenção do registro no MAPA e a liberação da comercialização, o pesquisador estima que terão mais que dobrar a atual capacidade de produção.

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Adaptado de Agência Fapesp.

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